20/03/2019 às 10h59min - Atualizada em 20/03/2019 às 10h59min

Desperta tu que dormes!

Gino Ribas Meneghitti

Em virtude da ausência de mobilidade e participação política ativa da população na Câmara Municipal de Leopoldina, nossos mandatários parecem ter se acomodado e esquecido o verdadeiro motivo de estarem ali presentes: legislar, fiscalizar e representar de forma incondicional os interesses da sociedade leopoldinense, independentemente de partido, credo, cor, orientação sexual ou classe social. 

Com atitudes autoritárias e desrespeitosas em relação à população, desde do aumento do próprio salário à implantação do décimo terceiro, emitem discursos e juízos incompatíveis com a função e o cargo que exercem. 

Nossos gestores são responsáveis, ou deveriam ser, por cumprir e exercer a vontade do povo, seguindo o sentido e significado estrito da palavra democracia.E infelizmente o povo não foi consultado sobre o aumento salarial de seus funcionários. Em qual empresa o funcionário dá aumento para si próprio sem consultar o patrão? 

Acho que falta leitura e conhecimento, para não dizer bom senso, respeito e humildade com os contribuintes, que fazem com que a folha de pagamento da prefeitura permaneça em dia e em ordem. 

Nosso desânimo e descrença em relação à política e aos políticos alimenta o sentimento de impotência e pessimismo nos levando de encontro à indiferença e até mesmo a alienação. 

No entanto, as manifestações ocorridas em Leopoldina, tanto nas ruas como nas redes sociais, trouxeram para o centro do debate, um protagonista que os próprios políticos gostariam de evitar: a sociedade. 

Os movimentos sociais, sindicais e políticos são essenciais na manutenção do regime democrático. A democracia nasce quando seus gestores, legitimamente eleitos pelo povo, reconhecem o dever de exercer o seu mandato de acordo com os interesses e anseios da população. 

Defender e lutar pela vontade da maioria não é favor, é obrigação. Como se não bastasse o sentimento de ódio, repulsa e revolta perante a iniciativa de aumentarem o próprio salário e criarem o décimo terceiro, alguns vereadores comemoraram abertamente em suas redes sociais, numa atitude de profundo desrespeito com a sociedade, a possível liberação de verbas como contrapartida a não concretização de seus planos frustrados. 

Os debates e discussões em torno da participação ou não de partidos políticos nas manifestações de protesto agitaram as redes sociais. O imbróglio surgiu após um determinado partido recolher, em paralelo ao abaixo assinado contra os aumentos dos vereadores, assinaturas contra a reforma da previdência. 

Independente das questões morais, devemos nos pautar nos aspectos legais, e não existe nenhum argumento jurídico que impeça ou desautorize o partido a agir da forma como agiu: fato. O mais importante foram as consequências positivas advindas das mobilizações revelando de onde emana o verdadeiro poder: do povo.

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