02/12/2017 às 18h35min - Atualizada em 02/12/2017 às 18h35min

A eleição do medo!

Eleição do medo! 

Paulo Lucio – Carteirinho 

O medo será um dos puxadores de votos nas eleições de 2018. Estará presente em diversos palanques. Muitos candidatos discursarão em cima do medo. Será a eleição do medo! 

Utilizar o medo é uma estratégia de manipulação brilhante. Muito utilizado por alguns movimentos religiosos que falam muito mais do Inferno do que do Paraíso. Muito mais do pecado do que do perdão. Muito mais das pragas do que da salvação. Muito mais do ódio do que do amor. Muito mais do Velho Testamento do que do Novo Testamento.... 

Quem também gosta de usar o medo é o marketing midiático. Temos programas de TV que sobrevivem do sensacionalismo em cima do medo. Utilizando vítimas e indivíduos aterrorizados. Pegam um crime e ficam falando dele o dia todo. Repetindo as mesmas cenas diversas vezes. Conseguindo manter a audiência das pessoas através do medo e da raiva. 

O medo vem ganhando espaço também na política. Chegando a ter uma bancada parlamentar: a Bancada da Bala. Composta por vários deputados e senadores. Que são eleitos através do medo. 

Percebendo que esse discurso está em alta, muitos candidatos estão trabalhando com o medo. Que virou cabo eleitoral. Criando a sensação de ameaça constante. Mexendo com o emocional das pessoas. Para isso, apelam para exemplos extremos. Fazendo as pessoas imaginarem que a qualquer momento uma tragédia pode acontecer com ela e sua família: 

“Imagine seu filho sendo sequestrado”. “Sua filha sendo estuprada”. “Um vagabundo entrando na sua casa”. “Seu filho usando drogas”. Seu filho virando gay”. “Sua filha namorando traficante”. “Sua esposa sendo assediada”. “Você sendo assaltado”. “Alguém tentando tirar sua vida”.... 

Se as pessoas começaram a imaginar tragédias ficarão paranoicas. Deixarão de fazer um monte de coisa. Como por exemplo, usar carro/moto/avião. Afinal, acidentes ocorrem diariamente. Alguns fatais. Imagine você dirigindo seu carro e de repente outro veículo colide no seu carro. Você e sua família morrem. Vai ficar imaginando isso? Vai deixar de usar o carro por causa disso? 

Imagine sua esposa te traindo com outro homem ou mulher. O vídeo deles fazendo sexo vazando na internet. Seus amigos e familiares assistindo. Vai ficar imaginando isso? Vai pedir separação da sua esposa? 

Citei esses exemplos para mostrar que ficar imaginando coisas farão com que as pessoas comecem a ver monstros. Começando a agir por impulso. O fantástico mundo do medo faz com que as pessoas comecem a ter medo uma das outras. Passando a enxergar perigo a todo o momento. Perigo esse que precisa ser combatido. Surgindo o político que será o messias. A pessoa que vai proteger a sociedade, a família e os bons costumes. 

Mas será mesmo que o "salvador da pátria" combaterá o medo? Dificilmente! Afinal, ele é fruto do medo. Logo, quanto mais medo melhor. Assim garante a ele sobrevivência na política. Mais tempo no poder. Quem sabe até a implantação de mais uma ditadura. A Ditadura do Medo! 

Esse é o grande problema da política do medo. O medo não tem fim. Uma vez instalado demora muito para a sociedade conseguir se libertar. Além do que, o medo gera o ódio. Permite vários tipos de atrocidades. Como a tortura. Vista como algo bom. Fazendo com que as pessoas comecem a ficar contra os Direitos Humanos. Visto como inimigo da sociedade. 

Não podemos permitir que o discurso do medo vire plataforma de governo. Afinal, temos problemas sociais gravíssimos. Que devem ser abordados de forma racional e não emocional. 

Não podemos achar que a solução para uma sociedade melhor é ter uma arma em casa e leis mais rígidas. Afinal, nossos “vizinhos” são a fome, a miséria, a falta de moradia, o racismo, o preconceito, a homofobia, o machismo, a doença, a falta de educação, o problema ambiental, a exploração, a escravidão... que um dia vamos nos deparar frente a frente com eles. E não terá arma ou messias capaz de nos proteger. 

A política não deve ter medo de enfrentar os problemas sociais. Não deve se limitar a questão criminal. Deixando de debater temas que são de extrema urgência. Que solucionados ou amenizados farão uma sociedade bem melhor. Sem precisar dar um tiro. Muito menos tirar mais vidas. Ou ser contra os direitos humanos que são fundamentais para uma sociedade melhor. 

Como dizia Charles Chaplin: “A vida é maravilhosa quando não se tem medo dela”.

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