25/10/2021 às 22h04min - Atualizada em 25/10/2021 às 22h04min

PRONOMES DE TRATAMENTO – Uma forma de “distanciamento”?

Edson Gomes Santos
No meu tempo escolar, nas aulas de português – redação - dentre o aprendizado constava lições sobre os pronomes de tratamento, seus “beneficiados”, procurando, a meu ver, promover um “distanciamento” entre interlocutores: “superior” e “inferior”.

As demonstrações de poder podem ser exercidas e apresentadas das mais diversas e variadas formas, indo desde as agressivas, violentas, àquelas mais “suaves”, menos “dolorosas”, “mansas”... por exemplo, quando do uso dos pronomes de tratamento.  

Em Brasília, quando solteiro, residi numa república juntamente com três secretários de deputados federais e dentre nossos papos, certa vez a eles indaguei o porquê de durante seus debates orais os deputados se tratarem Vossa Excelência e, quase em uníssono, rindo, eles responderam: Forma educada para evitar agressões de baixo calão e, de alguma forma, provocar cavalheirismo recíproco do oponente. (Não dá para imaginar um indivíduo xingando dizendo Vossa Excelência é um...; ou vá à...;  ou tomar...)

Quando imaginamos uma Universidade, o Reitor é o Magnífico Reitor...Vossa Magnificência, já colocando o – infeliz – interlocutor em crítica/inferior situação para eventual diálogo.

Nos Bancos, as grandes cadeiras dos gerentes, alto espaldar, estofada, onde sentados ante uma mesa atendiam os Clientes e estes sentavam em cadeiras mais baixas, numa flagrante situação de “inferioridade”, sendo o Cliente olhado de cima para baixo.

Advogados oficiando aos Juízes, às vezes escrevem um cabeçalho tipo: Ao Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito, Doutor Fulano de Tal, Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca de ..., talvez no sentido de “massagear” o ego do meritíssimo ou exigência “normal”?

A profusão de pronomes de tratamento no Brasil “atende” nobres, reis, rainhas, fidalgos, autoridades eclesiásticas, autoridades diversas, presidentes, congressistas, etc., numa clara  demonstração de posição e poder ante aqueles que a “eles” se dirigem.

Quando trabalhei na Direção Geral do BB, em Brasília, logo que lá tomei posse um grande amigo me alerta: Entenda que todos nós SOMOS funcionários do BB e nossos cargos são transitórios e finitos. Caso funcionário se apresente como ”SOU Chefe de...” esteja alerta pois o cargo é MAIOR que ele e ele não entende que SÓ ESTÁ chefe e não sabe até quando).

Relacionamento humano exige olhos nos olhos, equidade e tal equidade “desequilibrada” por um pronome de tratamento, sinto que tais pronomes deveriam ser “revistos, atualizados, reduzidos, modificados, a maioria, extintos”, valorizando o sempre:

- Senhor ou Senhora Fulano de Tal, assim como quando referimos ao SENHOR Jesus Cristo.  

Na maior potência mundial, Estados Unidos da América, o Presidente detém o poder de acionar o Botão Vermelho do poderio militar e, lá, qualquer cidadão ou cidadã, ao se comunicar com ele diz seu nome e “dialoga”:Dear Presidente ..., you...  (Caro/Prezado Presidente..., você...)
 
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