26/01/2015 às 17h46min - Atualizada em 26/01/2015 às 17h46min

HIDROLÓGICO E O FUTURO DO BRASIL

Estamos em pleno verão, na segunda quinzena de janeiro e parte do Brasil, principalmente a região Sudeste, se pergunta: Onde está a água???? Mesmo em pleno período das águas os reservatórios da região Sudeste estão com níveis extremamente baixos, tanto das hidrelétricas quanto de abastecimento de água. Segundo os meteorologistas, uma grande massa de ar quente que se encontra sobre parte do Brasil impede a entrada de frentes frias vindas do extremo Sul do planeta e outras massas úmidas vindas da Amazônia e do oceano Atlântico.

A crise hídrica que vivemos nos últimos meses, e que continuamos vivendo, será uma realidade constante  para vários estados no Brasil. Os estudos das ultimas décadas mostram que o volume das chuvas está diminuindo, ou seja, o potencial de recarga dos reservatórios está cada vez menor e o consumo, tanto de água para abastecimento quanto de energia elétrica está aumentando.  Esta tendência nos indica um colapso tanto no fornecimento de água quanto de energia elétrica, mas será que a crise que vivemos atualmente estava prevista? Claro. Os profissionais da área de hidrologia e climatologia já previam estes problemas, mas, infelizmente, as ações políticas não acompanham  as informações técnicas. As ações passam a ser adotadas apenas quando o problema surge deixando milhões de pessoas sem água e sem energia elétrica em regiões onde a temperatura ultrapassa facilmente os 40º C de sensação térmica.

Somos extremamente dependentes da energia hidrelétrica e temos como alternativas emergenciais apenas as termoelétricas que consomem combustível fóssil, poluem o ambiente e que já respondem por 22% da energia gerada atualmente no país. Por conta da adoção de um dos piores modelos emergenciais de geração de energia elétrica, além da poluição a população brasileira paga por uma das energias mais caras do mundo.

Vivemos um momento de contracenso onde os modelos de crescimento e desenvolvimento não estão sendo analisados de forma correta. Estamos com sérios problemas de abastecimento de energia elétrica no país, até mesmo com apagões programados, mas com a melhora da qualidade de vida da população todos querem ter o seu ar condicionado, um dos equipamentos que mais consome energia nas residências. No ano passado foram 4,5 milhões de aparelhos vendidos com expectativa de crescimento para cinco milhões este ano, ou seja, mesmo com os elevados valores e o apelo pelo racionamento o aumento de consumo de energia é uma realidade, mas onde está a energia? E como comprar uma Ferrari e não ter combustível para abastecer.

Os nossos governantes, em todos os níveis, federal, estaduais e municipais, devem tomar suas decisões baseadas nas informações dos seus assessores técnicos e não ficar esperando o caos aparecer para iniciarem as providências.  As nossas mudanças climáticas não estão acontecendo da noite para o dia mas os seus sinais já são percebidos há anos e não é questão  de acreditar pois os fatos são evidentes. A nossa atual situação de dependência de poucas fontes de energia e do atual ciclo hidrológico irregular poderá comprometer, como já está acontecendo, a qualidade de vida das pessoas, mesmo com a população tendo recursos para pagar pelos serviços de abastecimento de energia e água potável.  

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