20/12/2020 às 10h46min - Atualizada em 20/12/2020 às 09h42min

Equipe Pedro!

O prefeito junto à primeira dama e alguns dos secretários anunciados(Foto de João Gabriel B. Meneghite)
O futuro prefeito Pedro Augusto divulgou  no dia 17 de dezembro o formato de sua gestão, assim como o nome dos futuros secretários.  A Equipe Pedro será formada por  12 secretarias. Com isso, Pedro cumpriu em parte o compromisso de número 4 assinado no cartório, o qual previa redução do número de secretarias. 
 
Digo em parte devido o mesmo compromisso prevê a indicação de pessoas técnicas. Não que Pedro não tenha nomeado pessoas técnicas, pelo contrário, todos que nomeou são técnicos, alguns  inclusive  doutores. Gente com experiência na área. Porém ao juntar algumas  pastas, Pedro  fez com que alguns nomeados ficassem responsáveis por pastas as quais não são do seu conhecimento técnico.   

Vou dar um exemplo para facilitar. O Messi é um dos melhores jogadores do mundo. Mas do meio pra frente. No ataque. Se mudar a posição dele, colocá-lo como zagueiro, lateral ou goleiro ele pode até se sair bem, mas longe de ter a mesma performance jogando no setor que domina.

O mesmo ocorre com os secretários. Esses têm conhecimento de uma área específica. Quando você faz com que ele fique no comando de outras pastas as quais ele não domina, a questão técnica deixa de existir. Para suprir essa “deficiência”, o prefeito terá que criar cargos, coordenadorias ou superintendências, colocando uma ou mais  pessoas técnicas na área a qual o secretário não domina. Com isso, terá despesa do mesmo jeito que tivesse mantido a pasta como secretaria. É economia  para inglês ver.

A redução de secretarias com a justificativa de economia precisa ser mais bem aprofundada. Não que eu seja contra acabar com algumas secretarias. Pelo contrário,  parabenizo Pedro por ter acabado com duas delas: Governo e  Habitação. Tendo em vista que são pastas as quais se encaixam muito bem em outras secretarias.

A secretaria de Habitação, por exemplo, pode ficar junto com Obras. Além do que, desde a criação do programa do governo federal, Minha Casa,  Minha Vida,  criado pelo presidente Lula, essa pasta deixou ser de extrema importância. Já que ficou muito mais fácil comprar ou construir a partir desse programa.

A secretaria de Governo é sem lógica. Não era nem para ser criada. Tendo em vista que temos prefeito, vice, chefe de gabinete,  um monte de secretarias ... basta ter reuniões frequentes para manter o prefeito informado. Mas por aqui é um tal do prefeito não conversar com o vice.

Por outro lado,    Pedro  errou  ao  “acabar” com duas pastas importantes: Esporte e Meio Ambiente. Esporte, Lazer e Turismo ficaram junto com a Cultura; Meio ambiente junto com Serviços Urbanos. Coloquei acabar entre aspas pois essas pastas vão continuar a existir, porém, não ganhando destaque, ficando em segundo plano. O que pra mim é uma “economia burra”. Onde o barato sai caro. Tendo em vista a importância dessas pastas para a sociedade.

Ao juntar Esporte  com a Cultura, onde secretário  entende muito do meio cultural do que o meio esportivo,  esse pode acabar favorecendo muito mais a área que domina do que a área  que não domina.

Deixo claro que não tenho nada contra o futuro secretário de Cultura.  Primeiro pelo fato de que  não é ele que define o formato de sua secretaria. Quem define isso é o prefeito. Segundo por ter uma boa ligação com ele. Inclusive, recentemente o encontrei no mercado e conversei com ele sobre isso, falando o que eu achava dele comandar uma super secretaria, falando que teria dificuldades para dar conta de tudo isso. Inclusive, falei com ele que estava escrevendo um texto nesse sentido. Logo, minhas críticas não são pessoais.

Quando se cria uma super  secretaria, juntando um monte de pastas, você faz com que ela tenha um orçamento único. Onde para aproveitar melhor os recursos,  o responsável pela pasta acaba tentando fazer com que as coisas caminhem juntas. Pois é complicado fazer dois  planejamentos, administrar dois orçamentos, fazer dois calendários, participar da realização dos trabalhos de duas áreas.. Com isso, os recursos tendem a serem utilizados em eventos esportivos os quais se encaixam com turismo. Como esportes de aventura: alpinismo, motocross, ciclismo, canoagem, mountain bike... Esportes que  atendem a um público específico. Sendo um de perfil  econômico elevado., ficando de fora as massas.

Na minha opinião    o setor púbico deve pensar o esporte  muito mais para as pessoas mais simples.  Para as massas. Para o povo.   Afinal, quem têm condições  financeiras já praticam ou  têm mais facilidades para praticarem esporte. Esses frequentam academias, clubes, vão para cachoeira, praias, rios, tem piscina em casa, fazem caminhadas em parques ecológicos, acampam e praticam esportes radicais: rapel, vôo livre, surf...;
 
E as pessoas mais simples, que não tem condição de pagar uma academia, não tem piscina em casa, não freqüentam  clubes, não tem carro para poder ir numa cachoeira, rio, praia, não conseguem adquirir acessórios esportivos, quais são as práticas esportivas que elas realizam?  Quase nada!   Muito mal jogam futebol, que é um esporte voltado muito mais para o público jovem e masculino. Com pouca participação de deficientes, mulheres e idosos. Se for mulher e idosa menos ainda.

Como fazer com que a população mais simples tenha acesso ao esporte? Será que juntando esporte com cultura vamos conseguir fazer isso? Acredito que não! Daí a importância de ter uma secretaria de Esportes. De modo que o governo tenha um olhar especial para a prática esportiva na cidade.  Crie atividades esportivas voltadas para a população que tem poucas condições financeiras, de modo que ela não seja apenas espectadora de eventos esportivos, mas pratique esporte.

Como fez o presidente Lula em 2005, criando as academias ao ar livre. Temos em Leopoldina diversas academias ao ar livre espalhadas pela cidade. Inclusive nos distritos.   Mas não podemos achar que basta colocar os aparelhos e pronto. Até porque, muitas das vezes esses aparelhos estão em locais sem nenhuma infraestrutura, como por exemplo, sombra. Ficando em locais inviáveis. Ocorrendo o uso deles na parte de manhã ou a noite, sendo que à noite tem  a questão de segurança. Além desse problema, a ausência de profissionais de educação física  de modo incentivar e ensinar como usá-los de forma correta  é outro ponto que merece destaque.

O mesmo ocorre com algumas quadras esportivas. Algumas totalmente abandonadas. Sem condições de uso. Em outras só é possível a prática do futebol. Por que não melhorar as estruturas delas  permitindo  outros esportes: vôlei, basquete, handebol?  Falta incentivo do setor público para que esses esportes ocorram. Como distribuição de materiais esportivos. Até mesmo no futebol. Cansei de vê crianças usando um monte de pano velho enrolado como bola.

Falando em crianças brincando de forma improvisada, faz tempo que não vejo elas brincando de queimada, pique bandeirinha, corrida de saco, pulando corda, amarelinha, jogo de taco..  Alguns vão querer culpar os jogos eletrônicos (vídeo game e celular). Concordo em parte que a tecnologia criou novas formas de brincar. Mas não se resume a isso.

Sou da época em que poucas pessoas tinham carro ou moto. Meus avós e pais nunca tiveram.  Já eu, com 23 anos já tinha carro. Tem gente que têm carro e moto. Outros tem mais de 2 carros na residência. Tem pessoas que sequer tem idade para dirigir mas já tem veículo e o usa. A frota de veículos cresceu demais nos últimos tempos. Com isso ficou inviável brincar nas ruas. Quase impossível, devido  ao perigo. É um olho na brincadeira e outro no perigo. Como brincar dessa forma?

Aí que entra a secretaria de esporte, analisando locais nos bairros onde é possível a prática esportiva e as brincadeiras, fazendo com que nesses locais as ruas sejam fechadas nos fins de semanas, impedindo o trânsito. Permitindo que as pessoas possam brincar e praticar esporte com segurança.

Não poderia deixar de citar também a falta de infraestrutura das nossas praças. Algumas sem banco. Sem árvore.  A própria praça Felix Martins, recém inaugurada, não tem um banco sequer. Sendo que é muito comum as pessoas irem para praça jogar baralho, dama, xadrez... onde até jogam, mas de forma improvisada e desconfortável. Além dos bancos, falta sombra. Com isso ocorre o mesmo problema que as academias ao ar livre, sendo freqüentadas de manhã cedo ou no final do dia. Ficando o resto do dia sem uso.
 
Para que tudo isso que citei possa ser colocado em prática, é preciso termos Secretaria de Esporte e Lazer. Com orçamento próprio. Gente da área à frente da pasta. O mesmo ocorre  com Meio Ambiente, o qual Pedro juntou com Serviços Urbanos. A relação do Meio Ambiente com Serviços Urbanos se limita a poda das árvores, coleta de lixo, tratamento de água e esgoto. Sendo que meio ambiente vai além disso. Envolve proteção das nascentes, melhor uso da água e do solo, questão da poluição do ar,  preservar a  fauna e  flora, produção de alimentos,  medicina ambiental, educação ambiental... uma série de atividades  importantes que necessitam de mais atenção por parte do setor público. Onde tendo uma pasta com independência e orçamento próprio permitirá que tenhamos de fato um  olhar voltado para o meio ambiente.

Se o prefeito quer reduzir algumas secretarias, porque não juntou Serviços Urbanos com Obras, mantendo assim Meio Ambiente? Inclusive, ele nem nomeou ainda o secretário de Obras. Logo, demonstrou que não é tão importante assim, pois se fosse já teria um nomeado.
 
“Acabar” com Meio Ambiente e Esporte são as minhas duas  críticas ao modelo de gestão que Pedro apresentou.  No restante acho que está legal. Não vou avaliar as nomeações dos secretários pois não podemos avaliar um livro pela capa. Temos que esperar eles assumirem, para aí sim avaliar o desempenho eles.

Alguns serão mais cobrados, outros menos. Devido pandemia. Não tem a menor condição de queremos cobrar da secretária da Educação e do secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo alguma coisa enquanto durar a pandemia.  Essas pastas são as mais afetadas.  Estão praticamente paralisadas. Sem previsão de retorno a normalidade. Só mesmo quando as pessoas forem vacinadas. Mas com essa campanha contra vacina incentivada pelo presidente Bolsonaro vai ser muito difícil à volta a normalidade.

Por sua vez, o secretário  de Saúde, assim como de  Desenvolvimento Econômico, esses serão muito mais cobrados. Pois são duas áreas que a população mais precisa que funcionem nesse momento.   Aproveito para parabenizar quem assumiu essas pastas. Mostraram que tem coragem e que estão a disposição da população para enfrentar esse momento tão complicado.

O esquema tático já foi formado. O time escalado. Resta agora aguardar para que eles comecem atuar. Torço pelo sucesso de todos. Afinal, o sucesso deles representará  o sucesso de Leopoldina.


 
 
 
 
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