29/05/2024 às 14h35min - Atualizada em 29/05/2024 às 14h35min

Ói, é o trem... carregando história!

Dora Stephan
Quando nasci, minha família morava em uma casa na beira da linha do trem, na Estátua do Bispo, no bairro Mariano Procópio, em Juiz de Fora. Logo nos mudamos de lá e fomos para o Jardim Glória. Não demorou muito, papai comprou uma casa na beira da linha do trem, no mesmo bairro, porém próximo ao Museu Mariano Procópio. Posso dizer que fui embalada ao som do trem. E isso me fez gostar muito desse meio de transporte, o qual, lamentavelmente no Brasil, não é utilizado, em larga escala, para transportar passageiros.
 
Existem alguns trens turísticos, como o que liga Ouro Preto à Mariana, São Lourenço à Soledade, ambos em Minas Gerais e outros tantos Brasil afora. Sempre que vou a algum lugar que tenha esses trens, não penso duas vezes em me deleitar ao som do barulho de trem.
 
Adoro ouvir histórias de trem ou que remetam a ele. No momento, estou lendo o livro "Trem de História", de José Luiz (Luja) Machado Rodrigues e Nilza Cantoni.

Diferentemente dos trens convencionais, os quais, em nosso país, normalmente carregam minério de ferro, os vagões do trem dos autores leopoldinenses carregam história, como sugere o título da obra recém-lançada, por ocasião dos 1..de Leopoldina.

O livro compila artigos escritos pelos dois autores e publicados neste jornal, na coluna que dá o nome à obra, no período de 2014 a 2022. Dividido em quatro partes, a primeira carrega uma carga bastante robusta: a história da imprensa em Leopoldina no final do século XIX, mais especificamente de 1879 a 1899. A robustez da carga se deve ao trabalho de pesquisa realizado pelos autores, o qual, constitui "um dos maiores repositórios da história de Leopoldina", como registrado por Glaucia Maria N.Costa de Oliveira, a quem coube a Apresentação de "Trem de História".
 
A primeira parte do livro - que mais nos interessa aqui - é de uma riqueza enorme, constituindo uma importante fonte de pesquisa sobre a imprensa leopoldinense no período acima referido, durante o qual Leopoldina chegou a ter vinte e um títulos, entre jornais, gazetas e folhetins.
 
Ao ler "Trem da História", fiquei com a certeza de que não se pode pesquisar sobre imprensa em nosso estado, sem considerar a história da imprensa em Leopoldina, magnificamente contada por "Luja" Machado Rodrigues e Nilza Cantoni. E, em se tratando de Minas Gerais, não poderia haver título mais sugestivo para o livro. Cada página do livro pode ser associada a um vagão que carrega em seu interior um turbilhão de informações preciosas. "Trem de história" é, acima de tudo, uma viagem prazerosa no tempo...
 
Dora Stephan - Jornalista e Professora da UEMG/Leopoldina
 
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