24/06/2024 às 12h40min - Atualizada em 24/06/2024 às 12h40min

3 DE JUNHO – DATA MAGNA DA EDUCAÇÃO LEOPOLDINENSE

Edson Gomes Santos
Foto Luciano Baía Meneghite - 21/09/2021
Escrevendo a crônica Saudades, ao final do texto percebi ser o dia 3 de junho, significativa data para a educação leopoldinense, sendo a data natalícia do Ginásio Leopoldinense, daí, logo, logo, passei a ampliar minhas memórias aos tempos em que o Ginásio frequentei, ainda que não o percebesse na magnitude das suas importâncias físicas, culturais e educacionais, ante minha então imaturidade.

Na minha infância a pracinha do Ginásio era ponto de encontro com os amiguinhos para as brincadeiras afins, sequer percebendo “existir” aquela importante e imponente construção, sendo minha percepção inicial do Ginásio “despertada” no dia em que, junto com outros pretendentes à admissão ao ginásio, aguardávamos Monsenhor Guilherme informar os resultados das provas do exame admissional (um mini vestibular?).

Lembro-me perfeitamente de nós, pretensos futuros alunos agrupados no caminho central ante o portal da Secretaria, emoldurados pelas imponentes colunas do edifício, ansiosamente aguardando a vinda do Monsenhor para divulgação dos resultados, estes feitos pela ordem de aprovação, sendo o 1º lugar “faturado” pelo caro amigo, Jorge Heleno Sales e a cada nome citado, um grito de alegria era brandido ao ar.

Iniciando o período letivo de 1961, comecei a “explorar” as diversas áreas do ginásio visando conhecê-lo melhor e mais detalhadamente e suprir minha curiosidade quanto àquele novo ambiente.

Entrando na sala de Ciências, o anfiteatro logo despertou minha atenção pois nunca havia visto tal disposição de ambiente escolar e surpresa maior ocorreu examinando as vitrines com os mais diversos exemplares de minerais, madeiras e afins; um esqueleto humano, em posição ereta dentro de uma vitrine, pareceu-me “sorrir” como se desse boas-vindas aos alunos que através dele conheceriam suas estruturas ósseas; numa mesa ao lado daquela vitrine havia um modelo cerâmico de tronco humano, aberto, com os órgãos internos à mostra e individualmente acomodados em suas posições anatômicas, passíveis de serem manuseados por professores e alunos quando das aulas expositivas.

Na sala de Química havia uma bancada ladrilhada, sobre ela os mais diversos equipamentos destinados às aulas práticas e hoje imagino que tal ambiente fora originalmente destinado à extinta Escola de Farmácia. 

Seguindo adiante, ao lado da sala de Química estava a sala de aulas de Trabalhos Manuais, conduzidas pela Senhorita Carmen Spinola e ao fundo daquela ala, situava a sala de aulas de Canto Orfeônico, conduzidas pela Professora Conceição Monteiro de Castro e também pelo Maestro Argemiro Bittencourt.

Na ala térrea oposta do edifício havia mais salas de aula, bebedouros, instalações sanitárias, um amplo espaço coberto onde, antes do início das aulas vespertinas, o professor Geraldo Bertocchi “convidava” os alunos para um “jogo de bola de meia”, lançando a bola lá no meio da quadra e o pau quebrava naqueles “suaves” jogos, sendo que alguns alunos de maior estatura física, tipo José Joaquim Brandão, Cândido Manoel e Geraldo Cocão, se sobrepunham aos menores e, claro, levavam vantagens nos gols.

No andar superior do prédio situavam a biblioteca e o Conservatório de Música, cuja instalação, importância, ampliação e propostas culturais também são motivo de orgulho para Leopoldina, desde então.

Nos fundos do conjunto arquitetônico do Ginásio estava o Feijão Cru, sobre ele um “resto” de ponte que outrora servira de acesso ao complexo esportivo colegial, este ocupando todo o amplo espaço do outro lado do córrego, desde a margem até o sopé dos morros vizinhos e limitando com o TG-98 (Tiro de Guerra 98).  

A última vez em que visitei o Ginásio foi em 2007 quando das comemorações do seu centenário, ocasião em que revi muitos dos ambientes que registro porém, a grandiosidade, beleza, arquitetura e importância do Ginásio Leopoldinense na formação educacional LEOPOLDINENSE e BRASILEIRA desde 1907, é algo que perdurará na História e Memória da Educação... local, regional, nacional e, até, internacional.

Edson Gomes Santos, junho/2024
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