16/01/2021 às 13h18min - Atualizada em 16/01/2021 às 13h18min

Mário Heleno Lopes de Almeida

Nelson Vieira Filho – Dr. Nelsinho
O então vereador Mário Heleno durante discurso na Câmara Municipal de Leopoldina (Foto: Arquivo jornal Leopoldinense)
Não era minha intenção usar da palavra aqui neste momento”, mas o Luiz Otávio pediu que eu colocasse em palavras o Mário Heleno Lopes de Almeida com quem convivi. Por isto, uso a palavra escrita, parafraseando o Leleno com a frase com que ele iniciava praticamente todos os inúmeros improvisos que fez durante sua longa trajetória política.

Conheci o Leleno com profundidade por causa da política e foi na política que convivi intensamente com o homem e, por isto, é sobre o político que escrevo, imediatamente após a “intimação” recebida. Embora pertencendo ao mesmo partido político, o PFL, tivemos muitas divergências de todos os naipes, mas nunca ficamos sem conversar, sem rir, ou mesmo gargalhar em muitos de nossos encontros, pois eu o entendia bem e ele tinha um coração maior que o próprio corpanzil.

Leleno foi um político diferente, combativo, autêntico, verborrágico às vezes, carregador incansável de uma pastinha cheia de documentos “importantíssimos”, pasta chamada de metralhadora giratória, mas que nunca deu sequer um tiro perigoso e cujo conteúdo virava magistral espetáculo pirotécnico, de que ele próprio debochava e ria, e fazia rir, quando ele se acalmava e voltava a ser o Leleno generoso que todos nós apreciávamos.

Leleno era o companheiro que todos queriam do seu lado na política e o lado de ficar era ele que escolhia. E depois que fazia sua opção, era quase impossível movê-lo do rumo que ele traçava e passava a defender com uma veemência que quase sempre irritava os que não partilhavam de seu ideal. E o porquê de não se lhe mudar o modo de mudar é que ele tinha sempre a convicção plena de estar certo.

E, “porque se estaria ousando errando”, nunca jamais alguém ousou pensar que ele estaria fazendo alguma coisa sem estar plenamente convencido de que o caminho dele era o certo, o único, o muito melhor.

Leleno, na política, sempre foi assim, aborrecimentos e constrangimentos para os adversários e alegria escancarada de quem o possuía ao lado, porque ali se sabia que não havia riscos de mudança de rumo, não havia riscos de corpo mole durante a batalha. Ninguém votava nele por desejar um vereador obscuro, “carneirinho” ou surdo-mudo. As centenas de seus fiéis e espontâneos eleitores lhe apreciavam a combatividade e sabiam que ele ia ao encalço de políticos poderosos que pudessem pelo menos minorar os problemas de sua Leopoldina.

Leleno era um obstinado, trabalhador incansável, fabricador de disposição que a todos contagiava. O ardor com que defendia seus pontos de vista mostrava que ali havia um companheiro sobre cujos ombros nenhuma carga era pesada, se ele estivesse a trilhar o caminho por ele traçado.

Eu o vi pela última vez quando Lael Varela esteve em Leopoldina para agradecer os votos recebidos e ele estava feliz porque conseguira fazer do Lael o mais votado, mas comentou comigo que trabalhara muito, mas que muitos outros haviam dado igual contribuição. A generosidade de seu coração ali mais uma vez se destacara.

E revejo agora, na mente, como se ocorrendo agora, nossa última gargalhada junta, quando da fotografia tirada com Lael defronte a padaria do Daniel, pois ele e eu comentamos simultaneamente um com o outro “não vamos ficar na ponta da foto porque eles vão cortar a gente na hora de publicar”.

Ponto altíssimo de sua vida política era a confiança que inspirava em seus companheiros de luta, companheiro que todos queriam, porque ele era de uma lealdade a toda prova, lealdade decantada por todos que com ele militavam na política, desde sua primeira candidatura até o momento em que viajou a BH para o tratamento dos problemas de saúde que o levaram de nós.

Leopoldina perde um grande político, que sempre defendeu projetos, sempre semeou ideias que ele pensava servir para favorecer a Leopoldina. Foi um líder que tivemos no PFL, ardoroso na defesa de suas convicções Leopoldina perde um político que lhe foi de muita utilidade, um os melhores vereadores que Leopoldina já teve e quiçá venha a ter.

Nenhum biógrafo isento poderá omitir o inestimável e quase inigualável serviço que Mario Heleno prestou Leopoldina.

Sua ação benéfica suplantou sempre a melhor das expectativas.

Sem aviso prévio, e ainda em condições de continuar a ajudar Leopoldina, ele se foi, em 22.12.2006, quase Natal, deixando na saudade seus amigos, seus companheiros, sua abnegada esposa Lili e seus filhos.

Fico imaginando a quantidade que, no leito onde esteve nos últimos 52 dias de sua atribulada e profícua existência, ele chorou, ainda que intimamente, com saudade de seus netinhos, sobre os quais me falou inúmeras vezes, com brilho invulgar nos olhos e melodia maviosa na voz, com uma ternura comovente.

Ao falar sobre os netinhos, ele se transfigurava, se derretia, era um homem extremamente doce, meigo, desaparecendo uma réstia que fosse do homem guerreiro e contestador.

Leleno, ajude-nos lá de cima, porque você já está fazendo falta, companheirão.

Leopoldina, dezembro. 2006 (Publicado na edição 73 do Jornal Leopoldinense)

Nelsinho.


 
 

 
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