02/11/2020 às 18h03min - Atualizada em 02/11/2020 às 18h03min

A TELEVISÃO ESTÁ CHEGANDO!!! – Leopoldina-MG – Anos 1950 –

Hoje temos televisão até no celular porém, naqueles anos de 1950, somente conhecíamos aparelhos de televisão através dos filmes no cinema, quando a ação se passava num cenário residencial... de famílias ricas.

Certa feita Harry, filho do radiotécnico José Silva, conversava com alguns coleguinhas relatando que “na casa dele já tinha televisão, mas a imagem não era muito boa” e um daqueles coleguinhas era eu que, assim como todos os demais, ficamos curiosos para assistir “à tal televisão”, ao que Harry nos instruiu sobre como proceder:

- Meu pai, o “seu” Zé Brando, o “Zé” Biliza, o Jacy Ribeiro e outros ligam o aparelho todas as noites, na laje do terraço do prédio onde moro e quem quiser ver, é só ir até lá.

Peço aos meus pais para ir até lá naquela mesma noite; eles autorizam; saí de casa; ando pela Rua Cotegipe, subo Rua Santa Filomena, chego à mureta do terraço do prédio onde o Harry residia e, dali, esticando-me para alcançar a altura da mureta, vejo um grupo de pessoas de costas, como se fora uma parede, com suas atenções voltadas para algo que eu não via.

Harry me vê; abre o portão; convida-me a entrar no terraço; entro e espero uma oportunidade de assistir pela primeira vez e ao vivo a uma transmissão de televisão; não mais do que cinco minutos de espera, um dos componentes do grupo de técnicos fala para os demais: Sintonizado!!! Levantem e vejam a nitidez da imagem!!!  Ótimo!!!

Curioso e ansioso, não resisti e entrei no meio do grupo de técnicos para ver a “tal nítida imagem ”:Era uma cena de um seriado de capa e espada daquela época, denominado Falcão Negro, e a imagem, em preto e branco, aparecia nítida na tela, porém em meio a chuviscos.

Foi a primeira vez em que vi, ao vivo, um aparelho de tv e a imagem transmitida através dele.

Implantada a torre de recepção/repetição do sinal de tv captado no Morro do Cruzeiro, começaram a ser comercializados os televisores; seus preços eram elevadíssimos; somente pessoas de po$$e$ os adquiriam e, como forma de estimular a boa vizinhança, muitos daqueles que possuíam tv em casa franqueavam aos vizinhos assistirem a programas em suas residências, criando um neologismo: o televizinho.

No dia sete de setembro de 1972 o Governo Federal comemoraria o Sesquicentenário da Independência do Brasil; para marcar tal data, naquele ano foi inaugurada a transmissão de tv em cores; em Leopoldina, ao que me consta, a primeira recepção do sinal de tv em cores foi patrocinado pela Serraria São José - que àquela época também comercializava eletrodomésticos – através da instalação de um aparelho de tv numa plataforma sobre um mastro fincado na lateral da loja e voltado para a Praça da Estação; lançou propaganda sobre  o evento e, na hora prevista, fiat lux, aliás, fiat tv em cores. Porém, como ocorrera outrora, os aparelhos em cores custavam“os olhos da cara”: Um fusca custava cerca de 12.000 cruzeiros(?); um aparelho em cores, cerca de 8.000; e, ao que me consta, um dos primeiros aparelhos comercializados foi adquirido pelo Sr. Pedro Perry, casado com Dª Cacilda Gesualdi, pais da Aparecida Perry.

Àqueles visionários, progressistas, persistentes e vitoriosos pioneiros na recepção de tv em Leopoldina, que dedicavam – gratuitamente – seus tempos noturnos às experiências, nós, leopoldinenses, lhes devemos nossos AGRADECIMENTOS.

Assisti.    Gostei.    Aqui “gravei”.

Edson Gomes Santos, 25/07/2020  


Primeiras imagens de TV captadas em Leopoldina em registros fotográficos de Jacy Ribeiro gentilmente cedidos ao jornal Leopoldinense

                  
 
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