18/07/2021 às 11h17min - Atualizada em 18/07/2021 às 11h12min

Retorno as aulas!?

Paulo Lúcio Carteirinho
O assunto mais debatido em Leopoldina e também em outras cidades, é a questão do retorno das aulas presenciais, previstas para primeira semana de agosto, depois do recesso escolar.  
 
Esse tema vem dividindo a sociedade, parte defende o retorno das aulas e parte entende que ainda não é o momento - tendo em vista que a pandemia ainda não está controlada, já que muitos ainda não tomaram a vacina.
 
É o caso de vários professores e funcionários da rede de ensino, onde a maioria  só tomou a primeira dose. Dessa forma, o sindicato da categoria entende que o retorno das aulas só deve ocorrer  quando todos os profissionais estiverem 100% imunizados.
 
Por falar em imunização, a vacinação de pessoas abaixo de 18 anos, no caso os alunos, não tem sequer previsão. O que faz com que muitos pais sejam contra o retorno as aulas nesse momento.
 
A respeito desse movimento contrário ao retorno das aulas sem a vacinação completa é muito importante, afinal, ele faz com que os governantes tomem medidas para que todos sejam vacinados, pois se não tiver pressão não terá vacina.
 
Inclusive, a vacinação no Brasil só começou a ocorrer devido a pressão internacional. O governo federal desde o início manifestou contra a vacina, preferindo tratar a doença com remédios sem nenhuma comprovação científica. Mudou de opinião a partir do momento em que as sanções internacionais começaram. A princípio proibindo a entrada de brasileiros em diversos países mundo a fora. Se o Brasil não iniciasse a vacinação corria o risco de sofrer também sanções econômicas.
 
Além da pressão externa, tivemos também pressão interna. Com destaque para a atuação do governador de São Paulo, João Doria, que percebendo a lentidão, pra não dizer sabotagem, por parte governo federal  e também da ANVISA, aparelhada pelo governo federal, resolveu ir até o Supremo  pedir autorização para que o governo de SP pudesse comprar vacina e vacinar os paulistas. Fato que ocorreu e a partir dessa autorização iniciou-se a vacinação no Brasil.
 
A iniciativa de João Doria foi fundamental, pois abriu brechas para que outros estados e municípios também pudessem adquirir vacinas.  Inclusive, o Butantan, que é de SP, passou a fabricar e  vender vacina para todo o Brasil, a princípio uma vacina estrangeira, mas que iniciou a fabricação de uma vacina nacional:  a Butanvac – ainda em fase de testes.
 
Percebendo que não tinha mais como impedir a vacinação no Brasil, o governo federal deixa de lado o negacionismo, abandona  o tratamento precoce,  a base de placebo,  e passa a querer vacinar a população,  iniciando assim a  campanha nacional. 
 
Se não fosse a pressão internacional e a iniciativa de João Doria talvez não teríamos vacinas e o número de mortos seria até maior e a pandemia estaria descontrolada.  Olha a importância de movimentos cobrando a vacinação.
 
Voltando para Leopoldina, espero que a pressão econômica e política para retorno as aulas não seja maior que a pressão daqueles que lutam pela saúde e pela vida e que cobram a vacinação da população. Que o prefeito Pedro Augusto respeite aqueles que por ventura não quiserem retornar as aulas. A começar pelos profissionais da rede de ensino, os quais concordo com a orientação do sindicato, no sentido de só retornarem ao trabalho depois da imunização completa.  As aulas podem até voltar, desde que para isso todos os profissionais estejam imunizados. Isso é o mínimo a ser feito. Não tem porque colocar a vida de pessoas em risco por causa de alguns dias.
 
O mesmo vale para aqueles pais de alunos que entenderem que não é seguro o envio dos filhos à escola nesse momento, onde cabe ao setor público manter o ensino remoto, assim como  se preparar para vacinar os alunos.
 
Como podem ver, não sou contra o retorno das aulas, porém, entendo que para que isso ocorra é preciso da vacinação. Está mais do que provado que só teremos uma vida normal quando toda a população estiver vacinada. Logo, por mais que alguns queiram antecipar esse retorno à vida normal não será possível, pois a pandemia ainda não está controlada e se aumentarem  o número de casos - principalmente entre crianças e adolescentes -   e de mortes -espero que não-, novas medidas de restrição terão que ser tomadas.
 
Sabendo disso, não vejo esse retorno às aulas como algo definitivo, mas sim uma tentativa de retorno, pois se os casos aumentarem espero que as aulas sejam suspensas novamente,  de modo proteger nossos adolescentes e crianças, os quais volto a repetir,  ainda não tomaram a vacina e isso só será possível se alguém lutar por eles, já que infelizmente eles não têm representatividade e voz na sociedade.
 
Não se preocupar com as crianças me faz lembrar de uma frase de Karl Manheim: O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade.” Deixar de se preocupar com as crianças hoje fará com que no futuro essas crianças não se preocupem com a sociedade. Tratarão as pessoas da mesma forma que estamos tratando elas. Logo, não culpem as pessoas se no futuro elas não tiverem preocupação com o próximo, pois hoje não estamos tendo preocupação com elas.
 
Falando em próximo, Jesus que nos disse que devemos “amar o próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39), disse sobre as crianças: Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos! Pois eu digo que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste(Mateus 18.10)”.
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