20/09/2020 às 10h48min - Atualizada em 20/09/2020 às 10h48min

E agora Leopoldinenses!?

Em ordem alfabética: Breno Coli, Cláudia Conte, Kélvia Raquel, Marcos Paixão, Pedro Augusto e Ricardo Paf Pax (Fotos: Arnaldo Spíndola - Montagem: Luc)
Paulo Lucio Carterinho

Na última quinta-feira (17), ficamos conhecendo os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador.  Disputarão o cargo de vereador  345 candidatos. Sendo de 18 partidos diferentes.  O maior número de candidatos a vereador da história de Leopoldina. Até então, o recorde era da eleição de 2016, onde participaram 288 candidatos, sendo 23 partidos.
 
O curioso é que a eleição desse ano, mesmo tendo 6 partidos a menos que a eleição de 2016, tem um número muito maior de candidatos. Isso mostra a organização  dos partidos nessa eleição. Fato que falarei mais adiante.
 
Para prefeito também um novo  recorde. Disputarão 6 candidatos. Sendo eles: Brenio Coli (PSD)/Jacques Vilela (DEM), Cláudia Conte (PT)/Aristides Vale (PT), Kélvia Raquel (PP)/Thiago Toledo (PP),  Marcos Paixão (REDE)/Ronilson do Ônibus (PCdoB), Pedro Augusto (PL)/Totonho Pimentel (PL) e Ricardo Paf Pax (PSB)/Marco Antônio (Republicanos).
 
Até então, a eleição que teve mais candidatos foi a de 1988. Onde disputaram 4 candidatos: Marcio Freire (PDC),  Antônio Celso Chaves Junqueira (PMDB),  Iolanda Cangussu (PT) e  Dalmo Pires Bastos (PDT).
 
Nas eleições seguintes, tivemos de 2 a 3 candidatos. Em 1992 foram 3: Zé Roberto (PSC), Pachá(PDS)  e  Jose Ribeiro Farage (Zé Turquinho). Em 1996 foram 3: Marcio Freire (PFL), Jose Newton  (PMDB)  e  Terezinha (PPS).  Em 2000 apenas 2:  Zé Roberto (PSC)  e José Newton (PMDB). Em 2004 foram 3: Zé Roberto (PSC),  Bené Guedes( PSDB)  e Iolanda Cangussu (PT).  Em 2008 foram 3: Bené Guedes (PSDB) , Jose Newton (PMDB) e Marcinho Pimentel (PP). Em 2012 foram 3: Zé Roberto (PSC), Marcinho Pimentel (PP) e Roberto Bretas (PRTB). Em 2016 apenas 2: Zé Roberto (PSC) e Brenio Coli (PSD).
 
Como explicar 6 candidatos nessa eleição? Eu destaco quatro pontos. Primeiro a ausência do prefeito Zé Roberto na disputa. Como todos sabem, é difícil ganhar do homem. Nunca perdeu uma eleição. Ganhou as cinco que disputou. É o prefeito que mais ganhou eleição.  Quando ele vem candidato é natural que a oposição  se una. De modo a tentar ganhar dele. Mesmo assim não consegue. Quando ele não vem, é comum termos mais candidatos.
 
Além da ausência do Zé Roberto, destaco também a ausência de Marcinho Pimentel, que faleceu em 2017. Marcinho, na minha opinião, seria o futuro prefeito de Leopoldina. Inclusive, com grandes chances de ter meu voto. Era uma pessoa fantástica. Carismático.  Político nato. Dialogava  com todas as forças políticas. Já esteve do lado do  Bené (2004), PT (2012) e Zé Roberto (2016). Se tivesse vivo, seria candidato com certeza. E  duvido muito se teria mais que 3 candidatos.
 
Chamo atenção também para a questão do Fundo Partidário. Muita gente critica.  Alguns até defendem seu fim. Mas ele é super importante para nossa democracia. Afinal, torna a eleição mais democrática. Ao garantir recursos para os partidos, o fundo eleitoral permite que os partidos se organizem. Permite também que candidatos sem recursos financeiros possam  disputar. Já que terá dinheiro para gastar na campanha. Sem precisar tirar do seu bolso.  Dessa forma, é uma tendência teremos mais candidatos daqui pra frente, devido ao fundo partidário. O que é bom para a cidade. Afinal, temos mais opções, ideias, projetos, debates....
 
Outro ponto importante são as novas regras eleitorais. Com destaque para o fim das coligações para vereador. O que obrigou os partidos a se organizarem. No passado, era comum os partidos terem poucos candidatos e mesmo assim conseguirem concorrer. Cito como exemplo a eleição de 2016, onde o partido REDE teve apenas um candidato a vereador, que foi o Roberto Dentista.  O REDE coligou com outros partidos e com isso mesmo tendo um candidato conseguiu disputar.  O PDT foi além, mesmo tendo apenas três candidatos: Rolsavo, Patrícia e Jose Maria Cabral; conseguiu eleger um vereador.  Na época o PDT coligou com o PT que tinha 22 candidatos. Essa coligação elegeu  um vereador. No caso Rosalvo, o mais votado da coligação.
 
Com o fim das coligações para vereador, os partidos tiveram que se organizar. Tendo que ter um bom número de candidatos.  De modo conseguir atingir o cociente eleitoral e assim garantir pelo menos uma vaga na Câmara. Esse ano a disputa está interessante. Como disse anteriormente, são 18 partidos disputando 15 vagas. Ou seja, três partidos automaticamente não farão vereador.
 
Os partidos estando organizados é natural que  passem a pensar  além da disputa do Legislativo. Passando a pensar também na disputa do Executivo. Isso explica o que levou a termos 6 candidatos a prefeito. Se tenho um grupo, porque não concorrer também a prefeito?
 
Eu sabia que essa eleição seria diferente. Teria um número maior de candidatos  que as eleições anteriores. Agora  fiquei surpreso com essa quantidade.  Dos 9 pré-candidatos, apenas 3 desistiram: Godelo, Marco Antônio e Rodrigo. Desses 9, apenas Godelo e Rodrigo ficarão de fora da disputa majoritária. Já que Marco Antônio concorrerá a vice.
 
Falando em vice, fiquei surpreso com alguns nomes e  coligações. Apenas dois partidos tiveram chapa puro sangue: PT - Cláudia Conte/Aristides Vale  e PL - Pedro Augusto/ Totonho Pimentel. Isso ocorreu devido esses partidos não terem conseguido partido para coligar.  Com isso tiveram que lançar prefeito e vice do mesmo partido. Era óbvio que o PL saísse com chapa puro sangue, o vice de Pedro Augusto seria Totonho Pimentel. Afinal, é o nome mais forte do partido. Totonho Pimentel é o  vereador que mais foi  eleito na história de Leopoldina desde a redemocratização.  Sendo 7 vezes. Do lado do PT, surpresa geral. O partido  têm muitas lideranças que estão em destaque, mas preferiu resgatar uma liderança do passado. No caso, o ex-vereador Aristides Vale, eleito em 2000. Ou seja, há 16 anos Aristides estava fora da política. Como diz um ditado: “Cavalo dado não se olhe o dente”
 
O PP da Kélvia também saiu com chapa puro sangue, porém conseguiu coligar com outros três partidos: PSC, PSL e PSDB. Kélvia terá como vice o professor Thiago Toledo. Essa foi pra mim a maior surpresa dessa eleição. Thiago é um amigo de longa data. Fizemos parte do PCdoB de Cataguases, pelo qual Thiago  concorreu a vereador em 2008.  Teve 224 votos. Não foi eleito. Saiu de Cataguases e veio para Leopoldina. Onde concorreria ao cargo de vereador. As coisas mudaram de rumo e ele acabou se tornando candidato a vice-prefeito. Quem diria, de Cataguases para Leopoldina, do PCdoB para o PP, da esquerda para direita, de vereador a vice-prefeito.

O REDE do Marcos Paixão conseguiu uma coligação aos 45 do segundo tempo. Fechou com o PCdoB. Essa coligação foi a que mais me  surpreendeu. Eu jurava que o PCdoB coligaria com o PT,  tendo em vista  que são do mesmo campo político, da esquerda. Inclusive, a maioria dos membros do partido defendeu a construção de uma chapa de esquerda. Mas por fim a direção do partido  tomou  a decisão por conta própria. Contrariando muitos do partido, optaram em fazer dobradinha com Marcos Paixão. Para o PCdoB, o vermelho é a cor da paixão.
 
O PSB do Ricardo  coligou com Republicanos, PV, PTB e MDB. Tendo como vice Doutor Marco Antônio. Essa coligação foi a que menos me impressionou. Afinal, esses partidos estavam juntos há muito tempo. A princípio com três candidatos a prefeito: Ricardo, Marco Antônio e Rodrigo. Onde existia um acordo entre eles, onde a definição da chapa seria de acordo com as pesquisas que o grupo iria fazer. Em pesquisas encomendadas pelo grupo,o nome de Marco Antônio  chegou a estar na frente. Mas perdeu força. Como Ricardo se saiu melhor nas pesquisas, até devido ter lançado sua pré-candidatura há muito mais tempo, está num partido mais forte e organizado, tendo apoio de deputados, acabou sendo ele o candidato do grupo. Marco Antônio mais uma vez concorrerá a vice. O eterno vice. Mesmo vivendo um dos melhores momentos políticos. Devido a pandemia, ele por ser médico acabou ficando em evidência. Fazendo vídeos, dando entrevista, participando de debates... Mas que não foram suficientes para crescer nas pesquisas. A respeito do  Rodrigo Pimentel, concorrerá a vereador.
 
No grupo do Brenio (PSD, DEM, PDT, Avante e Podemos) também não foi surpresa a escolha pelo Jacques Vilela. No grupo havia três nomes que se destacavam, os três vereadores: Jacques, Waldair Costa e Pastor Darcy. Caso não fosse possível coligar com partidos de fora do grupo, um desses seria candidato. Jacques Vilela levava uma vantagem, devido ter concorrido a deputado estadual na eleição de 2018, ficando  em evidência Logo, seu nome foi ganhando força dentro do grupo político do Brenio. 

Definidos os candidatos a prefeito e vice, agora é começar a campanha. E que campanha!  6 candidatos a prefeito e 6 vice, ou seja, 12 nomes. A  eleição  ficou muito  interessante. O eleitor dessa vez não pode reclamar de falta de opção. Tem até demais.  Duvido muito que essa eleição tenha um número elevado de votos nulos ou em branco.  Afinal, temos candidatos de todos os campos políticos: esquerda, direita, centro-esquerda e centro-direita. Temos católicos, evangélicos, espíritas e maçons. Jovens e velhos. Homens e mulheres, dessa vez duas. Conservadores e Liberais. Empresários e trabalhadores... Pra tudo que é gosto e credo. 

Fica a dúvida se essa quantidade de candidatos tornará a eleição mais aberta ou vai prevalecer a lógica da polarização. Muitos acreditam que os votos serão divididos, com isso, possivelmente o eleito terá menos de 10 mil votos. Alguns falam em 8 a 7 mil votos. 

Eu sinceramente acredito que vai polarizar. É uma característica da eleição acontecer isso. Afinal, todos sabem que apenas um será eleito. Não existe empate.  Dessa forma, costuma ocorrer o voto útil. Voto onde o eleitor que não quer jogar seu “voto fora”, deixa de votar em quem ele sabe que não tem chance e resolve votar em quem tem  chance. Muitas das vezes, acabando votando muito mais por não querer que um candidato específico ganhe. 

Cito com exemplo a eleição de 2016 em Cataguases. Disputaram a eleição cinco candidatos. O primeiro lugar, Wilian Lobo, teve 16.798 votos (41,82%) O segundo lugar, 16.105 votos (40,10%). O terceiro lugar apenas 4.182 votos (10,41%). A diferença do segundo para o terceiro foi de quase 12 mil votos. Muito grande. Comparando com o  último então nem se fala. Esse obteve apenas 194 votos (0,48%). Isso ocorreu devido a polarização. O eleitor sabia quem estava melhor, quais de fato estavam disputando,  então passou a usar o voto útil. 

Será que a eleição de Leopoldina desse ano  será aberta ou polarizada? Se for polarizada, quem serão os dois que estarão  disputando? A pergunta que não quer calar: E agora Leopoldinenses!? 

 
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