02/01/2021 às 09h46min - Atualizada em 02/01/2021 às 09h46min

José Augusto é o novo presidente da Câmara!

Paulo Lúcio Carteirinho
A nova mesa diretora da Câmara Municipal de Leopoldina (Foto: João Gabriel Baía Meneghite)
José Augusto Cabral foi eleito presidente da Câmara com 15 votos – 100%. Tendo em vista que foi chapa única. Olhando para resultado da eleição muitos vão dizer: vitória fácil. Mas não foi bem assim. Foi uma vitória muito difícil, construída com muitas conversas e atuação de várias pessoas.

A eleição  de José Augusto a presidente da Câmara  começou logo após o resultado da eleição, onde ele foi reeleito, sendo  o vereador mais votado, o que tornou seu nome muito forte.

Além da força pessoal que demonstrou nas urnas, seu grupo político,  liderado por Breno,  fez 5 vereadores (33,3%). Para conseguir eleger o presidente da Câmara o grupo precisava conseguir   3 votos.

Contando que teria votos do seu grupo,  José Augusto lançou seu nome e foi atrás dos 3 votos que necessitava. Não demorou muito e conseguiu esses 3 votos, tendo em vista que teve  apoio do grupo do Ricardo, o qual tinha justamente 3 votos: Alexandre Badaró,  José do Carmo Piacatuba e Rodrigo Pimentel.

Aparentemente José Augusto parecia ter conseguido os votos necessários. Afinal, seu grupo tinha 5 votos + 3 do Ricardo= 8, o que dava a vitória a ele. Tudo estava indo bem até que Pedro Augusto, que só tinha um voto na Câmara, resolveu apoiá-lo.

O apoio de Pedro não foi bem visto  por Breno, tendo em vista que tornou José Augusto candidato  do governo. Tornando Pedro protagonista. Isolando Breno,  o qual resolveu mostrar quem é que manda. Vale lembrar que a Câmara é reduto de Breno. O grupo dele comanda a Câmara faz décadas.

Visando manter o controle da Câmara, o grupo de Breno  começou a agir contra a candidatura de José Augusto, a qual já não era  bem vista, tendo em vista que surgiu muito mais da vontade do  vereador do que uma decisão do grupo.

Mesmo José Augusto sendo do partido de Breno, o grupo resolveu lançar um concorrente, no caso o vereador Didi da Elétrica.   Com isso o grupo do Breno ficou rachado. Dos 5 vereadores, o grupo passou a ter somente 3: Didi da Elétrica, Carlos André e  Bernardo Guedes. Tendo em vista que José Augusto não desistiu de sua candidatura e Gilmar Pimentel, por ser sobrinho do vice-prefeito Totonho Pimentel, votaria com o governo.

Com  apenas 3 votos, para garantir a vitória o grupo do Breno precisaria de 5 votos. Justamente a quantidade de votos que tinha Zé Roberto, o qual tinha motivos suficientes para apoiar o candidato do grupo do Breno.  A começar por manter a Câmara nas mãos da oposição. Zé Roberto sabe o quanto é ruim governar sem a Câmara, afinal, esse último mandato foi todo assim. Mas o fato mais decisivo foi a questão pessoal. José Augusto foi o vereador que mais fez oposição ao governo de Zé Roberto.  Autor de várias denúncias, requerimentos e CPIs. Logo, Zé Roberto passou a ser oposição a candidatura dele. Ao ponto de se unir ao grupo de  Breno.

Quem diria o grupo de Zé Roberto e o grupo de Breno juntos novamente. Como diz Paul Valéry: “O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância”.
 
Com a união dos grupos de Zé Roberto, de Breno e podemos acrescentar também de Bené Guedes, tornava esse grupo quase imbatível. Com votos suficientes para ganhar. É bom destacar que essa união aconteceu também pelo fato de outros nomes além do Didi estarem na disputa. Como Suíno, Ivan Nogueira e Edvaldo. Sendo que Didi levava vantagem pelo fato de ser o candidato do grupo do Breno, o qual conforme disse anteriormente, há décadas controla a Câmara.

A união desses grupos tornou muito difícil a vitória de José Augusto. Aí Pedro, que a princípio foi ruim para José Augusto, passou a ser bom, tendo em vista que o governo entrou de vez na campanha. Dessa vez, garantindo votos.

Destaco para a participação do vice-prefeito Totonho Pimentel. Esse conhece bem o jogo  político e  a disputa da presidência da  Câmara. Afinal, foi 7 vezes vereador. Inclusive,  presidente da Câmara. Por isso acho que Pedro acertou na escolha do vice. O qual ficará responsável pela questão política do governo.

Totonho  Pimentel foi fundamental para a vitória de José Augusto. A começar pelo apoio do seu sobrinho: Gilmar Pimentel. O próprio Rodrigo Pimentel também é seu parente, mas esse já estava apoiando José Augusto antes mesmo do governo apoiá-lo, mas a entrada de Totonho fortaleceu ainda mais esse apoio.

Outro voto que podemos dizer que Totonho ajudou conseguir foi de Julius Cesar, o qual é do distrito de Ribeiro Junqueira, terra de Totonho Pimentel e do saudoso ex-prefeito Wilson Pimentel, tio de Totonho, avó de Rodrigo Pimentel.  Isso com certeza deve ter pesado muito na decisão de Julius, que apesar de ser do grupo do Zé Roberto, ficou numa situação complicada. Caso votasse contra a chapa apoiada pelo governo, a qual teve mais de 50% dos votos em Ribeiro Junqueira, devido seu vice ser de lá, Julius ia começar o mandato mal com a população a qual o elegeu. Essa com certeza gostaria que o representante do distrito ficasse do lado do vice-prefeito, unindo assim o distrito. Imagina vereador de um lado e o vice-prefeito do outro. Isso não seria bom para ambos, muito menos para o distrito.

Conseguindo 1 voto do lado do Breno (Gilmar Pimentel), 1  do lado do Zé Roberto (Julius Cesar), 1 do Pedro (Inezinha),  3 do  Ricardo (Alexandre Badaró,  José do Carmo Piacatuba e Rodrigo Pimentel), mais o seu voto,   José Augusto totalizou 7 votos, precisando apenas de 1 voto.

Não foi nada fácil conseguir esse voto. Tendo em vista a pressão que Zé Roberto e Breno fizeram em cima dos seus vereadores. Um deles mudou de lado. Não posso afirmar quem. Apesar de ter ouvido várias versões. Além do que, são muitos que queriam apoiar José Augusto e o governo.

Não vem ao caso saber quem garantiu a vitória. Taxando esse de Judas. O qual eu não concordo com isso, afinal, acredito  que a maioria queria apoiar José Augusto,  mas talvez por questões partidárias e de grupo não pudessem manifestar publicamente. Mas todos sabem que foi uma boa escolha. Tendo em vista que José Augusto tem disponibilidade de tempo. Foi o vereador mais votado e isso pesa muito.  O fato dele ser da mídia  tende a dar mais publicidade aos trabalhos da casa. Ao peitar seu grupo, mostra que ele tem liberdade política. Mostrou independência.  Acho que a Câmara ganhou muito com a vitória dele.

Como conseguiu os 8 votos necessários, acabou não tendo disputa. Afinal, era desnecessário o conflito. O qual se tivesse tornaria o clima da Câmara muito ruim. Tendo chapa única mostra que a Câmara está unida. Que os conflitos podem até surgir, mas prevalecerá a decisão da maioria.

Foi assim que José Augusto chegou à presidência da Câmara. Além dele, completa a Mesa Diretora: Zé do Carmo Piacatuba (vice-presidente), Gilmar Pimentel (1° secretário),  Inezinha (2a secretária). A vitória de José Augusto é também uma vitória de Pedro. Muita gente pensou que o fato de Pedro ter conseguido fazer apenas um vereador teria dificuldades em lidar com  a Câmara. A primeira votação mostrou que  ele tem força política. Como diz o ditado: "a primeira impressão é a que fica". 

O curioso  é que teremos na prefeitura Pedro Augusto e na Câmara José Augusto. Ambos Augusto, que tem origem do latim Augustus, que tem vários significados, um deles:  “consagrado”. Espero que Leopoldina seja consagrada na gestão deles. Que José Augusto venha representar bem a augusta Casa do  Povo.

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