30/06/2016 às 18h53min - Atualizada em 30/06/2016 às 18h53min

O esplendor musical nas figuras de Billy Blanco e Tito Madi

WALDEMAR PEDRO ANTÔNIO
BILLY BLANCO E TITO MADI
O  CANTINHO  MUSICAL  reserva  este  espaço  para dois expoentes de nossa Música  Popular  Brasileira ;  presenças  ativas  e  criativas  no belo Movimento Musical da Bossa  Nova:  BILLY  BLANCO  E  TITO  MADI  .

         Billy Blanco é o nome artístico de William Blanco de Abrunhosa Trindade. Billy pioneiro na transição entre o samba-canção e a Bossa Nova, cantor e compositor paraense, carioca de coração, tem sua obra reafirmada na  memória dos que curtem uma boa música . Tem um estilo próprio, descrevendo os acontecimentos a sua volta, com humor ou no gênero exaltação, falando de amor e das desilusões; onde seu samba sincopado, que fugia da cadência vigente do estilo , passa a interessar aos cantores da época. A carreira de compositor deslanchou nos anos 50, quando suas músicas foram gravadas por Dick Farney, Os Cariocas e Dóris Monteiro .   Na década de 60, Billy participou de festivais e espetáculos, nos quais começaram a vir a público seus sambas em estilo de crítica sócio-comportamental.


Seu primeiro sucesso foi Estatutos da Gafieira, na voz de Inesita Barroso e , posteriormente , estabelecendo grande aceitação na  voz de Jorge  Veiga .  O  samba é uma regra de diretrizes comportamentais que eram ,  na época , fiscalizadas com rigidez nos salões de baile ,  e eram  punidos aqueles que transgredissem os   “  ESTATUTOS  DA  GAFIEIRA  “       [ “ / Moço / Olha o vexame / O ambiente exige respeito / Pelos estatutos / Da nossa gafieira / Dance a noite inteira / Mas dance direito / Aliás / Pelo artigo 120 / O distinto que fizer o seguinte: / Subir na parede / Dançar de pé pro ar / Debruçar-se na bebida sem querer pagar / Abusar da umbigada / De maneira folgazã / Prejudicando hoje / O bom crioulo de amanhã / Será distintamente censurado / Se balançar o corpo / Vai pra mão do delegado / Ta bem, moço? / Olha o vexame, moço! /  ]  . 

Ainda compondo sambas cujo tema retrata um ambiente comum  nas gafieira , tumulto nos bons momentos do baile , Billy cria uma  crônica musical relatando uma situação em que há uma quebra da harmonia quando alguém  tira para dança uma dama marcada , o que resulta em  briga entre os cavalheiros envolvidos com a dançarina e para abafar a desordem , os sons de um trompete entram em ação com  o    “  PISTON  DE  GAFIEIRA  “  .  [ “ / Na gafieira segue o baile calmamente / Com muita gente dando volta no salão / Tudo vai bem, mas eis porém que de repente / Um pé subiu e alguém de cara foi ao chão / Não é que o Doca, um crioulo comportado / Ficou tarado quando viu a Dagmar / Toda soltinha dentro de um vestido saco / Tendo ao lado um cara fraco / E foi tirá-la pra dançar / O moço era faixa preta simplesmente / E fez o Doca rebolar sem bambolê / A porta fecha enquanto o duro vai não vai / Quem está fora não entra / Quem está dentro não sai / Mas a orquestra sempre toma providência / Tocando alto p'ra polícia não manjar / E nessa altura como parte da rotina / O piston tira a surdina e põe as coisas no lugar. / . “  ]  .

Uma das preocupações sociais de Billy Blanco era com um tratamento desigual entre as pessoas de uma mesma sociedade , não respeitando , através de um enorme preconceito , a relação de igualdade que se deva ter no relacionamento entre as pessoas . Diante desse fato , cria um samba criticando profundamente aqueles que se acham superiores aos outros , expondo com muita clareza         “  A  BANCA  DO  DESTINO  “   [ “ / Não fala com pobre, não dá mão a preto / Não carrega embrulho / Pra que tanta pose, doutor / Pra que esse orgulho / A bruxa que é cega esbarra na gente / E a vida estanca / O enfarte lhe pega, doutor / E acaba essa banca / A vaidade é assim, põe o bobo no alto / E retira a escada / Mas fica por perto esperando sentada / Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão / Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal / Todo mundo é igual quando a vida termina / Com terra em cima e na horizontal / . “  ]  .

A moda na época era forjar situações  que identificavam  com a elite   de Copacabana , demonstrando justamente aquilo que parecia ser mas não era . Billy aproveita esse gancho e compôs um samba criticando  o falso bacana :  “  MOCINHO  BONITO  “  . [ “ / Mocinho bonito / Perfeito improviso do falso grã-fino  / No corpo é atleta / Mas no crânio é menino / Que além do ABC / Nada mais aprendeu / Queimado de sol / Cabelo assanhado / Com muito cuidado / Na pinta de conde / Se esconde um coitado / Um pobre farsante que a sorte esqueceu / Contando vantagem / Que vive de renda / E mora em palácio / Procura esquecer um barraco no Estácio / Lugar de origem que há pouco deixou / Mocinho bonito / Que é falso malandro de Copacabana / O mais que consegue é um vintão por semana / A mana do peito jamais lhe negou / . “  ]  .

A próxima canção versa sobre as alegrias e tristezas da vida , resultantes de problemas que surgem  no decorrer de cada caminhada , levando uma mensagem  de consolo  cheia de otimismo  e compreensão diante de cada situação , mesclada  com  “  CANTO   CHORADO   “  .          [ “ /  O que dá pra rir dá pra chorar / Questão só de peso e medida / Problema de hora e lugar / Mas tudo são coisas da vida / O que dá pra rir dá pra chorar / No jogo se perde ou se ganha / Caminho que leva, que traz / Trazendo, alegria tamanha / Levando, levou minha paz /Tem gente que ri da desgraça / Duvido que ria da sua / Se alguém escorrega onde passa / Tem riso do povo na rua / Alegre é lugar de chegada / É triste com gente partindo / Tem sempre o adeus da amada / O riso chorado mais lindo / Eu posso cantar meu lamento / Também sei chorar de alegria / As velas no mar querem vento / No porto é melhor calmaria / Somente a palavra "sofrência" / Que em dicionário não tem / Mistura de dor, paciência / Que é riso e que é pranto também / Define o Nordeste que canta / O canto chorado da vida / Reclamam no Sul chuva tanta / Errou de lugar na caída / O que dá pra rir dá pra chorar .... / 2X / . “  ]  .

        Vez  e  hora  de dedicar um espaço para  TITO  MADI .   Chegou ao sucesso nacional nos anos 50, cantando composições suas de uma forma terna, suave, com uma afinação irrepreensível, sem trejeitos nem cacoetes , considerado  como precursor da Bossa Nova, estilo que estouraria nacional e internacionalmente, orgulhando-se de preservar, até os dias atuais, um ritmo que ajudou a criar, o samba canção. A profundeza temática de suas belas canções está até hoje  perpetuada , com muita  harmonia e maravilhosas melodias  , na memória dos fanáticos por belas composições . Diante de tal fato , desfilaremos algumas pérolas musicais  desse expoente de nosso cancioneiro .


Como primeira exibição , apresentaremos uma bela canção que fez grande sucesso . A letra versa sobre o abandono de um componente  da relação amorosa , deixando a pessoa amada  em enorme solidão e um grande sentimento saudoso :   “  CHOVE  LÁ  FORA   “ .    [ “ /  A noite está tão fria / Chove lá fora / E essa saudade enjoada / Não vai embora / Queria compreender porque partiste / Queria que soubesses como estou triste / E a chuva continua / Mais forte ainda / Só deus pode entender como é infinda / A dor de não saber / Saber lá fora onde estás, como estás / Com quem estás agora / .  “  ]   .



Em  parceria  com  Ribamar ,  Tito Madi  compôs uma linda canção que descreve um enorme desejo das pessoas amadas que , depois de uma triste separação ,  tentam reaproximação para que volte  um relacionamento em  um clima amoroso com  “  CARINHO E AMOR  “   .  [ “ / Se você quer voltar / Você quem manda amor / Nem tudo está perdido / Em nossa vida / Se eu choro por você / Você também por mim / Por que sofrer assim / Por que chorar assim / Se quer me devolver / Toda a alegria / Esqueça este orgulho / Que nos mata / E volte, por  favor / Venha correndo / Que estarei para lhe dar / Carinho e muito amor / . “  ]  . 


O  caminhar sublime  de uma musa da Zona Sul do Rio de Janeiro inspirou  Tito Madi descrever em uma bela canção os movimentos  alucinantes  de sua fonte de inspiração  no cadenciado   “  BALANÇO  ZONA  SUL  “  .   [ “ /   Balança toda pra andar / Balança até pra falar / Balança tanto que já balançou / Meu coração / Balança mesmo que é bom / Do Leme até o Leblon / E vai juntando um punhado de gente / Que sofre com seu andar / Mas ande bem devagar / Que é pra não se cansar / Vai caminhando / Balam balançando sem parar / Balance os cabelos seus / Balance e vai mas não vai / E se cair vai caindo caindo / Nos braços meus / “ .  ]   . 
      

A  preferência em  uma  triagem  feita  pelo  CANTINHO  MUSICAL ,   dentre  excelentes  compositores  brasileiros ,   a  que  mais  houve  identidade em seus  estilos   foi por  BILLY  BLANCO  e   TITO  MADI  pelas características coincidentes em  suas  expressões  musicais :   na  harmonia  ,  na  temática  , na coesão  e  na clareza  em  suas  poesias ,  na simplicidade rítmica e em suas manifestações  românticas ,  sendo  observado  que  o  acervo  musical  da  dupla apresenta  caracteres  exigidos  pelos  ouvintes  que  curtem    boas  canções .

   “  UM  BOM  ELIXIR  PARA  OS  OUVIDOS  DOS  ADEPTOS  DA  BOA  MÚSICA  TORNA A  ALMA  MAIS  PURA  E  CRISTALINA .  OS  FRASCOS  EM  QUE  ESTÃO  CONTIDAS  AS  CANÇÕES  DE  BILLY  BLACO   E   TITO  MADI   SÃO  COMPOSTOS  DE  MIRACULOSOS  LÍQUIDOS  MUSICAIS  “
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