04/10/2020 às 13h02min - Atualizada em 04/10/2020 às 13h01min

Renovação no Legislativo!?

Paulo Lucio Carteirinho
Fotomontagem: Luciano Baía Meneghite
A disputa para vereador está boa. Como disse anteriormente, essa eleição bateu o recorde de número de candidatos. Irão disputar as 15 vagas na Câmara 324 candidatos.  
 
Dos  15 vereadores atuais, 11 vão  concorrer  a reeleição. Apenas quatro não irão concorrer: Kélvia Raquel,  Jacques Vilela, Antônio Carlos Pimentel - Totonho Pimentel e Jurandy Fófano - Didi de Piacatuba.  A vereadora Kélvia  vai  concorrer ao cargo de prefeita. Os vereadores Jacques Vilela e Totonho Pimentel concorrem a vice-prefeito. Jacques ao lado de Brenio Coli e Totonho ao lado de Pedro Augusto. O vereador Didi de Piacatuba abriu mão de sua candidatura tendo em vista que seu irmão irá concorrer.
 
Com 4 vereadores fora da dispusta, já está garantindo 26% de “renovação” na próxima legislatura. Número que pode  aumentar caso outros dos atuais vereadores não sejam reeleitos.
 
Coloquei “renovação” entre aspas,  pois temos nessa eleição alguns  ex-vereadores concorrendo. Senão me engano 9 ex-vereadores vão concorrer. Tem até candidato que já foi vereador em outra cidade.  Contando com os 11 atuais vereadores,  dos 324 candidatos, 20 candidatos já estiveram na Câmara. O que representa 6%. Ou seja, 94% dos candidatos nunca foram eleitos. Número altíssimo.

A disputa nesse ano está muito difícil. Pode ser que alguns dos  ex-vereadores voltem a ocupar o cargo no legislativo  novamente. Isso é muito comum na política de Leopoldina. Temos vários casos.  Cito como exemplo Darcy Resende. Em 1992  foi eleito vereador. Em  1996  ficou de fora da disputa do Legislativo, tendo em vista que concorreu e ganhou para  vice-prefeito ao lado de Márcio Freire. Na eleição de 2000, novamente concorreu ao cargo de vereador e ganhou.

O mesmo aconteceu com Brenio Coli.  Foi eleito vereador pela primeira vez em 1988. Teve quatro mandatos consecutivos. Em 2004 largou o Legislativo pelo Executivo, se tornou  vice-prefeito ao lado de Zé Roberto. Na eleição de 2008 retornou novamente a Câmara, sendo eleito vereador. Em 2012 voltou para o executivo, sendo novamente eleito vice-prefeito ao lado de Zé Roberto.

Darcy e Brenio deixaram de concorrer ao cargo de  vereador para se tornarem  vice-prefeitos. Mas temos casos onde vereadores não disputaram ou perderam a reeleição mas que voltaram para a Câmara em outras eleições seguintes.

É o caso de Totonho Pimentel, que chegou a ser vereador por 3 mandatos consecutivos (1988 a 2000). Ficou de fora da eleição de 2000, mas retornou em 2004. Ganhou a eleição desse ano, foi reeleito em 2008, 2012 e 2016. Está no seu sétimo mandato.

Além de Totonho Pimentel, temos outros exemplos de vereadores que conseguiram retornar a Câmara após perderem algumas eleições. Sendo eles: Alfredo Mendes do Vale, Daniel Paixão, Flavio Lima Neto, Jose  Ferraz, Mario Heleno, Otávio Arantes, Roque Schetino...

Destaco para o retorno do vereador  Flávio Lima Neto. Eleito em 2008, não conseguiu ser reeleito em 2012. Disputou a eleição de 2016 e ficou de fora novamente, mas acabou voltando a ser vereador mesmo tendo perdido a eleição. Tendo  em vista a morte do vereador Rosalvo em 2017. Como Flávio era seu  suplente, assumiu o mandato no lugar de Rosalvo.

E na eleição desse ano, teremos vereadores reeleitos? Ex-vereadores sendo eleitos? Como disse anteriormente, 11 vereadores atuais  e 9 ex-vereadores vão disputar. Ou seja, 20 candidatos já passaram pela Câmara. O que representam 6%, contra 94% de novos. Os 11 que disputam a reeleição representam 3% das candidaturas, contra 97%.
 
Poucos vereadores conseguiram ser reeleitos consecutivamente. Senão me engano 19: Alfredo Mendes do Vale, Antônio Carlos Martins Pimentel, Antônio Rodrigues Cesar, Breno Coli, Cícero Rodrigues da Silva, Darci Portela, Edvaldo Franquido Donato do Vale, Hélio Batista Braga de Castro, Iolanda Maria Gangussu André, Ivan Nogueira, Kelvia Raquel, Jaques Vilela, Jose Dimas de Souza, Lucio Fonseca Cesar, Mario Heleno Lopes de Almeida, Nelson Vieira Filho, Romero Nogueira, Roque Macário Braz Schetino e Waldair Costa.

Apesar de alguns  vereadores conseguirem ser reeleitos ou retornar em outras eleições, Leopoldina tem como característica renovação no Legislativo. Dos 110 vereadores que foram eleitos desde a redemocratização, apenas 26 conseguiram ganhar novamente. O que representa 23%. Ou seja, tivemos no Legislativo 77% de renovação ao longo desse tempo. 
 
A maior renovação da história de Leopoldina ocorreu em  1988. Primeira eleição após a redemocratização.  Dos 15 vereadores da legislatura anterior, apenas 2 foram  reeleitos: Antônio Rodrigues César e  Mario Heleno Lopes de Almeida. Nessa eleição o número de renovação foi de 86%.

Um dos motivos para tamanha renovação foi à mudança do modelo político. Fim da ditadura militar. O que permitiu que mais pessoas pudessem participar. É bom lembrar que no período ditatorial em alguns lugares sequer tivemos eleições. Não sei se foi o caso de Leopoldina. Inclusive, tenho curiosidade de saber como foi à ditadura por aqui. Tema para futuras pesquisas e textos.

Não sei como a ditadura agiu em Leopoldina, mas em muitos lugares tivemos intervenções. Atos Institucionais (AI) que permitiam aos militares fechar  o Congresso Nacional, cassar  mandatos de políticos contra o regime,  nomear:  prefeitos, governadores, deputados, senadores e vereadores;  colocar  partidos na ilegalidade...

Sobre os partidos, tivemos um período onde apenas dois partidos podiam participar: ARENA e o MDB. O que limitava a participação de pessoas. Para ter ideia, na eleição deste ano 17 partidos irão participar. O que explica termos 324 candidatos. Se fossem apenas dois partidos, a gente teria muito menos candidatos.

Participar da política na  época da ditadura  não era nada fácil. Ainda mais para  quem era contra o regime. Muitos  sofreram perseguições. Foram  demitidos dos seus empregos, presos, torturados, exilados e até mesmo mortos. Isso afastava as pessoas da política.
 
Com o fim da ditadura militar e  retorno da democracia, as pessoas voltaram a participar da política novamente. Ao ponto de hoje termos 324 candidatos. Algo que para muitos é piada, mas para mim mostra o quanto evoluímos democraticamente.

Ao ponto de qualquer pessoa, maior de 18 anos e que seja ficha limpa, possa ser candidato, pelo partido que quiser. Quem faz piada hoje, desconhece ou esqueceu como era no passado, onde poucos podiam participar, até mesmo votar. Tivemos um período onde sequer as pessoas podiam votar.

Ao invés de fazer piadas com alguns candidatos, deveríamos  parabenizar aqueles que colocaram seus nomes a disposição. Cabe a gente escolher qual nos agrada, deixando de lado os que não nos agrada. Respeitando todas as candidaturas.

Com mais gente participando da política é normal termos mais renovações.  Citei a eleição de  1988  onde tivemos 86% de renovação, mas tivemos nas eleições seguintes números elevados de renovação. Em 1992 e 1996, dos 15 vereadores apenas 5 foram reeleitos, o que representa 66% de renovação. Em 2000,  dos 15 vereadores apenas 4 foram reeleitos, 73% de renovação. Em 2004 e 2008, dos 10 vereadores apenas 2 foram reeleitos, 80% de renovação. Em 2012, dos 10 vereadores 4 foram reeleitos, 73%, tendo em vista que o número de vereadores nessa eleição passou de 10 para 15.

A última eleição, 2016,  foi a que tivemos o menor número de renovação. Dos 15 eleitos, 7 foram reeleitos. Ou seja, 47%. Apenas 53% de renovação. Deixo registrado que esse cálculo é feito comparando com a legislatura anterior.

Como será a eleição de 2020? Quantos vereadores serão reeleitos? Quanto ex-vereadores voltarão para a Câmara? Respostas que só saberemos no dia 15 de Novembro.

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