09/09/2020 às 10h28min - Atualizada em 09/09/2020 às 10h28min

A SAUDADE MATERNA EMBUTIDA NAS MÚSICAS

A  minha  doce  sensibilidade  musical  teve  origem
Nas  canções  flutuantes  de  um   velho   rádio  de  válvulas
Cativo  e  atuante na  cozinha  de  mamãe  durante  seus  afazeres,
Penetrando  com  muita  harmonia  em  meus  ouvidos,
Baldeando  em  minha  memória  e  ali  se  fixando  com  prazer .
 
Atualmente,  preservo,   com  muita  satisfação  em  minha   alma,  
Um  repertório  de extensas  e  riquíssimas  canções   de  nosso  cancioneiro,
Fazendo-me  vibrar   com  imensa  emoção,  entoando,  em  sublimes  cantos,
As   mensagens  poéticas   acopladas  à  pureza  de  sons  sentimentais 
E  conduzidas  pela   mágica  ressurreição  das  belas  vozes  do  passado,
 
Despertando, em  minha  memória, o  saudoso  acompanhamento  executado
Em  uma  voz   baixinha  de   mamãe  com  olhar  fixo  no  velho  e  milagroso  rádio,
Como  se  estivesse  venerando  as  imagens  de  Carlos  Galhardo,  Chico  Alves,
Silvio  Caldas,  Orlando  Silva,  Gilberto  Alves, Dalva  de  Oliveira, Cartola, Vicente  Celestino,
Nélson  Gonçalves,  Nélson  Cavaquinho, Elizete  Cardoso, Jorge  Veiga, Carmem  Miranda, 
Braguinha, Luiz  Gonzaga, Araci  de  Almeida, as  irmãs Linda  e  Dircinha, Cauby  Peixoto,
 
E  outras  lindas  pérolas  estrangeiras  que  partiam  os  corações  apaixonados
Pelas  cadências  amorosas  de  seus  cantos, como  nos  expressivos  tangos  de    Gardel, 
Os  inesquecíveis  boleros  de  Gregorio   Barrios,  Lucho  Gatica,  Bienvenido  Granda,
E  outros  cantores  de  vários  estilos, como  Ray  Charles, Nat  King  Cole, Frank  Sinatra .
 
Mamãe  era  uma  deusa  acionista  dos  programas  de  auditório   da  Rádio Nacional,
Sempre  atenta  à  espera  da  voz  melodiosa   de  Ângela  Maria, sua  doce  preferida  cantora ,
Vibrando  com  Babalu  ou  Tango  para  Teresa,  ouvindo,  atentamente,  com  sorriso  no  rosto
E  com  a  alma  plena  de  felicidade  , em   desejo  fictício de  penetrar  nas  fendas do  velho  rádio
Para  abraçar, com  ternura,   a  musa  do  canto  estridente  e  cristalino da  magnífica   SAPOTI !
 
São  essas  chamas  vivas  em  minha  memória  que  me  concedem  o  direito  de  ser  feliz,
Encenando,  no  pensamento,  uma  lembrança  simbólica   de  um velho  rádio  no  santuário
De  um  maravilhoso  Templo  onde  se  misturavam, com  prazer,  os  quitutes  de  Dona  Jamille
Com  uma  bela  seleção  musical  temperada  com  suaves  e  lindas  vozes  dos  nossos  intérpretes.
 
E  eu, encostado  no  beiral  da  porta  da  cozinha, admirava  a  alma  de  mamãe  em  festa,
Cena  de  impossível  apagamento, pois  encontra-se  perpetuada    em  minhas  reminiscências!
São  esses  momentos  sublimes  rememorados  que  justificam, com  sutileza,  a  beleza  da  vida,
Quando  amparados,  harmoniosamente,  por  lindas  canções  que  reforçam  na  lembrança
Cenários  ornamentados,  permitindo   reverenciar  quadros  revividos, saudosamente,  na  memória !!  
 
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