18/08/2016 às 08h13min - Atualizada em 18/08/2016 às 08h13min

Oportunidades de mercado no direito das empresas em crise

Dr. Edmundo Gouvêa Freitas(*)
No primeiro semestre deste ano, 923 empresas ingressaram com pedido de recuperação judicial, revelando um aumento de 87,6% em relação ao mesmo período de 2015, objetivando evitar a falência preservando, com isso, os empregos e os interesses de credores.
 
Não bastasse isso, o panorama de dólar alto e problemas de caixa de diversas companhias foram responsáveis pelo record de operações societárias como fusões e aquisições, representando crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior e indicando significativa mudança na gestão de empresas.
 
Neste ambiente desfavorável, tem crescido demanda profissional pelos gestores de turnaround que são responsáveis pela condução de grandes projetos de transformação organizacional de empresas.  
 
Neste cenário carente de soluções, imprescindível a gestão empresarial abalizada por alta capacitação, multidisciplinaridade e grande capacidade analítica, cuja estratégia é reposicionar a organização para um novo momento neste processo de reestruturação.
 
A moderna vida das organizações está exigindo além da inteligência cognitiva - que envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, aprender rápido e pensar de forma abstrata - e inteligência emocional - capacidade de controlar suas emoções e impulsos, canalizar suas emoções e motivar as pessoas - a inteligência organizacional - que trata-se da capacidade de ler e entender os ambientes sociopolíticos, de aprender e praticar a cultura, entender os ritos, os mitos e heróis de cada organização. A inteligência organizacional exige tanto a inteligência cognitiva quanto a inteligência organizacional.
 
É preciso ressaltar que na engenharia de soerguimento empresarial não deve-se destruir a cultura e os valores da empresa, mas sim engajar as pessoas na mudança.
 
A expectativa de resultados de forma muito rápida pode levar à  frustração de muitos profissionais. Por isso, é importante afastar as metas surreais, respeitar o ritmo de cada segmento e do mercado, além de praticar a salutar resiliência.
 
Por fim, segundo o executivo Rolf Hoenger: "no mundo em desenvolvimento, crises não são novidade - mas geram enormes oportunidades"
 
Em última análise, o Poder Judiciário pátrio, apesar dos avanços e expressivos esforços para aperfeiçoamento do sistema processual propiciando maior celeridade e efetividade das decisões judiciais não mostra-se a via mais adequada para o regime empresarial, ganhando, com isso, cada vez mais destaque e adesão, os meios alternativos de resolução de conflitos como a conciliação, a negociação, a mediação e a arbitragem. 
 
 
(*)Edmundo Gouvêa Freitas é Mestre em Hermenêutica e Direitos Fundamentais (UNIPAC), Especialista em Direito Processual Contemporâneo (UNESA), Professor das disciplinas de Direito Societário; Falência e Recuperação de Empresas; Direito Processual Civil; Conciliação, Mediação e Arbitragem  (CESVA\FAA-RJ); Coordenador do Centro de Mediação, Conciliação e Arbitragem (NPJ\FDV-RJ); Professor de  Direito Processual Civil (UNIFAMINAS), Advogado e Consultor Jurídico \ Outsider
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