09/04/2017 às 09h36min - Atualizada em 09/04/2017 às 09h36min

Bandido bom é bandido...?

Bandido bom é bandido...?
 
Paulo Lucio – Carteirinho
 
Bandido bom é bandido...? Antes de completar a frase e tratar da questão da criminalidade urbana, gostaria de falar de guerra. Na verdade, crimes de guerra.
 
Crimes de guerra são violações dos Direitos Humanos no decorrer de uma guerra ou conflito armado. Definidos através de acordos internacionais. Destaco a Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma.
 
São considerados crimes de guerra: privar prisioneiros de guerra de um julgamento justo, torturar prisioneiros, pegar reféns entre a população civil, utilizar gás venenoso, lançar ataques propositalmente contra civis...
 
Como o leitor pode notar, até mesmo numa guerra, considerado algo desumano, temos leis que visam garantir os Direitos Humanos.  O direito de um julgamento justo.
 
Enquanto isso, na “guerra urbana” (polícia x bandidos), muitos criticam os Direitos Humanos. Dizem que servem “apenas para proteger bandidos”. Alguns chegam a propor o fim dos Direitos Humanos.  
 
Já pararam para imaginar como seria uma sociedade sem os Direitos Humanos? Qual seria o papel da polícia? Como agiria o policial?
 
A resposta é simples. A polícia ganharia novas funções. Funcionaria também como judiciário.  O policial seria juiz: julgando e condenando.  Sendo condenação imediata. No ato do ocorrido. O policial agindo no impulso. Tendo como condenação: a morte.
 
Como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro. Onde policiais executaram dois traficantes. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra a cena dos policiais atirando nos dois traficantes deitados no chão.   
 

 
É como se tivéssemos aprovada a pena de morte. Porém, sem ter uma lei que regulamenta.  Sem julgamento. Sem direito de defesa. Apenas condenação: morte.   
 
O policial definindo quem deve viver ou morrer. Muitos vão dizer: bandido bom é bandido morto. Chegarão a propor condecorações aos policiais.  Acontece que no mesmo confronto no Rio de Janeiro morreu também uma estudante.  A jovem estava dentro da escola na hora do confronto. Segundo as investigações, um dos tiros que matou a estudante saiu da arma de um dos policiais.  Estudante bom é estudante morto? Os fins justificam os meios?
 
Esse caso ganhou destaque nacional.  Trouxe para o debate que tipo de profissionais queremos: policiais ou justiceiros? Como disse no começo desse artigo, até mesmo na guerra temos um código de conduta que visa respeitar os Direitos Humanos.  Por que a policia não deveria ter? Por que a o policial não deve respeitar os Direitos Humanos?  
 
Não cabe ao policial definir quem deve viver e quem deve morrer. Policial não é Deus.  Muito menos juiz. Não deve ser justiceiro.  Claro que não podemos fechar os olhos para a violência por parte dos bandidos. Cada vez mais violentos. Armados com arsenal de guerra.  Mas nem por isso justifica tornar o policial um fora da lei. Um assassino frio.  Descumpridor dos Direitos Humanos.  
 
Não são os Direitos Humanos o inimigo da polícia. Insisto em dizer: até mesmo na guerra temos leis que visam garantir os Direitos Humanos.  Existem outras formas de combater a violência.
 
Respondendo ao título. Bandido bom é bandido: preso.  De preferência num sistema carcerário que realmente recupere. Que também respeite os Direitos Humanos.
 
 
 

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