18/04/2014 às 11h05min - Atualizada em 18/04/2014 às 11h05min

EDUCAÇÃO E MIGRAÇÃO

As eleições estão aí.

Alexandre Sylvio
Há dois anos atrás um aluno de mestrado do curso de Gestão Integrada de Território da Univale procurou a mim para estudarmos algumas características da educação superior nas regiões do Vale do Mucuri e Jequitinhonha. Topei o desafio e iniciamos os trabalhos com o levantamento de dados de alguns municípios da região. Muitas Universidades e Faculdades, públicas e privadas estão surgindo nesta região favorecendo significativamente os jovens que buscam nestas instituições bagagem técnico científica para o desenvolvimento de novas atividades profissionais. Verificamos que o esforço e a dedicação são intensos pois muitos se deslocam diariamente de suas cidades para poderem estudar. Mas estamos observando que este benefício individual não está se traduzindo em benefício regional, principalmente para os pequenos e pobres municípios. Os jovens, ao se formarem estão buscando novas oportunidades, inclusive que os remunerem de forma mais justa, considerando a sua titulação de nível superior. Muitos sempre viveram em cidades pequenas e pobres, que nunca ofereceram uma boa infra estrutura para o desenvolvimento econômico e social de sua população. Desta forma, sem estudos o jovem já pensava em sair destas microcidades para tentar melhorar de vida nos grandes centros, com o diploma de curso superior na mão e uma melhor visão da situação sócio econômica de seu município, as expectativas de permanecer nestas condições são nulas. Um dos motivos do esforço em obter um diploma de cursos superior está na melhora de sua qualidade de vida com aumento da renda, fato que muitos não conseguirão permanecendo em suas cidades de origem. Os governos estão apostando nos jovens, qualificando-os, mas não estão investindo na infra estrutura necessária para fixar este jovem profissional em sua terra natal mas forçando-o a migrar para os grandes centros que lhes garantirão empregos na sua área de formação e remuneração mais justa em relação ao seu conhecimento. Atualmente verificamos dois tipos de migração nesta região: das pessoas sem qualquer tipo de instrução e que dependem das atividades rurais para sobreviver e que migram para locais de atividade agropecuária mais rentável como a colheita de cana e de laranja em São Paulo o a colheita de café no Sul de Minas e Espírito Santo. O outro grupo é dos jovens formados de nível superior que não encontram trabalho e remuneração compatíveis com o seu grau de instrução, migrando para os grandes centros onde  as suas atividades são mais valorizadas. O Brasil em suas regiões mais carentes como é o caso dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri em Minas Gerais deve ser repensado não apenas em relação a educação, que é um dos fatores fundamentais para o desenvolvimento, mas também nas ações de infra estrutura que permitam manter estes jovens em suas regiões de origem. O fato e que temos uma potencialização dos processos migratórios que inclui os trabalhadores do setor primário e os de curso superior. Não é por acaso que os últimos censos do IBGE (2000 e 2010) verificamos que a taxa de crescimento populacional é reduzida e até mesmo negativa em muitos municípios, ou seja, a população está diminuindo. Os nossos políticos devem pensar com mais carinho na complexidade desta nova realidade social do Brasil.  As eleições estão aí.
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