01/04/2021 às 13h13min - Atualizada em 01/04/2021 às 13h13min

FIGURINHAS CARIMBADAS – Leopoldina – Anos 1950/60

Àquela época era comum aparecerem os álbuns de figurinhas, hoje, modernamente denominados cromos, sendo os álbuns distribuídos gratuitamente, é claro, pois seriam os repositórios das figurinhas que os pais da meninada teriam que comprar, lá na Banca do Chico Calábria.

Claro que os editores dos álbuns previam lucro com as edições, daí, quanto mais envelopes de figurinhas vendessem, maior seria a lucratividade, esta bombada pelo elevado número de figurinhas repetidas... duplicatas, triplicatas, etc., e, para completar os álbuns, a meninada promovia verdadeiras feiras de troca de figurinhas, surgindo as mais diversas barganhas: uma por uma, duas por uma, três por uma, etc.

Outra fase da diversão, ou melhor, maximização do valor das figurinhas, havia o jogo do bafo:

- Dois adversários combinavam a disputa, estabeleciam quantas figurinhas cada um deles “apostaria”, buscavam um local/piso plano, arrumavam as “fichas” como um baralho, colocavam suas “fichas” com o rosto para baixo, e, para iniciar o jogo, com as mãos, estendiam as figurinhas horizontalmente.

- O jogo consistia em tentar virar as faces das figurinhas, com as mãos fechadas em concha, dando um bafo sobre elas, alternando-se as vezes de cada um dos jogadores, terminando o jogo quando viradas todas as figurinhas.

O melhor bafeador que havia lá na Rua Tiradentes era o Hector Luiz Jorge, filho do Tufy Jorge, era difícil ganhar dele e o montão de figurinhas que ele tinha traduzia o seu perfil de campeão.

Algumas edições de álbuns previam premiações, porém as raríssimas figurinhas carimbadas eram as chaves para completar os álbuns e demandavam compra de elevado número de envelopes, até algum sortudo consegui-las e só as repassarem muito caro.

Houve edição de um álbum cujo ponto de venda ficava na Rua Cotegipe, numa das lojas do João Bartoli e os prêmios ficavam à mostra: liquidificador, bola de futebol, bonés, toalhas de banho, etc., além do prêmio maior: uma bicicleta Monark, preta e branca, freio contrapedal, garupeira, pneus balão, linda e claro, desejada.

Eis que o ganhador da Monark foi meu vizinho de então, Rodrigo Arantes Queiroz, sendo a entrega realizada num ambiente de festa e, é claro, em um avança na compra de envelopes de figurinhas, na esperança de que as desejadas e perseguidas figurinhas carimbadas chegassem às mãos de algum sortudo.

Ontem, 10/03/2021, houve um pronunciamento do ex-presidente Lula, que certamente viveu e brincou naqueles tempos do bafo de figurinhas, ocasião em que “respondeu” ao Luciano Huck que o havia “alfinetado” quanto à pretensão do Lula candidatar-se à Presidência, publicando que figurinha repetida não completa álbum.

- Lula, ”macaco velho”, sorrindo, disse que Huck desconhecia o bafo e que duas figurinhas carimbadas repetidas valem mais do que o álbum todo.

 
Lendo tal resposta e rememorando aqueles tempos, não resisti em compartilhá-los com meus conterrâneos e contemporâneos, o que ora faço.
                                                                                    Edson Gomes Santos, Divinópolis, 11/03/2021
 
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