31/10/2021 às 08h32min - Atualizada em 31/10/2021 às 08h23min

​Onde vamos parar?

Essa semana a edição de número cinco do quadrinho “Superman: Filho de Kal-El”,  deu o que falar, tendo em vista uma cena envolvendo Jon Kent, filho de Clark Kent (Superman) e   Lois Lane, que herdou do pai superpoderes, sendo o novo Superman, onde ele se revela ser  bissexual ao  beijar o repórter Jay Nakamura.
 
Tal “beijo gay” deixou os conservadores de plantão revoltados. Muitos foram às redes sociais manifestar seu repúdio a essa edição da revista.  Entre eles, Maurício Souza, jogador  de vôlei do time do Tênis Clube e da Seleção Brasileira,  que fez o seguinte comentário: Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”.
 
Quando vi esse comentário lembrei imediatamente de outros profetas do apocalipse ao longo da história. Como no período da escravidão, onde alguns foram contrários ao fim dela. Dentre eles, o senador Barão de Cotegipe, o qual dá nome a mais importante rua de Leopoldina. Cotegipe e outros 8 senadores votaram contra a Lei Áurea. Para eles, a escravidão deveria continuar.   Como se dissesse: “Vai nessa que vai ver onde vamos parar.”

O mesmo ocorreu quando as mulheres passaram a ter direito a estudar, trabalhar e votar. Isso por muito tempo foi proibido. Inclusive, muitos foram contra dar direitos as mulheres. Esses diziam: “Vai nessa que vai ver onde vamos parar.”
 
Não poderia deixar de citar também quando foi criada a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que criou diversos direitos trabalhistas.  Muitos na época foram contra. Afinal, “Vai nessa que vai ver onde vamos parar”.
 
Como pode ver, o comentário de Maurício Souza nada mais é que o velho pensamento conservador que tenta conservar a sociedade do que jeito que é. Não aceitam mudanças.  Ao ponto de achar absurdo uma revista em quadrinhos ter um personagem gay. Como se fosse algo proibido. Não pode ter personagens gays? Só pode ter héteros? 

Infelizmente, alguns tentam fazer do gay inimigo da sociedade. Algo que precisa ser combatido, de modo a não  existir ou se  existir não deve ganhar destaque. Gay aceitável é aquele personagem caricato, folclórico, engraçado que todos debocham e faz piadas. Assim, muitos talvez não queiram ser. Deixando de ser “perigo” para a sociedade.  
 
Em momento algum o gay pode ser um super herói, um empresário de sucesso, alguém de referência na sociedade, pois se isso acontecer alguns acham que vão encorajar as pessoas a serem gays e isso marcará o fim da humanidade. Apocalipse gay.
 
Quem acha que uma pessoa vai virar gay por causa de uma revista em quadrinho está de brincadeira. Até porque, relacionamento entre pessoas do mesmo sexo existe há milhares de anos. Em período em que a sociedade sequer sabia ler e escrever.
 
Ninguém passa a gostar de uma pessoa de outro sexo porque viu uma revista, leu um livro, assistiu a uma cena da novela ou filme... A pessoa se relaciona por outra, seja do sexo oposto ou do mesmo sexo, porque sentiu alguma atração. Infelizmente, algumas pessoas acham que os relacionamentos se resumem ao ato sexual. Como se não tivesse sentimento. Quem pensa assim desconhece o que é amor.
 
Tem mal nenhum uma pessoa querer se relacionar com outra pessoa se ambas quiserem. Isso é um direito de todo cidadão. Direito a amar! As pessoas devem respeitar a opção sexual da outra. Ninguém deve ser ofendido ou agredido por gostar de uma pessoa do mesmo  sexo. Isso não é nenhuma anormalidade, não é doença ao ponto de alguns sugerirem cura gay.
 
O gay não representa perigo algum para a sociedade, para a família. Inclusive, na minha família têm pessoas que são gays, todos respeitam e por isso somos unidos. Imagina se não respeitássemos, minha família seria desunida. É certo eu isolar um parente ou um amigo porque ele é gay? Excluí-los do convívio social por causa da sua opção sexual. Se for hétero beleza, mas se for gay aí não pode. 
 
Finalizo dizendo sobre censura. Ninguém está proibindo a pessoa de ter opinião contrária aos gays. Mas temos que separar o que é opinião e o que é ofensa.

Por exemplo, sou doador de sangue e sou totalmente contra igrejas que proíbem doar e receber sangue. Respeito à opinião deles, mas discordo, pois sangue salva vidas. Pessoas morrem por não receber sangue. Logo, não posso concordar com uma doutrina religiosa que coloca em risco a vida dos seus fiéis. Isso é uma opinião. Agora se ao invés de discordar com fatos eu simplesmente disser: Esses religiosos são fanáticos, loucos, malucos, extremistas, burros... isso não é opinião, isso é ofensa.
 
Respondendo ao comentário de Maurício Souza, que questiona onde nós vamos parar? A resposta é simples: Vamos parar de ser ignorantes. Já aqueles que insistirem em querer combater os gays de forma preconceituosa e agressiva, esses vão parar atrás das grades ou no lixo da história.
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