24/03/2018 às 17h09min - Atualizada em 24/03/2018 às 17h09min

Marielle – o tempo é chegado

Rafael Castro (*)
Crises antecedem mudanças significativas na sociedade. Para aqueles que sabem ouvi-las, crises são oportunidades de crescimento, isso se aplica a crises de diversas naturezas, no âmbito social, as crises mais persuasivas são as de cunho econômico. O Protestantismo, a Revolução Francesa, o Marxismo, são só alguns exemplos de movimentos sociais posteriores a crises socioeconômicas. Aqui no Brasil, um caldeirão de efervescências sociais tem sido aquecido desde as crises econômicas ocorridas no governo Dilma, essas somadas aos escândalos de corrupção expostos pela Operação Lava Jato, ao golpe desferido contra a democracia com a retirada da presidenta eleita Dilma Rousseff, além do imenso descrédito do governo Temer – envolto a escândalos de corrupção – devido à implantação e defesa de políticas que afetam miseravelmente o trabalhador brasileiro (como a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista), e finalmente a violência declarada e desde então midiatizada e militarizada no estado do Rio de Janeiro. A soma dessas crises tem abalado a estrutura social que ordena a vida do brasileiro e a execução covarde da vereadora Marielle foi o estopim, uma ventania que está enfim esgotando a infinita paciência do brasileiro. O cúmulo demorou, pareceu que nunca chegaria, mas hoje tem despertado grande parte da população entorpecida.
 
O tempo chegou! Ao menos é o que me parece, amigo leitor. Quando ressuscitamos algumas figuras históricas, modelos de protagonismo social – como por exemplo Martin Luther King Jr. – notamos que os homens não fazem a história, ao contrário, a história os faz, os conclama porque é chegado momento propício, o tempo da mudança. Ora, nenhum homem ou mulher muda o mundo, mas alguns homens e mulheres reconhecem a hora da mudança, daí assumem a dianteira de um processo já – há muito – em movimento. Será esse o momento? Bem, como dissemos inicialmente, as crises antecedem as revoluções e, diante desse estado de desespero a que estamos submetidos, esperemos que essa premissa esteja correta e que venham os ventos de transformação.
 
Restam-nos duas posturas, uma delas sem dúvida é a esperança, a outra é a atenção, pois a qualquer momento a história pode nos chamar outra vez, a fim de nos oferecer as condições férteis para o renascimento. Pode até não ser agora, contudo, cedo ou tarde a hora chega e nesse dia a história nos chamará outra vez mais! Como chamou o reverendo King. Saberemos ouvi-la? Na minha humilde opinião, amigo leitor, o tempo é chegado! Ele chegou! E Marielle deu a sua vida para trazê-lo até nós. “Onde estão vocês?” – a história nos pergunta estupefata. Quem tiver ouvidos para ouvir, que ouça!      
 
(*) Jovem escritor. Morador de Leopoldina. Mestre e Doutorando em Ciência da Religião pela UFJF.            
 
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