29/06/2020 às 22h45min - Atualizada em 29/06/2020 às 22h45min

CAFÉ SABOROSO

Num casebre humilde, onde um antigo cliente de advocacia morava sozinho em seu pequeno imóvel rural, chegamos, eu e meu sempre companheiro Rubinho Coutinho, para pedir votos.

Casa vazia, optamos por gritar “ô de casa” e esperar um pouco.

Logo chegou o Lelé (apelido do Laércio Marquezine) com as mãos mostrando trabalho direto na terra. 

Não quis nos cumprimentar sem antes lavar as mãos numa gamela de madeira, onde havia água aparentemente já usada.  Enxugou as mãos nas laterais da calça e nos abraçou festivamente.

Sem que eu nada falasse, já informou:
 “não carecia ter vindo, meu voto sempre é do senhor”.

E me sugeriu procurar fulano e beltrano nas redondezas.

Em época de campanha, o tempo rende pouco e já íamos saindo quando ele decretou:
não vai fazer desfeita de ir embora sem um cafezinho”.

Na água onde lavara as mãos, ele lavou a caneca feita com lata de azeitona. E da mesma gamela tirou a água, que ferveu para coar o café, que nos serviu em canequinhas esmaltadas, que ele pensou ter lavado quando lhes deu leve “sacudida” dentro da tal água da gamela.

Confesso que, muito “arrepiado”, eu aceitei o café.

E, sem demagogia, falei sinceramente “seu café está tão bom que vou aceitar mais uma canequinha”. 

Setembro.2012

Nelsinho
 
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