10/08/2020 às 10h05min - Atualizada em 10/08/2020 às 10h05min

ADÁLIA CORREIA NETO

Estudávamos no 4º ano do curso primário do Grupo Escolar Dr. Justino Pereira. Nossa querida professora Miriam Costa de Souza Cruz, dona Mirinha, resolveu convocar um profissional para fotografar seus alunos. Haveria apenas uma foto com a turma toda, outra apenas com os alunos e a última apenas com as alunas. Dentre as alunas, havia a Adália Correia Neto, de muitos irmãos, cuja mãe era a dona Zizinha, que fabricava excepcionais caramelos, que seu filho José vendia a preços acessíveis na porta do único cinema em Miraí O pai era o sr. Nonô “Dentista”, que exercia a profissão como prático e gozava de bom conceito.
 
Sob forte expectativa, as fotos, depois de longa espera, chegaram ao “Grupo”. Foi um empurra-empurra para vê-las, na verdade ninguém querendo ver os colegas, mas cada um querendo se localizar e se olhar fixamente. Tudo parecia ter transcorrido normalmente, até que a foto do grupo masculino foi mais bem observada. Onde deveriam aparecer somente os homens, atrás deles, como que em “posição de sentido” para se ouvir o Hino Nacional ou o Hino à Bandeira, lá estava de pé, a pouca distância, “ilustrando” a foto, a Adália.

Não sei quais, mas alguns dos colegas se revoltaram e, mostrando injustificável valentia, quiseram até bater na Adália. Depois de alguns dias de altercações, o ambiente foi serenado e nossa turminha se manteve unida até a cerimônia de “colação de grau” no final do ano no Cinema Brasil.

Ali, eu fui o orador da turma, lendo discurso escrito pelo papai e de seu teor somente me lembro das palavras finais: “Adeus Grupo Escolar Dr. Justino Pereira, adeus dona Mirinha”.  
 
Inolvidável para mim é que saí de casa chorando e li o discurso chorando, levando o escrivão Maneco Falcão a comentar com papai, que também participava da mesa diretora: “Nelson, seu filho está muito emocionado”.

Nunca se tornou público que eu havia chorado porque papai me batera lá em casa, revoltado por eu ter cortado com tesoura a gravata que ele comprara em Juiz de Fora para eu usar na festinha.

A Adália se casou com o “Ulisses da dona Dionísia” e constituiu bem-sucedida família.

Em suas “Bodas de Ouro”, eu fiquei feliz de ter sido convidado, como que representando os colegas de curso primário, para a belíssima comemoração que ocorreu no Clube “Quem Somos Nós”, em Miraí, a que compareci com a Calé.

Em 18.04.2015

Nelsinho.
 
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