12/11/2020 às 10h46min - Atualizada em 12/11/2020 às 10h46min

CARTA AO PREFEITO ELEITO

Senhor (a) futuro (a) prefeito (a), escrevo-lhe antes do dia das eleições.

Muito antes até de sua candidatura, eu já sabia a quem caberia a vitória. Mesmo longe das ruas por causa da assassina pandemia, eu, em conversas informais, ouvindo coincidentes e divergentes palpites de toda a espécie, me limitava dizer: “eu sei quem vai ganhar; vai ganhar quem tiver mais votos”. Espero que governe para todos, até mesmo para seus adversários de campanha.  Dou-lhe os parabéns pela vitória.

Conheço, por experiência própria, os bastidores políticos. Faço votos que não se esqueça de avaliar tudo que o levou à vitória, não seja um verme pusilânime sem pulso, sem palavra, que ganhou porque em sua palavra se acreditou.

Muitas restrições se fazem ao Sr. Darcy Resende, mas até hoje eu o admiro como administrador porque, quando estava como prefeito, dava ordens somente por escrito e sempre em três vias, guardando consigo uma delas para cobrar o cumprimento no prazo que fixara. Jamais deu uma ordem apenas por dar.

Ao escolher seu secretariado, pense uma, dez, um milhão de vezes que Leopoldina precisa de um choque de ordem para melhorar a vida de seus habitantes e dos que por aqui transitam. Há, atual e infelizmente, uma desordem total e não se pode ficar querendo tapar o sol com a peneira.

Ao escolher quem será titular da Secretaria de Meio Ambiente, não o faça na cota de conchavos políticos.  Ponha quem possa estar moralmente comprometido em ajudar na espinhosa tarefa de governar uma Leopoldina decadente. Ponha quem tenha perspicácia acima da média e uma disposição invulgar para tirar do marasmo muita coisa. Ponha quem tenha – ou que se pense ter - consciência de sua responsabilidade, sabendo que meio ambiente não é apenas árvores ou “o verde”.

Há coisas fáceis para melhorar o meio ambiente. Dite as prioridades e então dê autonomia e recursos humanos e materiais para quem estiver à frente da Secretaria de Meio Ambiente. Cobre-lhe resultados. Leopoldina precisa, Leopoldina agradecerá entusiasticamente.

Se não foi revogada, está na Constituição Municipal a obrigação de serem identificadas praças, ruas, becos, vilas. Quanta dificuldade para se chegar ao endereço pretendido, principalmente para o forasteiro. Que tal apenas se cumprir a lei? Seria sonhar demais ver a Secretaria de Meio Ambiente comandar um choque constante de limpeza na parte física da cidade? Que tal se criarem normas bem redigidas para fazer com que materiais de construção só fiquem na rua e nas calçadas o tempo suficiente para serem depositados no interior das obras? Que tal se criarem condições de o Município se tornar automaticamente proprietário de sobras de material que estejam abandonados nas cercanias de obras prontas, em andamento ou mesmo inacabadas?

Que tal se exigir que faixas e avisos, imediatamente após a data do evento que anunciaram, sejam retiradas para não mais poluírem visualmente o ambiente?

E o trânsito-tartaruga, que loucura!; que desgaste físico e emocional provoca em todos, além de poluir notoriamente o ambiente, fazendo mal imenso à saúde da população.

Enquanto não se instalar o estacionamento pago em nossos logradouros públicos, a vida de quem precisa se locomover de moto ou carro e estacionar com segurança continuará o inferno atual. Pelo menos como fizeram em Lavras e em Visconde do Rio Branco, com eficácia ímpar, se poderia fazer aqui.      
       
É urgente que haja uma ação, ainda que repressiva, para que todos os taxistas e não apenas uma parcela deles, dirijam nas vias urbanas sem a velocidade excessiva que muitos, sem temor de acidentes, imprimem atualmente a seus veículos.  

É preciso que, inicialmente em campanha educativa e em seguida com ação repressiva, aos ciclistas chegue a informação de que, por lei, bicicletas em movimento são veículos sujeitos às mesmas regras dos automotores, não podendo transitar na contramão da direção ou sobre calçadas.

A velocidade em que transitam os motoqueiros (não os motociclistas) é afrontosa e altamente perigosa. Se os “atletas sobre duas rodas”, quando vistos   “voando”, fossem abordados (mesmo seguidos até seus destinos) e chamados a assumir compromisso escrito perante quem pode assim exigir, certamente o abuso iria diminuir até desaparecer.

Poder-se-ia dizer que a Secretaria de Meio Ambiente nada tem a fazer, pois o assunto é com a polícia. Estou informado de que a lei prevê assinatura de convênio entre o Município e a PMMG para fiscalização do trânsito, isto é, o trânsito no âmbito do município compete ao próprio município, que o pode delegar à PMMG mediante convênio.

Ora, basta colocar em execução um convênio para que um entrosamento surja e se consiga com eficácia fazer com que todos parem de abusar da velocidade em nossas vias urbanas, para fazer com que as leis de trânsito sejam respeitadas.

Não há quem dê jeito no excesso de cães vadios. E nem quem impeça que cães, principalmente os não vadios, defequem até nas calçadas, à vista de quem lhes é dono, e estes não recolhem a sujeira. Há lei municipal que determina que cão na rua tem que portar focinheira. Por que não é colocada em prática?

Não há quem dê jeito no excesso de lixo jogado nos cantos das calçadas e das ruas, duplicando o serviço dos aplicados garis.

Não há quem dê jeito nos semáforos que se deterioram e não recebem manutenção, apesar de a Prefeitura ter técnico capaz de mantê-los funcionando se lhe for fornecido o material necessário.

Não há quem dê jeito em muita coisa, bastando a qualquer um observar atentamente para verificar quanta coisa está com jeito de não tomar jeito em nossa Leopoldina.

Não há quem dê jeito no excesso de miquinhos e maritacas. O IBAMA (ou alguém, ou algum órgão) deveria ser acionado para inibir, com atitudes severas, a proliferação de maritacas, destruindo-lhes sistematicamente os ninhos.

Ah, tão belas, dizem uns, sem pensar que elas derrubam ainda verdes os frutos que poderiam alimentar muita gente. Dever-se-ia castrar os micos, embargando o crescimento de sua população, porque eles comem sem piedade os ovos de aves queridas, matam-lhes nos ninhos os filhotes e às vezes até seus pais, quando estes tentam proteger a prole.

Sonho que alguma ação da Secretaria de Meio Ambiente consiga exterminar definitivamente 100% dos focos desta “nojeira de pernilongos” que ano após ano inferniza nossos lares.

Se as calçadas forem devolvidas aos pedestres, haverá reclamações de um bom percentual dos “invasores de espaço público”, muitos deles formadores de opinião. Se se fizer contagem, ver-se-á que os prejudicados são em número bem maior dos que aqueles que levam vantagem invadindo os espaços públicos.

Um entendimento com o Ministério Público e com os clubes de serviço ativos seria de imensa valia para melhorar nossa vida ambiental.

Se se criar um SAC e procurar se inteirar dele diariamente, talvez se melhore muito o meio ambiente de nosso município.

Mãos à obra, Sr(a) Prefeito (a), o povo mostrou que confia em sua administração!

Em 08.11.2020

Nelsinho.  
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