04/06/2018 às 09h25min - Atualizada em 04/06/2018 às 09h25min

102 - Escritores Leopoldinenses

Luja Machado e Nilza Cantoni

Na comemoração dos 164 anos de emancipação administrativa de Leopoldina, um tema pouco comentado é 
o destaque do dia. Trata-se da produção bibliográfica de autores leopoldinenses, do passado e do presente.
De início vale ressaltar que são considerados como tal, os aqui nascidos e todos os que viveram no município em algum momento de suas vidas.  

 
Talvez alguns leitores se surpreendam ao constatar que mais de uma centena de autores, com pelo menos um livro publicado, dos mais variados gêneros, vive ou viveu em Leopoldina. Sejam poesias, crônicas do cotidiano, romances ou contos, assim como livros técnicos de contabilidade, economia, direito ou livros de memórias. Desde o grande memorialista que foi Francisco de Paula Ferreira de Rezende, que dedicou uma parte do livro “Minhas Recordações” à Vila Leopoldina, para a qual se transferiu nos idos de 1860, mais de uma dezena destes autores publicaram obras que contam, cada uma a seu modo, um pouco da história da nossa terra.

Se os olhos se voltarem para as obras literárias, o número será significativamente maior. Pois aqui viveu não só o poeta Augusto dos Anjos, patrono da Academia Leopoldinense de Letras e Artes, como também o grande poeta português Miguel Torga, que aqui viveu na juventude e, o leopoldinense Dilermando Cruz, que em 1896 publicou “Primeiras Rimas”.

Para a área de direito, dado o grande número de autores foi necessária uma escolha representativa. No caso, Tito Fulgêncio Alves Pereira, por ser autor de uma das mais antigas obras impressas pela Typographia da Empresa Gazeta de Leopoldina.

Também da área técnica é justo lembrar o médico e Agente Executivo Municipal (Prefeito) Joaquim Antonio Dutra, um dos mentores da lei que criou a assistência aos alienados em Minas Gerais e, o professor Juvenal Carneiro, destaque na área da contabilidade.

Mas não se pode deixar de citar um personagem que está, injustamente, entre os mais esquecidos de Leopoldina: Francisco Martins de Almeida. Ou simplesmente, Martins de Almeida, que ao lado de Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura, Pedro Nava e tantos outros expoentes da literatura nacional, editou “A Revista”, marco do Movimento Modernista, em Belo Horizonte, na década de 1920. Um escritor que foi o representante de Leopoldina na inquietante travessia da literatura brasileira em direção aos novos tempos e que é hoje totalmente desconhecido dos conterrâneos.

Importante lembrar, ainda, o grande incentivador da pesquisa realizada em torno do assunto, Joaquim Custódio Guimarães. O seu livro “Escritores Leopoldinenses” foi o trabalho que serviu de referência para o estudo atual. A ele, portanto, um agradecimento especial por ter sido o primeiro na cidade a valorizar os autores leopoldinenses.

Certamente estiveram na origem do prazer da escrita muitos outros técnicos,  poetas e prosadores da terra do Feijão Cru.

Trazer estes nomes ao conhecimento de todos e homenageá-los é o objetivo da ALLA, que entende ser esta uma maneira de mostrar que o codinome de Athenas da Zona da Mata surgiu do fato concreto de Leopoldina ter contado, sempre, com bons colégios e ter reunido um número expressivo de pessoas preocupadas com a educação e a cultura do lugar.

E na oportunidade da realização da primeira Festa Literária de Leopoldina, que será realizada entre os dias 19 e 26 de maio, lançar o Dicionário de Autores Leopoldinenses tornou-se uma obrigação para os responsáveis por esta coluna. Um sucinto trabalho de resgate histórico que, num universo de mais de uma centena de verbetes, relaciona os esboços biográficos dos autores vinculados a Leopoldina.

É provável que as pesquisas realizadas não tenham esgotado o assunto e é certo que o trabalho não reúne todos os livros publicados pelos nomes elencados. Mas foram resgatadas obras de pessoas velhas e jovens. De autores de primeira obra e de nomes consagrados até internacionalmente. De cidadãos simples ou acadêmicos daqui e de acolá, merecedores da atenção de todos os leitores deste Jornal.

Assim, para encerrar, aqui fica o convite a todos os leitores para assistirem a uma palestra sobre estes escritores, no dia 26 de maio, a partir de 10 horas no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira e, em seguida, participarem do encontro com muitos destes personagens, em tenda montada na Praça Felix Martins, onde ocorrerá alguns lançamentos de livros.

Compareçam! Até lá.
Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA
Publicado na edição 354 no jornal Leopoldinense de 27 de abril de 2018

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