25/05/2019 às 15h48min - Atualizada em 25/05/2019 às 15h48min

​Reforma da previdência: Economia de R$ 1 trilhão?

O assunto mais comentado no meio político é a reforma da previdência. Um tema polêmico. Que todo governo tem enfrentar. Foi assim no governo FHC (criou o fator previdenciário), Lula (alterações no cálculo das aposentadorias) e Dilma (fator 95/85).
Quem quiser saber mais detalhes sobre como foram às reformas desses governos, clique aqui.

Com exceção de Temer, todos os governos anteriores fizeram mudanças na previdência. Temer até tentou. Chegou apresentar um projeto de lei de reforma da previdência. Mas devido à aproximação das eleições acabou não indo adiante. Já que muitos políticos pensando na  (re)eleição  não queriam votar. Afinal, sabiam que votar favorável a reforma seria o fim da carreira de muitos deles. Para se sair bem com o povo antes das eleições, muitos criticaram a proposta de Temer. Inclusive Bolsonaro.



Bolsonaro  não foi contra apenas a proposta de Temer. Durante seus 30 anos de parlamento,  é bom a gente lembrar sempre disso, por várias vezes votou contra as reformas apresentadas pelos governos. Não só ele, mas também seus filhos.

Mas agora mudaram o discurso. Já que deixaram de serem pedras e viraram vidraças. E tentam de qualquer forma convencer o povo que tem que aprovar a reforma da previdência. Senão o Brasil vai quebrar.

Visando convencer o povo, além do terrorismo de que o Brasil vai quebrar, eles apelam para os números. Dizendo que essa reforma vai economizar R$ 1 trilhão ao longo de 10 anos.

Quando se fala em economia de R$ 1 trilhão, muita gente acredita que o governo está cortando despesas. Acabando com  privilégios. Com isso, muitos acabam concordo com o governo.

Mas já pararam para analisar como o governo vai economizar R$ 1 trilhão?

Para facilitar o entendimento, vou usar um exemplo. Um trabalhador  começa a trabalhar com 18 anos de idade. Na regra de 35 anos de contribuição, ele teria direito a se aposentar com 53 anos de idade. A partir dessa data teria direito ao benefício. Recebendo mensalmente sua aposentadoria.

O que Bolsonaro está querendo é impedir que essa pessoa se aposente com 53 anos e passe a se aposentar com 65 anos. Trabalhar mais 12 anos. Ao aplicar essa regra, o governo não só economiza deixando de pagar esse benefício para esse trabalhador por 12 anos, como o obriga a continuar contribuindo para a previdência. Conclusão: além de não pagar, o  governo vai receber dessa pessoa por mais 12 anos. Ou seja, ganha 2 vezes.  

O negócio é tão lucrativo, mas tão lucrativo,  que despertou interesse dos bancos. Que querem implantar a capitalização. Onde a pessoa deixa de contribuir para a previdência e passa a contribuir para o banco.

Se o banco quer seu dinheiro, desconfie!

Para facilitar ainda mais, vou dar um exemplo com números. Pegando como referência o salário mínimo.  

18 anos de trabalho + 35 anos de contribuição = 53 anos

A partir dessa data a pessoa teria direito a receber R$ 1.000,00 de aposentadoria.

R$ 1.000 x 13 (12 mês + 1 salário) = R$ 13.000,00 é o que ela receberia por ano.  

Na proposta de Bolsonaro, essa pessoa só teria direito a se aposentar com 65 anos (homem). Ou seja, 12 anos mais tarde.

R$ 13.000 x 12 anos= R$ 156.000,00

R$ 156 mil é o valor que o governo vai “economizar” deixando de pagar esse trabalhador. Na verdade é até mais, já que continuando a trabalhar até os 65 anos, essa pessoa vai contribuir para o governo por mais 12 anos. Com isso, podemos dizer que só esse trabalhador, o governo vai deixar lucrar R$ 200 mil

Como podem ver, não é o governo que está economizando R$ 200 mil. Mas sim esse trabalhador que teria direito a receber esse valor. Ao invés desse dinheiro ficar com ele, como direito, já que por 35 anos contribuiu para a previdência, esse governo vai ficar com o governo. Na verdade, com os bancos. Já que dinheiro não fica parado. Ele é aplicado. Rendendo juros.

Lembrando que esse cálculo foi feito em cima de um salário mínimo. Se for feito em cima de quem ganha mais, esse valor é muito maior. Em alguns casos, ultrapassam os R$ 500 mil.

É dessa forma que o governo vai “economizar” R$ 1 trilhão. Eu não diria economizar, mas sim lucrar. Já que vai ficar com  dinheiro que é  nosso. Meu , seu, dos nossos filhos, netos... somos nós que estamos economizando. Não o governo. Já que o governo está tirando um dinheiro que é nosso e ficando com ele.

O que você prefere: o dinheiro com você ou nas mãos do governo?

Tenho certeza que você prefere ficar com o dinheiro a dar ele para o governo. Logo, deve ser contra essa reforma. Pelo menos na questão da idade mínima. Até porque, quando Dilma criou o fator 95/85 já aumentou o tempo de contribuição.

Pegando o exemplo do trabalhador que começou a contribuir com 18 anos, ele que iria se aposentar com 53 anos, na regra 95/85 esse trabalhador vai se aposentar com 56 anos e meio. Vai contribuir 3 anos e meio a mais.

Caso o governo entenda que a pessoa deva contribuir um pouco mais, já que de fato a expectativa de vida está aumentando,, basta transformar o fator de 95/85 para 100/90. Com isso, essa pessoa vai trabalhar mais 5 anos. 38 anos de serviço.  Aposentando com 58 anos. O que cá pra nós, não é pouca idade. 

Na proposta de Bolsonaro, quem começar com 18 anos vai trabalhar por 47 anos. Quase meio século de trabalho. Nem no período da escravidão as pessoas trabalhavam tanto esse tempo. Vale lembrar que nesse período, o governo criou a Lei do Sexagenário, onde a partir dos 60 anos   a pessoa deixava de ser escrava.

Na escravidão a pessoa trabalhava até os 60 anos. Na proposta de Bolsonaro até os 65 anos. Ou seja, até mais que na escravidão. Assim como muitos escravos não  conseguiam a liberdade aos 60 anos, já que muitos morriam antes, muitos trabalhadores não vão conseguir se aposentar.

Em muitas regiões do Brasil, a expectativa de vida não chega aos 55 anos. Mesmo sabendo disso, o governo que criar a idade mínima de 65 anos. A ideia é fazer o povo só contribuir. Não receber. É dessa forma que vão chegar a R$ 1 trilhão.

Temos 1 trilhão de motivos para sermos contra a idade mínima e pontos dessa reforma. Vamos pra luta companheiro. Pois podemos impedir que fiquem com nosso dinheiro e entreguem para os bancos. 

Aposentadoria é um direito nosso! O dinheiro é nosso!


 
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