23/05/2020 às 10h42min - Atualizada em 23/05/2020 às 10h42min

CINE THEATRO ALENCAR – Leopoldina-MG – Anos 1960 –

Elaborando a crônica sobre os Irmãos Salomão, entendi que não poderia deixar de escrever, também, sobre o Cine Alencar, e, àquela época sua Razão Social  era Nogueira & Mello Ltda.: Nogueira, do Dr. Jó Nogueira, e, Mello, agregando a família do patriarca Tusco(?), sua viúva, os filhos Paulo (Paulinho Investigador), Clóvis, Dingo (Harding), além de outros cujos nomes não me recordo.  

A arquitetura externa do prédio era, e ainda o é, imponente, com suas belas colunas e sacadas, e a fachada, adornada no seu ponto mais alto com uma pequena torre onde sobressaia uma pequena janela voltada para a rua. Internamente, plateia, mezanino e galeria (3 pisos).  Um verdadeiro teatro, numa, então próspera, cidade do interior de Minas.

Palco de espetáculos teatrais, cinematográficos, musicais, cantores, atores, etc., foi lá, conforme seu depoimento, que Dercy Gonçalves participou da sua primeira apresentação nos palcos, após fugir da casa dos pais, enamorada, acompanhando um ator de teatro.

E “aquele” show do Roberto Carlos?  Lembro-me de vê-lo entrando, correndo, cinema adentro, roupa escura, sorriso maroto, cabelo solto ...e as fãs, aos gritos, acenos e beijos.  O registro daquela apresentação em Leopoldina está no autógrafo dele, na carteira de estudante da minha querida contemporânea, Ângela do Adávio.

Minha mãe, Jacyra, adorava cinema, teatro, shows de músicos e de cantores, e a todos os espetáculos que ela fosse assistir levava um dos filhos, não apenas como companhia, mas, também, como forma de iniciá-los na apreciação das artes em suas diversas nuances.

Foi com ela que assisti à apresentação, ao vivo, um show monólogo do Oscarito, imortal nome nas artes cênicas brasileiras.  Dentre outros, ele apresentou o diálogo – fazendo as duas vozes - mantido por Romeu e Julieta num dos antigos filmes da Atlântida, sendo ele, Romeu, e, Grande Otelo, Julieta.  (Vale a pena assistir. Recomendo busca no Youtube.)

Como todo cinema daquela época, o Alencar também usava a música como atrativo de  espectadores, e, dos seus alto falantes voltados para a Cotegipe, Nelson Gonçalves, Anísio Silva, Agnaldo Rayol, Aguinaldo Timóteo, Ângela Maria, Carlos Galhardo e outros, cantavam para o público com suas grandes, potentes, românticas e inesquecíveis vozes.

E o porteiro, Viriato?  Que além daquela atividade também era ilustrador/desenhista; era quem elaborava os cartazes de anúncios dos filmes que seriam exibidos, e, era por todos notado que durante seu trabalho de recolher ingressos, pois sempre estava ao seu lado a sua prancha de trabalho, os lápis de cor e os papéis onde ele lançava suas imagens, vindas do mundo das ideias.

Ah! Havia também o Nicotinha, com sua bandeja de doces, balas, chicletes, etc., entremeando as fileiras de poltronas para atender a um pedido de algum espectador.

Creio que foi em 1963 que a tela do cinema foi ampliada para Cinemascope e o filme inaugural foi “As Sete Colinas de Roma, estrelado pelo tenor Mário Lanza.

Antes do início de cada sessão, era “rodado” o prefixo musical: a linda Love Letters.

Luz apagada; silêncio; projetores rodando; filme iniciando; e, nós, espectadores, imersos na Sétima Arte!       Vivendo novas emoções!      Cinema ...a imortal arte do entretenimento!!!

Edson Gomes Santos – Divinópolis - 2019         

(Fotografia gentilmente cedida por Henrique Frade da Cruz)

 
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