26/09/2016 às 09h35min - Atualizada em 26/09/2016 às 09h35min

COMPRA DE VOTOS

Artigo Dr. Nelsinho Edição 314 de 19.09.2016

Nelson Vieira Filho

Com o fim das Olimpíadas, o assunto eleições municipais predomina nas conversas da maioria da população. Mal comparando, para os candidatos a vereador em Leopoldina, a campanha por votos é uma corrida em busca da medalha de ouro no valor de mais de oito mil reais por mês (mais precisamente R$ 8.111,05), importância que cada vereador leopoldinense receberá de subsídio mensal na próxima legislatura. Pensando-se financeiramente, vale a pena investir na campanha.

Hoje já não há, para Presidente da Câmara, a nefasta verba de representação, que era de dois terços do salário. Há comentários de que é possível que alguém tenha raciocinado: “vou gastar a metade da verba e me eleger Presidente, pois me sobrará a outra metade como lucro”.

Garantidamente, há pessoas que se candidatariam até mesmo se o serviço prestado ao Município não fosse remunerado. Indubitavelmente, em todos os lugares há os idealistas, há cidadãos de boa vontade.  Há também os vaidosos, que querem unicamente enriquecer seu currículo. Há os que se candidatam apenas para ficar fora de seu emprego durante o período eleitoral.
Inegável que exercer a vereança é um serviço. Não dá para entender é que alguém gaste alto valor para poder prestar serviços, gaste um dinheirão na campanha, isto é, que pague antecipadamente para ser escolhido para trabalhar, esperando se ressarcir  (apenas parcialmente) se obtiver êxito eleitoral.

De algumas pessoas já ouvi que faturam ‘bem’ nas eleições, pois, incentivadas por terceiros de bom caráter, prometem voto a todo candidato que lhes oferece qualquer vantagem.  E, matreiros, recebem de todos e depois votam em quem pensam merecer seu voto.  É de se questionar quem é mais honesto (ou mais desonesto), o que recebe e não vota ou o que paga para ser votado.

Na maratona aquática das Olimpíadas Rio 2016 (a dos 10.000 mil metros de nado livre), a brasileira Poliana Okimoto chegou em quarto lugar, mas ganhou medalha de bronze, que é dada a quem conquista o terceiro lugar.  Qual o motivo? No afã de melhorar sua colocação, a francesa, que iria chegar em terceiro lugar,  empurrou a italiana, que estava chegando em segundo lugar. A francesa ‘se deu mal’, pois foi eliminada depois de pensar que havia ‘se dado bem’ com sua atitude desonesta.

Se tivesse agido assim em Leopoldina, para se desclassificar quem concorreu deslealmente em eleições anteriores, a composição da Câmara poderia ter sido diferente.  Não mentalizei nomes de interlocutores, mas já me disseram que se comenta, nem sempre a boca pequena, que alguns dos vereadores de legislaturas anteriores se “elegeram” porque foram mais rápidos, mais corajosos, mais atrevidos, na compra de votos. É certo que, para alguém se eleger fora das normas tradicionais,é preciso ter uma estratégia muito bem elaborada. Comentários sérios afiançam que há uma esperança de que a Dra. Lúcia Helena Dantas da Costa, Promotora de Justiça a quem foi entregue a ingrata tarefa de fiscalizar a lisura das próximas eleições na Comarca de Leopoldina, tenha uma estratégia para barrar atitudes incorretas, tenha muita sagacidade para observar candidatos(as) que, pessoalmente ou por intermediários, oferecem dinheiro em troca de voto, e que assim nenhum concorrente desleal consiga chegar à diplomação. E terá doce sabor a notícia de que o candidato que perdulariamente gastou dinheiro em sua companha eleitoral e que teve seu nome muitas vezes apertado no teclado de urnas eleitorais, não será vereador na legislatura 2017-2020, pois foi flagrado comprando votos, agindo em desacordo com a legislação eleitoral.

Isto mesmo!
Eu aprecio bastante o trabalho legislativo e comunitário de alguns vereadores candidatos à reeleição. Leopoldina lucraria bastante se eles fossem reeleitos; torço por eles, sonhando que não fiquem dúvidas da lisura de suas conquistas eleitorais.

Formulo boa sorte eleitoral a todos que tenham capacidade para bem exercer a vereança.

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