04/10/2020 às 08h52min - Atualizada em 04/10/2020 às 08h52min

158 – Pioneiros de Leopoldina – Fazendas na área do atual distrito da Cidade

Nesta série de textos sobre os Pioneiros de Leopoldina, o Trem de História vem carregando seus vagões com o que conseguiu apurar sobre as mais antigas propriedades do município. Depois de abordar os antecedentes da ocupação do território, falar um pouco sobre as sesmarias, as unidades de medida e os instrumentos de demarcação das propriedades, foram trazidas informações sobre uma fazenda pouco conhecida, a Santana do Rio Pomba [S], em cujas terras foi construída a estação Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina, inaugurada em 1877. Estação que foi um marco importante na história de Leopoldina, já que o transporte ferroviário sustentou a economia e o desenvolvimento social do município por um longo período.



A partir de agora o espaço será preenchido por outras fazendas constituídas nos primeiros anos da ocupação da área do atual distrito da Cidade.

A análise das fontes documentais sobre as propriedades dos primeiros entrantes demonstrou que o pioneiro Joaquim Ferreira Brito se estabeleceu nas cachoeiras do Ribeirão do Feijão Cru [C]; Manoel Antônio de Almeida ficou com as terras margeadas pelo Feijão Cru Pequeno [FC];João Gonçalves Neto [R] e João Gualberto Ferreira Brito [F]se tornaram vizinhos no terço inicial do Ribeirão Jacareacanga;Antônio Rodrigues Gomes [AV] ocupou terras banhadas pelo Córrego do Moinho e seu irmão Bento Rodrigues Gomes [CB]formou fazenda um pouco mais ao norte.

O esquema a seguir mostra a posição destas fazendas em relação aos cursos d’água mencionados.
 
Interessante observar as ligações de parentesco entre os seis pioneiros citados:

- Joaquim Ferreira Brito, formador da fazenda Cachoeira [C], era pai de João Gualberto Ferreira Brito [F] e sogro de Bento Rodrigues Gomes [CB]; e,
- Manoel Antônio de Almeida, fazenda Feijão Cru [FC], era sogro de João Gonçalves Neto [R], de João Gualberto [F] e de Antônio Rodrigues Gomes [AV].

Vale recordar que o estudo “200 anos do Registro Civil do Feijão Cru”[1], publicado em 2017, abordou as duas sesmarias doadas aos irmãos Fernando e Jerônimo Corrêa de Lacerda em 1817. Um sobrinho deles, Francisco Pinheiro Correia de Lacerda, teria sido encarregado de vendê-las, o que se confirma no Registro de Terras do Feijão Cru[2]. Tais vendas teriam ocorrido a partir de abril de 1829, data da compra declarada por Antônio Rodrigues Gomes[3] e mesmo ano apontado por Francisco de Paula Ferreira de Rezende como sendo o da chegada de Manoel Antônio de Almeida. Segundo o memorialista, o “comendador” Manoel Antônio de Almeida chegou por aqui[4]em setembro de 1829 “com a família e alguns parentes”.

Importante destacar que a soma da área das propriedades acima indicada será bem maior do que as duas sesmarias, o que se justifica pelo fato de que os pioneiros compraram terras de vários ocupantes, nem todos sesmeiros, como ficará demonstrado nos próximos textos desta série.

Mas esta carga ficará para a próxima viagem do Trem de História. Até lá!
 
Fontes consultadas:
 
[1] MACHADO, Luja e CANTONI, Nilza. 200 anos do Registro Civil do Feijão Cru. Monografia. Disponível em out 2017
[2]Registro de Terras de Leopoldina (Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114)
[3]idem, nr 37.
[4]REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1987. p. 392
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