19/05/2024 às 16h24min - Atualizada em 19/05/2024 às 16h24min

Estou exausta...

Helenice Fonseca
Os últimos 50 anos passaram muito rápido, eu nem vi! Num dia eu estava indo para escola primária de uniforme azul marinho e tênis conga, e de repente olho pro lado e vejo minha neta de mãos dadas comigo a caminho da escola. Fecho os olhos por alguns segundos e me vem, quase na velocidade da luz, inúmeras cenas destes quase 51 anos de vida. Minha mente chega a não comportar tudo em tão pouco tempo. Foi ontem? Quando foi?

Agora mesmo eu tento me concentrar na imagem dos meus pais e tento lembrar de como eles eram quando tinha a minha idade. Penso também nos meus filhos crianças e na vida de mãe que eu experimentava. Penso no meu trabalho dos últimos 35 anos e todas as alterações trazidas pelas ferramentas digitais (uma loucura já prevista nos desenhos animados da Família Jetsons). Penso nas pessoas que passaram na minha vida e como elas contribuíram para minha chegada até aqui. Penso o tempo todo, lembro, imagino, idealizo, programo, executo, administro, controlo, contorno, enfim... minha cabeça não para. E isto as vezes me exaure.

Como boa geminiana que sou, tenho a cabeça ocupada com mil coisas ao mesmo tempo. Muitas frentes de trabalho, muitas ideias, muitas ocupações e muitos projetos para encaixar nas 16 horas utilizáveis do meu dia agitado. Eu ainda não consigo ser diferente. As coisas vão surgindo e eu vou assumindo, encaixando, acomodando e me mantendo em atividade.  E tudo isto requer muita energia que parece não estar compatível com a queda hormonal que agora experiencio.

Se na adolescência passamos pela invasão dos hormônios que nos altera o corpo, o humor, os sentimentos, as emoções e o comportamento em geral, agora, pouco mais de 35 anos depois, pela baixa produção dos mesmos hormônios, precisamos fazer o caminho inverso e buscar a adaptação fisiológica com menor abalo possível. E de novo, me espanto com a ligeireza do tempo e me pergunto: mas já?

Uma coisa tem me parecido inevitável, a exaustão. Estou como a carga de um celular... entro em modo de economia de bateria ao final do dia. Se lá atrás foi preciso administrar a superprodução hormonal, agora, com a produção em baixa, não é diferente do ponto de vista “administrativo”, porém com novos ingredientes o cansaço, o desânimo, as dores no corpe e a redução das horas utilizáveis... enfim, uma necessária adaptação.

A realização de multitarefas já não é tão simples e automática, a memória nos prega peças – melhor anotar tudo. Viagens precisam ser bem calculadas – não dá para sair daqui a 20 minutos. A moda de saltos altos e roupas apertadas – nem pensar – melhor privilegiar o conforto. Sauna para relaxar, yoga para se equilibrar,  óculos para longe, óculos para perto, óculos para leitura (o que eu chamo de “super-perto”), e por aí vai... a lista vai longe!

Mas uma coisa é certa: a exaustão de hoje é fruto de um dia em atividade, e isto importa para chegar lá (ou alí) na frente com a certeza de vida “vivida”.

E se o corpo responde assim, melhor respeitá-lo, fazer o quê? É o que temos para hoje!

Helenice 18-05-2024

“My body is a cage
We take what we're given”
(Arcade Fire -2007)
 
 
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