06/09/2018 às 06h48min - Atualizada em 06/09/2018 às 06h48min

​“Liberar” arma de fogo!?

Um dos assuntos mais debatidos do momento é a questão de “liberar” arma de fogo para a população. Esse tema está em alta devido à eleição. Tem candidato que, aproveitando da insegurança, vem fazendo política em cima dela.  Achando que vai resolver tudo na base da bala.
 
Muitos estão apoiando essa ideia. Até entendo, tendo em vista o aumento dos roubos e furtos.  A quem acredita que ter uma arma em casa lhe fará mais seguro. Impedirá um possível roubo.  Porém, essas pessoas esquecem que as armas serão usadas em outros tipos de “roubos”.
 
Por exemplo, quando uma pessoa “roubar” a esposa/marido. Uma traição.   Imagina se a pessoa traída tiver uma arma em casa. Arma e traição não é um bom casamento. Muitos homicídios acontecem justamente por causa de traições. Defesa da honra. Se “liberar” o uso de armas, você acha que vamos ter mais ou menos homicídios? Você se sentirá seguro morando ao lado da pessoa traída ou que traiu sabendo que ambos os lados podem ter uma arma?
 
Outro exemplo, a pessoa está em casa descansando, querendo dormir e o vizinho “rouba” seu sossego com uma festa, uma discussão, briga.... Se a pessoa tiver uma arma em casa essa festa vai terminar bem? Agora, imagina ambos os vizinhos armados? Você se sentirá seguro se tiver participando dessa festa ou morando perto?  
 
Vamos trazer esse debate para dentro de casa, brigas familiares acontecem com frequência. Um “roubando” a tranquilidade do outro: marido x mulher, pais x filhos, avós x netos, irmãos x irmãos, tios x sobrinhos, primos x primos... Principalmente, quando a disputa por herança. Imagina uma divisão de bens com pessoas armadas. Não precisa imaginar, basta lembrar de um caso recente que aconteceu numa cidade, onde o tio matou o sobrinho. Segundo relatos, por pouco não acontece o contrário, o sobrinho matando o tio. Já que ambos tinham armas. Com a “liberação” das armas vai ser um querendo “roubar” a herança do outro. Você se sentirá seguro disputando uma herança ou morando perto de quem tá disputando?
 
A respeito  de festas, Leopoldina é uma cidade festeira. Vira e mexe tem shows e eventos: exposição, feira da paz, motorock, desfile de 7 de Setembro, aniversário da cidade, som nos bares, baile funk, pagodes, casas de show... Você se sentiria seguro indo ou deixando seus filhos irem nesses eventos sabendo que muitos terão armas? Creio que não. Hoje, sem armas “liberadas”, com pouquíssimas delas em circulação, as pessoas não se sentem seguras. Imagina se “liberar”. Com mais armas em circulação você vai se sentir seguro?
 
Não poderia deixar de citar as discussões no trânsito. Quem dirige sabe o quanto trânsito é estressante. Um “roubando” a calma do outro.  Imagina com motoristas armados. Você vai se sentir mais seguro sabendo que a qualquer momento alguém pode puxar uma arma no trânsito?  
 
Dentro da questão de brigas, brigas por causa de futebol virou algo normal- infelizmente. A pessoa tá num bar (estádio ou campo de futebol) assistindo seu time jogar e o torcedor adversário “rouba” sua paciência. Agora, imagina isso acontecendo com torcedores armados. Você se sentirá seguro torcendo para seu time ou morando perto de um bar (estádio ou campo de futebol) sabendo que terá pessoas armadas?
 
Como podem ver, armar a sociedade não é algo bom. Quem acha que as pessoas vão comprar uma arma, para deixá-la em casa, usar somente em legítima defesa, quando por ventura alguém tentar assaltar sua residência, tá muito enganado. As armas não ficarão em casa. Acompanharão seus donos. Que usarão com frequência. Como demonstrei.
 
O ser humano não é confiável. Tendo em vista que age por impulso. No calor do momento. Não tem como a gente definir quem de fato é um cidadão de bem. Eu por exemplo, mal me conheço. Não sei do que sou capaz. Em questões de segundos posso fazer uma besteira. Se eu que sou da “paz” não confio em mim, vou confiar nos outros?
 
Termino com uma dúvida. Afinal de contas, Cristo disse: amai uns aos outros ou armai uns aos outros?  Precisamos de pessoas amadas e não armadas.

 
 
 

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