24/11/2020 às 07h19min - Atualizada em 24/11/2020 às 07h15min

Racismo no Brasil!?

O assunto mais comentado atualmente é  a morte de João Alberto Freitas, Beto Freitas, morto brutalmente por seguranças do mercado Carrefour – Porto Alegre/RS.
 
O caso ganhou notoriedade por vários motivos. Primeiro pela brutalidade que foi.  Beto Freitas foi espancado até a morte.  Segundo pelo fato de Beto Freitas ser negro e o caso  ter ocorrido no Dia da Consciência Negra. Terceiro, pelo fato da agressão ter sido filmada e o vídeo viralizou nas redes sociais chamando atenção não só do Brasil, mas do mundo.
 
Esse caso trouxe pro debate a questão do racismo no Brasil, onde como sempre alguns tentam esconder. Inclusive, vários tentaram não ligar a morte de Beto Freitas ao racismo. Dizendo que sua morte não tinha nada a ver com a sua cor.
 
Os negacionistas de plantão insistem em dizer que no Brasil não tem racismo, feminicídio, homofobia, não teve ditadura militar, não existe desmatamento, a escravidão foi branda e  que não estamos vivendo uma pandemia.
 
Essa gente adora tampar o sol com a peneira. Achando que ao negar os fatos vai  conseguir melhorar a imagem do Brasil aqui dentro e lá fora. Acontece que esse negacionismo só piora as coisas. Torna cada vez mais visível nosso atraso.
 
Em relação ao racismo, muitos insistem na tese de que o Brasil é o país mais miscigenado do mundo e que com isso não existe o racismo por aqui. Porém, na prática não é isso que a gente vê. O caso Beto Freitas mostrou isso.
 
Não tenho a menor dúvida que a morte de Beto Freitas está relacionada com o racismo. Não que os seguranças que o espancaram eram racistas. Acredito que esses seriam capazes de fazer o mesmo com qualquer outra  pessoa, seja, branca, preta, parda... Tendo em vista que demonstraram serem pessoas violentas. Totalmente despreparadas para ocuparem cargo de segurança.
 
Quando digo  que a morte de Beto Freitas está relacionada ao racismo não é devido a atuação dos seguranças, mas das pessoas que assistiram o linchamento e não fizeram nada. Quinze pessoas assistiram a cena sem fazer nada. Alguns prefeririam  pegar o celular para filmar. Para eles era só mais um negro apanhando.
 
Fico me perguntando se ao invés de um negro fosse um branco, loiro, dos  olhos azuis, como agiriam as pessoas que passaram por perto? Será que aceitariam ver um branco ser espancando até a morte? O negro a gente viu que sim, mas e o branco?
 
Infelizmente a gente acostumou ver os negros sendo marginalizados pela sociedade. Como alguns costumam dizer: “Branco correndo é atleta, preto correndo é ladrão”. “Branco parado na esquina é apenas curioso, preto parado na esquina é vagabundo  ou suspeito”.
 
Lembro de um vídeo que circula pela internet, fruto de uma pesquisa,  onde um branco e um negro  tentam abrir um carro de luxo, o qual está com a chave dentro. Quando é o branco tentando abrir, as pessoas que passam perto não falavam nada, alguns até param para ajudá-lo, pois acreditam ser ele o dono do carro.  Já quando é  o negro, a maioria que  passa olha atravessado, acham  a cena estranha, acham que ele está tentando roubar.  Não demora muito  a polícia chega e o aborda,  com certeza alguém que viu a cena ligou para a polícia, mas não fizera isso quando era o branco.
 
Como podem ver, o racismo é algo cultural. Legado dos mais de 300 anos da escravidão, onde a sociedade marginalizou o negro. Voltando ao caso de Beto Freitas, muitos levantaram sua ficha criminal,  tentando achar motivos para justificar sua morte. Acharam alguns crimes praticados por ele no passado e com isso começaram a defender os seguranças, como se eles conhecessem a ficha criminal.
 
Engraçado é que não fizeram o mesmo com os dois seguranças brancos. Ninguém divulgou a ficha deles.  Ou seja, a vítima passa a culpada. “Mereceu” ser agredida.
 
Como fazem em casos de estupros de mulheres, onde tentam culpá-las pela agressão.  “Você viu a roupa que ela estava usando? Pediu para ser estuprada?”. “Andando na rua na madrugada estava pedindo para ser estuprada”.
 
A sociedade brasileira acostumou com a violência. Fruto dos vários anos de escravidão, coronelismo, ditadura e autoritarismo. Sendo muito comum cenas de violências contra negros, mulheres, gays, pobres... Ao ponto de muitos  assistirem cenas de violências tranquilamente. Como fizeram as quinze pessoas no caso Beto Freitas.
 
Infelizmente isso vem aumentando. Tendo em vista termos muitos políticos chegaram ao poder com o discurso do ódio.  Criticando negros, quilombolas, gays, mulheres, índios... Fazendo  frases e piadas a todo o momento.  O que contribui ainda mais com a violência e o racismo, que precisa ser combatido. 

 
 
 
 
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