26/08/2021 às 15h48min - Atualizada em 26/08/2021 às 15h48min

Interpretação equivocada, inversão de valores e fake news

Bernardo Guedes
Refletir sobre a comunicação atualmente nos mostra que não é incomum a distorção do que é apresentado nas redes sociais. Tão comum como a produção de textos de forma odiosa. A interpretação de textos mais fácil é a literal. O fato que preocupa é a dificuldade nessa modalidade ou então a inversão de valores em palavras colocadas bem intencionalmente.

Fica muito mais fácil trazer a conversa para um lado para quem supostamente se apresente como defensor de interesses coletivos, quando na verdade o interesse é particular. Do lado que são direcionadas as críticas é natural o recebimento tal qual o direito de resposta. É caráter de justiça previsto em nossa Constituição a exposição do pensamento, o direito do contraditório. Imagina só se apenas um lado fosse ouvido? Uma verdade forçada, sem a busca dos elementos necessários de convicção....

Trata-se de mais um fracasso do nosso país enquanto educação. Até quem teve acesso à um melhor ensino fica sujeito à manipulação do que é chamado atualmente de fake news. Notícias vindas de pseudoprofissionais ou mesmo sem credibilidade, conteúdos distorcidos e sem embasamentos alcançam um segmento da sociedade fazendo com que os prejudicados tenham de se transformar em gestores de crise para blindar a reputação.

As fakes news impulsionam até pressão sobre procedimentos que necessitam de seguir um regular trâmite. Dá asas à quem não tem o preparo suficiente para discutir determinada matéria.

O Brasil desde a década de 90 passa por considerável processo de desindustrialização. Falta de investimentos em tecnologia faz com que nosso país tenha de importar insumos, seja um dos países mais desbancarizados do mundo e também manipulado pelas fake news.

Vejam só, palavras jogadas aos ventos na internet também influenciam na economia, pois afetam a credibilidade do mercado. Ninguém investe num lugar onde há escândalos o tempo todo, muito menos onde não haja uma capacitação de mão de obra que seja livre para empreender.

A educação deve ser o pilar de sustentação de qualquer ente. Sem ela realmente se vira instrumento de manobra para discussões inúteis enquanto se poderia estar fortalecendo soberania e implementando avanços.

O combate à disseminação de notícias falsas no contexto atual deve perpassar pela educação digital, onde através dela os educandos vão além de aprender como lidar com as notícias distorcidas, irão desenvolver técnicas de como descobri-las para que não sirvam de instrumento a serviço de grupos de interesse que não visem o desenvolvimento do país com um todo e avance rumo ao lugar que merece está de fato e positivamente.
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