27/05/2016 às 15h47min - Atualizada em 27/05/2016 às 15h47min

As janelas aguardavam cantos amorosos das serestas sob o ritmo das VALSAS BRASILEIRAS

      Muito mais do que um gênero musical   ou uma dança , a  VALSA  é  um  estado de espírito . Chegou ao Brasil , oriunda da França , no ano de 1837 , e , naturalmente , seus primeiros executantes procuraram tocá-la dentro de suas originalidades musicais . Com o surgimento do CHORO , os músicos brasileiros começam a executá-la com um jeito harmonioso todo nosso.

          A  VALSA  BRASILEIRA     era uma espécie de porta-voz dos sentimentos amorosos , quando músicos e cantores  se reuniam nas madrugadas  , observados pela luminosidade de uma LUA  fascinante , formando um cortejo  e cantando pelas ruas das cidades , fazendo breve parada embaixo das janelas da moça que se queria conquistar , tendo como testemunha os lampiões acesos , participando da conquista da amada : isso chamava-se   “ S E R E S T A  “  !  Hoje , com uma bela preservação desse gênero centenário, o Distrito de  CONSERVATÓRIA ,  Município  de Valença , no Estado do Rio de Janeiro , embeleza e alegra a cidade aos finais de semana , colocando o cortejo musical com suas belas  VALSAS  entoadas por verdadeiros amantes da música : SERESTEIROS  DE CONSERVATÓRIA  e  SERESTEIROS EM CONSERVATÓRIA ,  como costumam dizer.

          O  CANTINHO  MUSICAL esclarece que a ordem das apresentações  das VALSAS  não se encontra em valores melhores ou piores , mas sim, respeitando toda sequência e não a posição e o valor tomados por cada uma na ordem da citação .  Pedro  Caetano  e Claudionor Cruz , em um lampejo divino e frutos de suas  competências  , compuseram  uma linda VALSA  que foi  imenso sucesso na voz de  ORLANDO  SILVA  cujo  nome  é :  “  CAPRICHO  DO  DESTINO  “ .    [ “ / Se Deus um dia / Olhasse a terra / E visse meu estado / Na certa compreenderia / O meu trilhar desesperado / E tendo ele em suas mãos /O leme do destino / Não deixar-me-ia / A cometer desatinos/ É doloroso / Mas infelizmente é a verdade /Eu não devia nem sequer /Pensar numa felicidade / Que não posso ter /mas sinto um revolta / Dentro de meu peito / é muito triste não se ter direito/  Nem de  viver / Jamais consegui um sonho ver concretizado / Por mais modesto e banal sempre me foi negado / Assim meu Deus francamente devo desistir / Contra os caprichos da sorte eu não devo insistir / Eu quero fugir ao suplício a que estou condenado / Eu quero deixar esta vida onde eu fui derrotado / Sou um covarde bem sei que o direito é levar a cruz até o fim / Mas não posso é pesada demais para mim / . “  ]  .


 O mestre  PIXINGUINHA  compôs um  choro-valsa  que fora adotado para abrir ou fechar com chave de ouro as reuniões musicais , tipo de um ESQUENTA  para motivar as pérolas que passariam a conduzir musicalmente as  NOSSAS  SERESTA . Mais tarde BRAGINHA recebeu a honra de ornamentar a bela música com uma brilhante poesia , que , juntas em uma só , constituem o exponencial da nossa    MÚSICA POPULAR BRASILEIRA  .  “   C A R I N H O S O  “   [ “/ Meu coração, / Não sei por quê / Bate feliz / Quando te vê / E os meus olhos ficam sorrindo / E pelas ruas , vão te seguindo / Mas mesmo assim, / Foges de mim .../ Ah , se tu soubesses / Como eu sou tão carinhoso / E o muito , muito que te  quero / E como é sincero o meu amor / Eu sei que tu não fugirias / Mais de mim, /Vem , vem , vem , vem . / Vem sentir o calor / dos lábios meus / À procura dos teus / Vem matar esta paixão / Que me devora o coração / E , só assim , então, / serei feliz ... bem feliz... / “ ] .  A escultura da beleza de uma mulher sempre foi um pretexto temático para os bons artistas  , com finalidade de expor , ao mundo , a imagem perfeita que Deus criou .


PIXINGUINHA  e  OTÁVIO DE SOUZA  foram os artífices da  MULHER  ESCULTURADA  , aglutinando melodia , poesia e , ainda , com interpretação magnífica na voz de ORLANDO SILVA a  VALSA : “   ROSA   “ .   [ “ / Tu és / Divina e graciosa / Estátua majestosa, / do amor / Por Deus esculturada / E formava com ardor / Da alma e da mais linda flor , / Do mais ativo olor/ Que na vida / É preferida / Pelo beija-flor / Se Deus me fora tão clemente /Aqui neste ambiente / de luz / Formada em uma tela / Deslumbrante e bela ! / O teu coração / junto ao meu / Lanceado , pregado / e crucificado / Sobre a rósea cruz/ Do arfante peito teu / Tu és a forma ideal / Estátua magistral. Oh, alma perenal / Do meu primeiro amor, sublime amor / Tu és de Deus a soberana flor / Tu és de Deus a criação / Que em todo coração sepultas um amor / O riso, a fé, a dor / Em sândalos olentes cheios de sabor / Em vozes tão dolentes como um sonho em flor / És láctea estrela / És mãe da realeza / És tudo enfim que tem de belo / Em todo resplendor da santa natureza / Perdão se ouso confessar-te / Eu hei de sempre amar-te / Oh flor meu peito não resiste / Oh meu Deus o quanto é triste / A incerteza de um amor / Que mais me faz penar em esperar / Em conduzir-te um dia / Ao pé do altar / Jurar, aos pés do onipotente / Em preces comoventes de dor / E receber a unção da tua gratidão / Depois de remir meus desejos / Em nuvens de beijos / Hei de envolver-te até meu padecer / De todo fenecer / . “ ] .  

O que nos alegra no panorama de nossos seresteiros é o solene sorriso de  felicidade , pela concentração harmoniosa no decorrer de uma canção e o discernimento de saber julgar a beleza da música quando executada .  AS VALSAS BRASILEIRAS  penetram em suas almas,  fazendo que eles  balancem no compasso musical . Os célebres  responsáveis por essa criação são muitos em nossa galeria musical .  CÂNDIDO  DAS  NEVES  ,  O  ÍNDIO  , foi mestre nas composições de suas canções  que flutuam no pensamento saudosista dos amantes das serestas , comprovadas nesta maravilhosa valsa :  “   ÚLTIMA  ESTROFE  “ [ “ / A noite estava assim, enluarada / Quando a voz , já bem cansada / Eu ouvi de um trovador  um trovador/ Nos versos  que vibravam de harmonia / Ele , em lágrimas , dizia / Da saudade de um amor / Falava de um beijo apaixonado , / de um amor desesperado, / Que tão cedo teve fim/ E , desses gritos e tormentos ,/ Eu guardei no pensamento / Uma estrofe que era assim / Lua  / Vinha perto a madrugada / Quando, em ânsias, minha amada / Nos meus braços desmaiou / E o beijo do pecado / O teu véu estrelejado / A luzir glorificou / Lua / Hoje eu vivo sem carinho / Ao relento, tão sozinho / Na esperança mais atroz / De que cantando em noite linda /Essa ingrata volte ainda / Escutando a minha voz / A estrofe derradeira, merencória / Revelava toda a história / De um amor que se perdeu / E a lua que rondava a natureza / Solidária com a tristeza / Entre as nuvens se escondeu  / Cantor, que assim falas à lua /Minha história é igual à tua / Meu amor também fugiu / Disse eu em ais convulsos / E ele então, entre soluços / Toda a estrofe repetiu / . “ ]  .

A contribuição de  CÂNDIDO DAS NEVES  na coletânea  das  VALSAS BRASILEIRAS  é enorme , ofertando com um número expressivo de belas canções , como  “  NOITE  CHEIA  DE  ESTRELAS  “ .        [ “ /  Noite  alta , céu risonho , / A quietude é quase um sonho ,/  O luar cai sobre a mata / Qual uma chuva de prata / De raríssimo esplendor / Só tu dormes , não escutas o teu cantor / Revelando à lua airosa / A história dolorosa deste amor... / Lua ! / Manda a tua luz , prateada / Despertar a minha amada ! / Quero matar meus desejos !... / Sufocá-la com meus beijos ... / Canto / E a mulher que eu amo tanto /Não me escuta , está dormindo ... / Canto e por fim , / Nem a lua tem pena de mim. / Pois ao ver que quem te chama sou eu / E entre a neblina se escondeu  ./ ” ] .  Lá no alto a lua esquiva / Está no céu tão pensativa / As estrelas tão serenas / Qual dilúvio de falenas / Andam tontas ao luar / Todo o astral ficou silente / Para escutar / O teu nome entre as endechas / A dolorosas queixas / Ao luar / . “  ]  .   


Voltando às criações  musicais  de    CÂNDIDO  DAS  NEVES    , agora com a bela parceria do mestre  PIXINGUINHA , compuseram uma das mais belas valsas do nosso cancioneiro , reforçadando ainda mais sua beleza com a brilhante voz de Orlando  Silva :    “    PÁGINAS  DE  DOR  “.    [ “ / Páginas de dor que faz lembrar, volver / As cinzas de um amor / Infeliz de quem amando alguém / Em vão esconde uma paixão. / Lágrimas existem que rolam na face, / Há outras porém , que rolam no coração / São essas que a rolar nos dão uma recordação / Páginas de dor que faz lembrar, volver/ As cinza de um amor  /  O amor que faz sofrer /  Que envenena o coração / Para a gente esquecer padece tanto / E às vezes tudo em vão / Seja o teu amor o mais profano delator / Bendigo por que vem do amor / Sendo o pranto amenidades / Ao tocar minha saudade / Glorias tem o pecador do amor / Lagrimas existem que rolam na face / Há outras porem que rolam no coração / São essas que a rolar nos vem uma recordação / Pagina de dor / Que faz lembrar / Volver as cinzas de um amor / . “  ]  .   

Na declaração de um sofrimento amoroso profundo , o compositor , com bastante equilíbrio na demonstração de seu padecer , expressa  belos versos na valsa   “   LÁGRIMAS   “ .   [ “ /  Ai, deixa-me chorar , para suavizar / O que eu não sei dizer mas sei sentir / Não prantear o amor que se perdeu / E a nossa alma enganar / E ao próprio coração querer mentir / Rir , é quase iludir/ É querer forçar / O próprio coração a gargalhar / Quando ele está solitário na dor / A soluçar de amo  /  É mais sublime a lágrima / Que exprime as nossas emoções / Amenizando a alma cheia de ilusões / Do que sorrir para esconder a mágoa / Que o olhar não diz / Não há ninguém feliz / Quero fazer das lágrimas que choro / Estrelas a brilhar / Rosas de cristal / Do pranto emocional / Mas se ela voltar / Fulgente diadema então lhe ofertarei / Do pranto que chorei / Sim, quem nunca chorou  / Certo nunca amou / Talvez nem alma tenha para sentir / Não me faz inveja este prazer / Eu gosto até de padecer / Chorar é a mágoa em pérolas diluir / Mas quem quiser amar / Certo há de chorar / Há de sentir morrer o coração / Porque o amor sendo belo falaz /  Como os ais / Se desfaz em ilusão / . “  ]  .

Se fôssemos apresentar toda obra de CÂNDIDO  DAS  NEVES ,  não teríamos  lugar suficiente para publicação de outros compositores com suas belas valsas ;  então selecionamos algumas conhecidas do público .  Na época era costume usar o nome da mulher amada e dedicar a ela uma valsa .   Antonio Caldas  e Celso Figueiredo  criaram  “  NEUZA  “ [ “ /  Há na luz clara e tranquila do luar / Um poema em louvor ao teu olhar / Porque a própria natureza / Se enleva em tua graça ,/ Canta tua beleza... / És como a flor mimosa da campina / Que a sutil aurora beija e ilumina ;/ Neuza, também, em teu louvor ; / Eu canto está valsa de amor  /   Há no teu ser a unção deste luar / A tua boca a sorrir / Mostra pérolas roubadas ao mar / Na minha vida / Sejas tu o meu fanal / Para a glória deste meu viver / Meu amor / Hás de ser a alegria querida.” / ]  . 




A identificação do intérprete com a música  é de importância fundamental , entretanto , o apagamento dos nomes de seus compositores  , camuflando os verdadeiros criadores da obra , foi o que aconteceu com   valsa composta por  GASTÃO LAMOUNIER e  MÁRIO ROSSI ,  em que  CARLOS  GALHARDO  é a verdadeira estampa representativa da canção   “  E  O  DESTINO  DESFOLHOU  “   [ “/ O  nosso  amor  traduzia   / Felicidade ... afeição , / Suprema glória que , um dia ,/ Tive ao alcance da mão ;/ Mas veio um dia o ciúme,/ E o nosso amor se acabou ,/ Deixando em tudo o perfume /Da saudade que ficou / Eu te vi a chorar / Vi teu pranto, em segredo, correr ,/ E parti, a cantar , sem pensar / Que doía esquecer /  Mas depois veio a dor / Sofro tanto esta valsa não diz / Meu amor de nós dois / Eu não sei qual é mais infeliz / Desfeito o ninho, a saudade / Humilde e quieta ficou / Mostrando a felicidade / Que o destino desfolhou / . “  ]  . 



Há uma enorme relação de temas musicais entre a jovialidade  e a velhice  . Quando nossos cabelos começam a determinar a cor do tempo , o homem tem  necessidade de voltar ao passado, para relembrar sua mocidade  . SÍLVIO CALDAS e ROGACIANDO LEITE   construíram , em torno do tema , lembranças doces do passado com a brilhante poesia de   “  MEUS  CABELOS  COR DE PRATA  “   [ “ / Meus cabelos cor de prata/ São beijos de serenatas / Que a lua mandou pra mim / Os meus cabelos grisalhos / São pingos brancos de orvalho /Num tinteiro de nanquim /. Estes meus cabelos brancos / Que hoje estão da cor dos bancos / Solitários de um jardim, / Já sentiram muitos dedos / E ouviram muitos segredos , / Que elas contavam para mim ./  Se hoje, estão desbotados / É porque foram beijados / Com muito amor e emoção / E os beijos foram tão puros / Que os meus cabelos escuros / Estão da cor do algodão. / Eu fiz tanta serenata / Que a lua, desfeita em prata, / Mandou mil beijos pra mim. / E os beijos foram tão puros /
 
Que os meus cabelos escuros / Ficaram brancos... assim ! / . “ ]  .  JORGE  FARAJ  e  NEWTON TEIXEIRA  deixaram para eternidade  uma das mais belas valsas , exaltando a imagem da mulher  :  “ DEUSA  DA  MINHA  RUA  “ . [ “ / A  Deusa da minha rua / Tem os olhos onde a lua / Costuma se embriagar / Os seus olhos eu suponho / Que o sol , num dourado sonho ,/ Vai claridade buscar. / Minha rua é sem graça, / Mas , quando por ela passa , / Seu vulto que me seduz , / A ruazinha modesta / É uma paisagem de festa, / É uma cascata de luz ./   Na rua uma poça d'água / Espelho da minha mágoa / Transporta o céu / Para o chão / Tal qual o chão de minha vida / Minh'alma comovida / O meu pobre coração / Infeliz da minha mágoa / Meus olhos / São poças d'água / Sonhando com seu olhar / Ela é tão rica e eu tão pobre / Eu sou plebeu / E ela é nobre / Não vale a pena sonhar / . “  ]  .  



ORESTES  BARBOSA  e  SÍLVIO  CALDAS  formaram uma dupla magnífica que em um simples lampejo criativo compuseram a brilhante valsa :  “ QUASE  QUE  EU  DISSE  “ . [ “ / Na febre dos meus desejos / Fui à procura de beijos / Em bocas tão desiguais / E agora de beijo farto / Tristonho volto pro quarto / Quero chorar... nada mais .../ Sabiam quanto eu te amava / Sabiam por que eu falava / A todos do meu amor / E logo a vespa da intriga / Originou essa briga / Oh minha amiga que horror !  /  Um coração sem carinho / É um galho que perde o ninho / Na fúria do vendaval / E é triste um ninho rolando  / E um passarinho cantando  / Em busca de um canto igual / Oh, quanta desgraça junta / Toda a cidade pergunta  / E vai dizendo o que quer / Da mágoa que me devora / E quase que eu disse agora / O nome desta mulher / .” ]   . 





Ainda dessa  dupla maravilhosa,  uma descrição lírica do amor :  “  SUBURBANA  “  [ “ /  Olhando o céu me demoro / Num verso triste é que eu choro / Ninguém vê o pranto meu / Há muita lágrima triste / Que em seu sorriso consiste / Como o poeta descreveu / Minha linda suburbana / Por trás da veneziana / Vem sorrir nesta canção / Com teus lábios de doçuras / Que são tâmaras maduras / Na flora do coração  Zona norte da cidade / Residência da saudade / Onde nasceu o teu cantor / No teu cantor comovido / Que sonha com teu vestido / Que morre por teu amor / Olho as estrelas cansadas / Que são lágrimas doiradas / No lenço azul do céu /  Estrelas são reticências / Estrelas são confidências / Do meu romance e do teu ./ “ ] . 






Completando ,  ainda , as pérolas maravilhosas compostas por ORESTES   e  SILVIO :   “  ARRANHA-CÉU  “            [ “ /  Cansei de esperar por ela / Toda noite na janela / Vendo a cidade a luzir / Nesses delírios nervosos / Dos anúncios luminosos / Que são a vida a mentir .../ E, cada  vez que subia / O elevador não trazia / Essa mulher maldição .../ E quando , lento, gemia , / O elevador que descia / Fundia  meu coração ! /  Cansei de olhar as reclames  / E disse ao peito não ame / Que o teu amor não te quer / Descansa, feche a vidraça / Esquece aquela desgraça / Esquece aquela mulher / Deitei então sobre o peito  / Vieste em sonho ao meu leito / E eu acordei que aflição / Pensando que te abraçava / Alucinado apertava  / Eu mesmo meu coração... / .” ]  .  





Esta maravilhosa música  é uma valsa composta por J. CASCATA  e  LEONEL  AZEVEDO , tendo por tema o sofrimento de amor pela perda da pessoa amada . “   LÁBIOS   QUE  BEIJEI    [ “ /  Lábios que beijei, / Mãos que eu afaguei/ Numa noite de luar, assim.../ O mar na solidão bramia, / E o vento , a soluçar , pedia / Que fosses sincera para mim/ Nada tu ouviste / E , logo , partiste / Para os braços de outro amor /Eu fiquei chorando / Minha mágoa  cantando / Sou a estátua perenal  da dor /   Passo os dias soluçando com meu pinho / Carpindo a minha dor, sozinho / Sem esperanças de vê-la jamais / Deus tem compaixão deste infeliz / Porque sofrer assim / Compadecei-vos dos meus ais. / Tua imagem permanece imaculada / Em minha retina cansada / De chorar por teu amor. / Lábios que beijei / Mãos que afaguei / Volta vem curar a minha dor. “ ]  .  





Uma verdadeira pintura da beleza feminina foi cantada e abrilhantada na voz de Carlos Galhardo , composição de Ataulfo Alves  e Aldo Cabral  :  “  A  VOCÊ  “ .  [ “ /   Em você / Tudo é encantamento / Em você  / Tudo é delumbramento / Você traduz / Sonho de luz / Anjo divino / Qual uma dádiva do céu / No meu destino / Em você / Eu encontrei querida / A realização / Do que sonhei na vida / é você / Na expressão da verdade / A minha apoteose / De felicidade ./ Seu olhar se fascina / Seu falar domina / Seu sorriso de santa / Seu andar macio / Nos encanta / Nas linhas / Do seu corpo / Há um perfume de amor / Embriagador / Em fim / Você pra mim / É a encarnação / Desta canção/ . “ ]   . 


Encerrando esta bela  viagem , embora com demonstração limitada pela grandeza numérica dessas delícias musicais , faremos uma abordagem sobre a VALSA  das  VALSAS  de CHIQUINHA GONZAGA ,   “  LUA  BRANCA  “  [ “ / Oh! Lua branca de fulgores e de encanto / Se é verdade que ao amor tu dás abrigo , / Vem enxugar dos olhos meus o pranto , / Ó vem matar esta paixão que anda / comigo./ Ai, por quem és desce do céu , ó lua / Branca , / Essa amargura do meu peito , ó vem , /Arranca, / Dá-me o luar da tua compaixão, / Ó vem por Deus , iluminar meu coração /  E quantas vezes lá no céu me aparecias / A brilhar em noite calma e constelada / E em tua luz então me surpreendias / Ajoelhado junto aos pés da minha amada / E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo / Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo / Ela partiu, me abandonou assim / Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim “ ]  .


     Reconhecemos  profundamente , com grande tristeza ,  ter de omitir algumas pérolas que , certamente , ilustraram muitas  serestas com a beleza de suas valsas , entretanto , também , admitimos   a defasagem  que há entre a produção artística de nossas valsas e o espaço oferecido para a composição de nossos artigos . “ 
        “OS   ETERNOS  SUCESSOS  MUSICAIS  ALCANÇADOS   PELAS            “ VALSAS BRASILEIRAS  “ DEVEM-SE ÀS SENSIBILIDADES  DE TODOS  NOSSOS  SERESTEIROS  QUE ACUMULAVAM EM SUAS ALMAS CADA NOTA HARMONIOSA  E BELA  VINDO DOS  CANTOS  DOLENTES NAS VOZES DOS AMANTES DAS GRANDES SERESTAS ! “
 
WALDEMAR  PEDRO  ANTONIO                              e-mail :   wpantonio@terra.com.br
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