30/01/2017 às 06h26min - Atualizada em 30/01/2017 às 06h26min

Nacionalismo!?

Nacionalismo!?  
 
Paulo Lucio – Carteirinho
 
Raul Seixas dizia: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”. Essa frase define bem o capitalismo: um sistema metamorfose. Uma espécie de camelão: muda de cor de acordo com o ambiente. Falando em natureza, de acordo com Charles Darwin: “Não são as espécies mais fortes que sobrevivem, nem as mais inteligentes, e sim as mais suscetíveis a mudanças”.
 
Por ter facilidade em se adaptar, o capitalismo acaba imperando na sociedade. Por falar em adaptações, estamos vivendo o início de um novo ciclo.  Sai o modelo neoliberalismo globalizado e entra o nacional liberalismo. Esse novo ciclo traz mudanças econômicas, políticas, sociais e culturais.  Exige adaptações.
 
Antes de falar do novo modelo, temos que analisar o modelo antigo, para que possamos entender a transição. Para isso temos que voltar no tempo, na década de 80, quando iniciou o neoliberalismo. O neoliberalismo substituiu o nacionalismo iniciado após a Segunda Guerra Mundial. Naquela época vários países deixaram de serem colônias e se tornaram independentes. Porém, ameaçados pelo imperialismo americano e russo. Tendo em vista a divisão do mundo em dois blocos: capitalistas (EUA) x comunistas (URSS). 
 
A ameaça estrangeira fez com que o nacionalismo ganhasse força. Com destaque na América, onde imperou Ditaduras Militares. É bom destacar que tivemos Ditadura Militar em quase todos os países. No caso do Brasil, a ditadura durou 21 anos.
 
Os militares são nacionalistas por natureza. Patriotas.  A base do governo era o intervencionismo e o protecionismo. Valorização da economia local. Investimentos nas empresas estatais.  Fortalecimento do Estado. O que acabou sendo bom no início. Tanto que esse período ficou marcado pelo Milagre Econômico. O que explica porque muitos hoje pedem intervenção militar. Mas nem tudo que reluz é ouro.  Com o passar do tempo, o nacionalismo começou a ser ruim. Não por causa da violência e repressão dos militares. Mas por ir contra a nova fase do capitalismo: a globalização.
 
Na década de 80, o capitalismo rompe com o nacionalismo e começa a se internacionalizar. Tendo como base a liberdade econômica: o neoliberalismo. Combatendo o nacionalismo. O neoliberalismo pregava a abertura da economia mundial. Sendo contrário o protecionismo e o intervencionismo. Defendiam a criação do Estado Mínimo. Para isso, sucateou o Estado e os serviços públicos para facilitar as privatizações: venda das empresas públicas para a inciativa privada -  grande maioria entregues para o capital estrangeiro: entreguismo. Como dizia Raul Seixas na música Aluga-se: “A solução é alugar o Brasil”.
 
No Brasil, o neoliberalismo iniciou na década de 90, no Governo Collor. Aprofundando no governo de Fernando Henrique Cardoso/ PSDB. Estando presente também no governo Lula e Dilma/PT. Mas com menos intensidade, tendo em vista o começo de um novo ciclo.
 
Feito esse apanhado histórico, podemos falar do novo ciclo: nacionalismo. O nacionalismo ganhou força no governo Lula. Marcado pela forte presença do Estado. Construção de: escolas, universidades, creches, hospitais, aeroportos, portos, estradas, rodovias, pontes, ferrovias, metrôs, usinas, estádios... . Porém, aliado com a iniciativa privada. Parceria púbico privado (PPP). Com diversas privatizações, concessões e corrupção. Destaco também os programas sociais: Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Fome Zero, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Brasil alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos (EJA),  Prouni, FIES, Luz para todos...   
 
Ao mesmo tempo em que era nacionalista, o governo do PT tinha um lado internacionalista. Havia uma integração com outros países. Cito como exemplo a criação do BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) e do MERCOSUL. Cito também as diversas obras realizadas com recursos do BNDES fora do Brasil: Porto em Cuba. Da Hidrelétrica no Equador, metrô no Panamá, Aqueduto na Argentina, metro na Venezuela ...
 
A atuação do Brasil no exterior foi um prato cheio para a direita, que percebeu que o mundo caminhava para o nacionalismo e adotou o discurso nacionalista. Pegando carona na crise econômica/política e nos casos de corrupção, milhares de “patriotas” saíram às ruas vestidos de verde e amarelo pedindo a saída do PT. O “nacionalismo” brasileiro fez do PT inimigo número 1.
 
Mas isso não ocorre só no Brasil. Mas mundo a fora. Como disse anteriormente, estamos vivendo um novo ciclo: nacionalismo.  O que explica a vitória de Trump, o crescimento do Estado Islâmico, a saída do Reino Unido da Zona do Euro...
 
O nacionalismo extremista vem preocupando a muitos. Tendo em vista que não temos boas recordações no passado: nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini.  É claro que os tempos são outros. Dificilmente ideias extremistas vão adiante. Cito como exemplo os decretos de Trump que visava restringir a entrada de alguns grupos de pessoas de países mulçumanos e estabelecia a deportação de refugiados e emigrantes que estão ou chegarão aos Estados Unidos, ambos foram suspensos pela justiça americana.
 
Por mais que o nacionalismo e o conservadorismo cresçam, a sociedade contemporânea  não abrirá mão da diversidade, da democracia e da integração entre os povos. Não tolerará por muito tempo governos que pregam o ódio, o racismo, a intolerância, a violência, a segregação, o preconceito, o machismo, a homofobia...
 
Logo, logo o capitalismo romperá com nacionalismo extremista e uma nova ordem surgirá. Até lá, teremos que aguentar o discurso (pseudo)patriótico da direita fazendo campanha para Bolsonaro. Mas é fase. Espero que passe logo. 

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