18/10/2021 às 17h09min - Atualizada em 18/10/2021 às 17h09min

Vocação para Educação III

Dora Stephan (*)
Vista aérea de Piacatuba por João Gabriel Baia Meneghite (1)
PIACATUBA. Terra de gente de bom coração. E de boa Educação. Com e maiúsculo mesmo, no sentido de formação, desenvolvimento cognitivo. Lembro-me bem do primeiro evento que a UEMG/Unidade Leopoldina fez em parceria com a Escola Estadual Dr. Pompílio Guimarães, ainda sob a gestão da diretora Ana Cláudia Azedias Pereira, quando tivemos uma roda de conversa com a Sra. Maria Aparecida Rocha Pereira, que nos contou uma história linda e instigante. Seu pai não queria que ela estudasse, mas ela o peitou e estudou assim mesmo, tornando-se professora e, mais tarde, assumiu a direção da única escola da localidade. E foi com muito orgulho que ela nos falou da atitude ousada dela.

Já gostava daquele distrito de Leopoldina por causa de sua arquitetura e de seu Festival de Viola e Gastronomia, o qual eu já frequentava mesmo antes de ser moradora do município. Naquele dia específico do evento que fizemos junto com a escola, passei a gostar mais ainda. Me encantei com a Lenda da Cruz Queimada, com a capelinha repleta de ex-votos e, claro, com a gastronomia do local, onde os restaurantes servem o que há de melhor: a comida mineira. Também me encantei com aquela gente toda de bom coração.

Desde que me mudei para Leopoldina, Piacatuba passou a ser para minha família  um roteiro de final de semana antes da pandemia do Covid-19.  Mas mesmo durante a pandemia tive uma experiência inesquecível naquele distrito, ao acompanhar o atual diretor João Paulo Araújo na entrega dos Planos de Ensino Tutorados (PETs) de casa em casa, aluno por aluno, a maioria com localização na zona rural. Junto com os PETs, sempre eram entregues mimos aos estudantes, tudo isso com a adição de muito carinho por parte da equipe. Isso sem contar os kits merenda. Esse trabalho, realizado durante toda a pandemia, faz parte de um projeto maior intitulado “Escola Fechada, Educação em Movimento”, que integra um conjunto de ações desenvolvidas durante o período do ensino remoto.  

O projeto se destacou tanto que neste mês ganhou reconhecimento e a escola foi selecionada para participar da World Education Week - Semana Mundial da Educação, evento promovido pela Organização global T4 Education. Na ocasião, a Escola Estadual Dr. Pompílio Guimarães teve a oportunidade de compartilhar com outros países essa experiência bastante singular de manter-se próxima ao aluno, mesmo num contexto pandêmico.  Não bastasse isso, a escola, devido à participação no evento, se viu diante dos holofotes da TV Alterosa (afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão – SBT) e da TV Brasil, rede de TV pública pertencente ao Poder Executivo. Foi parar na “telinha”.
 
Um pouco antes de ganhar mundo, a escola foi contemplada com o 5° Prêmio Territórios, do Instituto Tomie Ohtake. O exemplo da Escola Estadual Dr. Pompílio Guimarães só reforça a minha tese, já defendida em dois artigos anteriores (Vocação para a Educação e Vocação para a Educação II) publicados neste jornal  de que Leopoldina possui uma vocação inquestionável para a Educação, vocação esta que vem de longa data e que não deve ser menosprezada pelos poderes públicos municipal, estadual e federal.

Pensar que algumas cidades retrocedem, regridem e até mesmo decrescem numericamente por não terem ou por não entenderem sua real vocação. Que não seja esse o caso de Leopoldina!
 
 (*) Socióloga, Jornalista e Professora da UEMG/Unidade Leopoldina
 
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