29/10/2015 às 08h33min - Atualizada em 29/10/2015 às 08h33min

MAURO DE ALMEIDA PEREIRA, O “guardador” da história – Leopoldina-MG – 1950/60 – (I)

Sr. Mauro de Almeida Pereira

 ...“Seu” Mauro “Bretas”, meu pai pediu para o senhor reconhecer a firma dele neste documento.

Assim, passando-lhe o documento, recordo-me do meu primeiro contato pessoal com o Sr. Mauro de Almeida Pereira, casado com a Sra. Alzira Bretas, e pais de Luiz Celso e da (linda e simpática) Solange.

Antes, através do meu irmão mais velho, Reynaldo, contemporâneo do Luiz Celso, eu já ouvira na eletrola lá de casa algumas das óperas que tanto Sr. Mauro quanto Luiz Celso, A-D-O-R-A-V-A-M.   “O Barbeiro de Sevilha” é a que mais bem registrada ficou em minhas lembranças musicais.

Apesar da minha pouca idade, outras vezes voltei ao Cartório Bretas tanto para “mandados” de meu pai, quanto de vizinhos que os a mim solicitavam.

Numa dessas vezes deparei com Sr. Mauro examinando minuciosamente um daqueles grandes livros cartoriais e ante minha chegada, ele interrompe o exame para atender-me.

Atendido, comentei sobre as dimensões, peso do livro e a dificuldade de manuseio.

Ele, com todo aquele SEU SIMPÁTICO E LARGO SORRISO, prontamente respondeu-me “que o conteúdo daquele livro tinha registros da história leopoldinense” e, prontamente, convidou-me a também examiná-lo.

Abrindo aleatoriamente numa das páginas, começou a mostrar-me e “traduzir” para uma criança o que ali eram registrados: escrituras de propriedade, compra e venda de ESCRAVOS.

Após exames de algumas páginas e informações superficiais (entendíveis por uma criança), ele fecha o livro que examinávamos (e que ele me desculpe por minha então, infantil, pretensão) e, de frente para as estantes do Cartório, plenas e livros de registros diversos desde os anos de 1850, ele abre seus braços em 180 graus, e sentencia:

“Tudo que está registrado nestes livros é a História de Leopoldina, preservada para todas as gerações futuras.”

Aí entrou a observação de uma criança:

“Então, Seu Mauro, o senhor é o Guardador da História de Leopoldina?”

Sorrindo, ele me disse:

“Sim, com muita honra, sou um desses “guardadores da história”.

Entregando-me o documento que originara minha visita daquele dia, despediu-se de mim, uma criança, dispensando-me a mesma dignidade e respeito que dispensava a TODOS – adultos ou não - que a ele se dirigiam.

“Aquele” era o Sr. Mauro de Almeida Pereira, “O Guardador da história”.   

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