26/08/2020 às 18h58min - Atualizada em 26/08/2020 às 18h58min

Igualdade da Mulher

Se a Justiça é representada por uma mulher de olhos vendados, numa atitude passiva, as mulheres reverenciadas neste texto representam melhor o “ideal do justo”.
 
São mulheres de olhos abertos, que lutam: pelos Direitos Humanos em geral e por direitos específicos das mulheres.
 
Abro a enumeração lembrando-me de mulheres que se identificam por um traço comum.
 
Travaram ou ainda travam um combate indormido para ver esclarecidas as circunstâncias em que seus filhos morreram.
 
Fizeram de suas vidas, após a morte do filho, uma vida a serviço da busca da Verdade. 
 
Tudo deixaram para dedicar a esta missão seus dias, suas horas, suas energias, todo o seu ser. 
 
Mulheres sofredoras, de olhos abertos, clamaram e clamam contra a impunidade, os processos mal feitos, as autoridades omissas.
 
Protestam contra a “justiça” que não é Justiça.

No Livro da Sabedoria, um dos mais belos da Bíblia, há uma exaltação às mulheres que lutam, às mulheres que se mostram  incansáveis na busca da Justiça, da Liberdade, do Bem. 

O autor do texto sagrado diz que a formosura dessas mulheres transpõe tudo que possa ser imaginado ou concebido no limite do  sensorial, porque a formosura delas está no âmago da alma.

O texto, que alguns especialistas atribuem a Salomão, chega a dizer que tais mulheres são eternas.

Mulheres admiráveis, presentes em nossa sociedade, são muitas.

Os ventos neoliberais que, infelizmente, sopram pelo Brasil, têm hierarquizado os trabalhadores, servidores e detentores de pensão, por uma escala de mera conveniência financeira.  

Em primeiro lugar, ficam os trabalhadores da ativa, que podem fazer greve, incomodar dirigentes, reduzir lucros. 
 
Em segundo lugar, vêm os aposentados, que alguns administradores mais afoitos chegam a considerar inimigos da Pátria, responsáveis por todos os desequilíbrios orçamentários, esquecidos de que a aposentadoria é um direito de quem já deu seu quinhão de trabalho na construção do mundo.    
 
Em terceiro lugar, vêm as viúvas. 
 
Relativamente a estas, pretende-se dar-lhes tratamento discriminatório, como se não fizessem jus à proteção do Estado, pelo trabalho de seus maridos falecidos.
 
Conquistamos, no Brasil, com muita luta o direito de protestar, de fazer greve, de elogiar os bons governantes e censurar os maus.
 
Nenhum Presidente da República, hoje ou amanhã, terá força para cassar as franquias democráticas conquistadas pela união e pela luta do povo brasileiro.
 
P. S.  – É livre a publicação deste artigo em jornais.
           É livre também a transmissão do texto, de pessoa para pessoa.


João Baptista Herkenhoff
Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor
Email – jbpherkenhoff@gmail.com
 

 
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