21/05/2020 às 11h25min - Atualizada em 21/05/2020 às 11h25min

A MÃE POLIGLOTA – Leopoldina-MG – Anos 1960 –

Edson Gomes Santos
Luiz Heleno Schettini Rodrigues, meu primo em 3º grau (duas de nossas avós, Umbelina e Lenira eram irmãs), era apelidado  Manga.  Porque?  Não sei.

Convivia ele com seus amigos da época, Brazito, Lécio, Candula, Jabuti, Lambada, Babá, dentre outros, e, cada um deles, com suas personalidades em maturação, complementava aquele grupo de jovens.

Brincadeiras, gozações mútuas e outras envolvendo terceiros, eles não perdiam a oportunidade de compartilhar boas risadas e gargalhadas.

Estudante naquela época era sinônimo de “duro”, sem um tusta nos bolsos, daí, às vezes, haver a necessidade de “improvisar” uma ou outra gozação.

Por exemplo, era comum entrarem no bar do Clube Leopoldina dez componentes da tchurma; sentarem-se junto a uma ou duas mesas; juntarem os parcos vinténs que tinham nos bolsos; contarem-nos; e, um deles, com um maroto sorriso nos lábios; sinalizando com uma das mãos; e em alto e bom tom, chama pelo garçom; este achega-se à mesa e anota o “pedido”:

- Garçom, por favor, traga-nos uma Brahma (que, então, era sinônimo de cerveja);bbeeemmm gelada, e ...DEZ COPOS....Pode???  Mas era isso mesmo!!!

Porém com o Manga a “coisa” era diferente, pois ele trabalhava no Posto Imperial; tinha salário mensal; fumava cigarros Minister; podia pagar por tantas cervejas que desejasse, porém, em “respeito” à dureza dos amigos, não os humilhava e “dançava” no mesmo ritmo.

Manga era sério, porém um emérito gozador, daqueles que não perdem a oportunidade de promover mais uma das suas, e, naquele dia, Manga estava inspirado e procurava dentre os amigos qual deles seria sua “vítima” daquele dia.

Olha para um, para outro e fixa-se no Jabuti, naquela época já com quase 1,80 metro, forte, porte atlético, porém com um estopim curtíssimo e sempre pronto para “explodir”.

Com um sorriso nos lábios; maquinando a troça; vai o Manga pro lado do Jabuti; puxa um assunto qualquer; estica a conversa; fala disso e daquilo; comenta sobre família; e, em seguida dispara:

- Jabuti, ouvi dizer que sua mãe é poliglota.  Isso é verdade ou é invenção de línguas maldosas?

Jabuti engole em seco; faz uma pausa; pensa; tamborila a mesa com os dedos; “processa” a pergunta; em ato contínuo, pega o Manga pela gola da camisa e explode:

- Manga, não sei o que é isso de poliglota. Não de encho de porrada aqui e agora por ser seu amigo. Vou lá em casa praver no dicionário.  Se for BESTEIRA, volto e te amasso a cara toda. E, virando-se de costas, Jabuti (presumo) tomou rumo da sua casa.

Se voltou, não sei. Só sei que o resto da tchurma, que sabia o que era poliglota, rolou de tanto rir do curto estopim do Jabuti, cuja explosão fica, doravante, registrada nos anais históricos daqueles meus conterrâneos e contemporâneos.  A eles, minhas SAUDADES.

Edson Gomes Santos – Divinópolis-MG – 12/2017  
 
 
 
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