20/03/2017 às 13h04min - Atualizada em 20/03/2017 às 13h04min

Projeto do Estado assegura a inclusão socioprodutiva de catadores de material reciclável

Seminário reuniu 150 convidados de 42 municípios mineiros que estão sendo beneficiados com projeto que fortalece os processos de coleta seletiva

Agência Minas

A secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, Rosilene Rocha, ressaltou a importância do seminário (Foto:Carlos Alberto/Imprensa MG)
O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), em parceria com Educcappe Consultoria Educacional, realizou nesta semana o primeiro seminário do projeto Minas Reciclando Atitudes – Repensando o Futuro, para fortalecer os processos de coleta seletiva, melhorando as condições de vida, de trabalho e de acesso às políticas públicas por esse segmento da população.

O seminário, que aconteceu no Centro Mineiro de Referência em Resíduos Sólidos (CMRRS), no bairro Esplanada, em Belo Horizonte, reuniu 150 convidados de 42 municípios mineiros que estão sendo beneficiados com o projeto, resultante de uma parceria do Governo de Minas Gerais com o Ministério do Trabalho, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária. Ao todo, estão sendo investidos R$ 7 milhões, sendo 10% deste montante a contrapartida do Estado.

“Esse projeto é destinado a 1.680 catadores desses 42 municípios, sendo que 70% deles não estão organizados em cooperativa. A ideia é contribuir para que eles possam ser incluídos no processo produtivo de coleta seletiva. E, para os 30% já organizados em associações e cooperativas, queremos fortalecer essas entidades”, informou o subsecretário de Estado do Trabalho, Antônio Lambertucci, lembrando que a ideia principal do projeto é incluir produtivamente os catadores de material reciclável.

“Temos que pensar o catador como agente social e ambiental, que contribui para a sociedade à medida que fortalece a coleta seletiva, o que gera um impacto muito importante do ponto de vista ambiental e para a saúde das populações e, por outro lado, há um impacto positivo na geração de renda para esse segmento”, enfatizou Lambertucci.

Ao longo do ano serão realizadas diversas atividades do projeto, como a realização de oficinas regionais para a qualificação das equipes, a criação de Comitês Gestores em cada um dos municípios beneficiados – com a presença de representantes das prefeituras participantes e do movimento de trabalhadores -, bem como a instalação de Fóruns  Municipais de Lixo e  Cidadania.

Segundo Lambertucci, os Fóruns terão uma abrangência mais ampla, já que contarão também com a participação de entidades que não estão ligadas diretamente aos catadores, mas que têm interesse social importante na cidade.

“Além de acompanharem todo o trabalho posterior da coleta seletiva e a inclusão dos catadores, ajudarão a conscientizar a população de que ela precisa contribuir para a coleta seletiva por razões ambientais e de saúde pública, além de garantir a geração de renda para parte da população mais vulnerável das cidades, que pode obter ganhos de renda com materiais que são descartados nos lixões, como garrafas pet, papelão, vidro e metal, como o alumínio”, salienta.

Durante a abertura do evento, a secretária de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, Rosilene Rocha, ressaltou a “importância do seminário para a construção coletiva desse processo de troca de experiências, de saberes, de organização e, inclusive, de afetos e de lutas para poder seguir cada vez mais reforçando o importante papel social, político, econômico, ambiental que têm os trabalhadores da catação”. 

Segundo ela, o Governo de Minas Gerais tem buscado conversar mais com as comunidades, com as lideranças para assegurar uma melhor aplicação dos recursos. Rosilene Rocha enfatizou ainda que esse primeiro seminário quer trazer a marca da inclusão no mundo do trabalho, da inclusão social por meio do trabalho das pessoas.

“O tema da inclusão é muito central tanto para a Sedese quanto para o Governo do Estado. Então, é muito importante essa adesão das prefeituras. Não é o Governo de Minas Gerais, a Sedese que vai conseguir tocar bem esse trabalho. Nós podemos apoiar, assessorar, coordenar, co-financiar, mas o trabalho local, com o trabalhador e com as cooperativas, com os que já estão organizados e os que ainda estão nesse processo, são as equipes locais que têm condição de realizar”, ressaltou durante o seu discurso.

Para o presidente da Educcappe Consultoria Educacional, Simeão Pereira da Silva, o maior intuito desse projeto é deixar um legado para as futuras gerações. “Espero que daqui há alguns anos, possa andar com os meus filhos e saber que tive uma grande participação em um projeto de total fundamentação para o meio ambiente, para as novas gerações”, disse.

Benefícios

“Esse evento vai ajudar muito os catadores que ainda não têm uma associação, que ainda estão nos lixões e não se organizaram”, afirmou Rosiane Isabel Santos, da Associação dos Catadores de Material Reciclável de Bocaiúva. Segundo ela, o projeto vai melhorar a estrutura e a organização para esse segmento da sociedade. A associação no município ficou desativada por vários anos e está novamente sendo reestruturada.

A presidente da Associação da Vontade do Povo de Pai Pedro, município do Norte de Minas, Lucimar de Jesus Batista, considera também que o projeto vai ser um grande incentivo para os catadores.  “Ele vai trazer melhorias e ampliar a renda desses trabalhadores”, avalia.  A associação possui dez pessoas e já conta com várias máquinas doadas que ainda não estão em funcionamento.

Seminário

Durante os três dias do evento, foram realizados vários painéis sobre inclusão socioprodutiva, competências e responsabilidades dos municípios na gestão do projeto, bem como o protagonismo dos catadores no desenvolvimento dessa ação. Foram realizados também grupos de trabalho para a troca de experiências e apresentação de propostas de trabalho.

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