04/10/2016 às 06h47min - Atualizada em 04/10/2016 às 06h47min

58 – Os Botelho Falcão mais antigos: Botelho Falcão

Personagens Leopoldinenses

Luja Machado e Nilza Cantoni

Publicado no jornal Leopoldinense de 19 de setembro de 2016
Conforme anunciamos no Jornal anterior, hoje a viagem segue com os primeiros personagens do sobrenome Botelho Falcão.
Começamos com Cypriano Botelho Falcão, filho de Maria de Frias e Gaspar Botelho Falcão que se casou em 1712 com Barbara do Canto Amaral, filha de Manoel do Canto Fazenda e Maria da Costa.
Por parte de pai Cypriano era neto de Manoel Botelho Falcão II e Ana de Rezende. O avô era filho de Francisco Cabral Travassos e Clara da Fonseca II. Esta Clara da Fonseca II era filha de Manoel Botelho Falcão I e de Maria Corrêa, sendo esta filha de Sebastião Jorge Formigo e Joana Tavares.
O matrimônio de Manoel I e Maria foi celebrado em 1575 e Frutuoso o coloca como morador da Vila da Ribeira Grande por esta época. Interessante registrar que este personagem aparece pela primeira vez nas fichas genealógicas de Carlos Machado com o sobrenome Botelho Falcão, mas a mesma fonte a ele se refere também com o nome de Manoel Botelho da Fonseca. De todo modo, os dois nomes se referem ao mesmo filho de Manoel Lopes Rebelo e Clara da Fonseca I, neto paterno de Antonio Lopes Rebelo e Maria Falcoa, e neto materno de Jorge da Mota e Bartoleza da Costa.
Vale registrar que não raras vezes houve dificuldade para entender se o sobrenome era Rebelo ou Botelho, nos assentos paroquiais dos setecentos. Mas confrontando as obras de Frutuoso e de Carlos Machado vimos que o neto de Antonio Lopes Rebelo e Maria Falcoa passou a ser chamado de Manoel Botelho na página 26 do volume IV de Saudade da Terra e de Manoel Botelho Falcão na ficha número 113 de Carlos Machado. Já na ficha 119, Machado indica o nome Manoel Botelho da Fonseca para o mesmo personagem, numa clara referência ao sobrenome materno que, entretanto, não aparece nos assentos paroquiais relativos aos filhos do casal.
Dito isto, o foco da pesquisa fixa-se em dois filhos de Cypriano e Barbara: Manoel Botelho Falcão III e Antonio.
Manoel Botelho Falcão III casou-se em 1742 com Antonia Muniz de Puga, filha de Manoel de Medeiros e Thereza Muniz de Puga. O casal teve, pelo menos, seis filhos: Antonia (1743), Antonio (1745), Hierônimo (1749) e Francisco (1752), Maria e Joana Batista.
O quarto destes filhos, Francisco Botelho Falcão II, nasceu em 1752 e se casou em 1794, com Antonia de Jesus Maria, filha de João José de Faria e de Ana Eufrasia de Melo.
Francisco II e Antonia de Jesus foram pais de Antonio Botelho Falcão III que se casou em 1831, com Ana Tomazia de Arruda, filha de Antonio Pedro de Arruda e de Umbelina Rosa. Deles é o filho Antonio Botelho Falcão V, nascido em 1834 e que, segundo a já mencionada ficha 231 de Carlos Machado, transferiu-se para o Brasil.
Começa, então, com este casal o vínculo entre os Botelho Falcão açorianos e os usuários do mesmo sobrenome que viveram em Leopoldina. E as fontes consultadas indicam que Antonio Botelho Falcão V viajou para o Brasil juntamente com um primo, filho do seu tio Hierônimo.
Hierônimo Botelho Falcão, filho de Manoel Botelho Falcão III e de Antonia Muniz de Puga, nasceu em 1749 se casou com Ana de Jesus, com quem teve os filhos Antonio Botelho Falcão IV, Luiz Botelho Falcão II, José Botelho Falcão II e Francisco Botelho Falcão Sobrinho.
O mais velho, Antonio Botelho Falcão IV, nascido em 1812, casou-se em 1832 com Ana Joaquina, filha de Antonio Caetano e Maria Tomazia. O casamento foi realizado na Freguesia Água do Pau, Concelho Lagoa, e provavelmente o casal ali viveu, não tendo sido encontradas outras notícias.
Do segundo filho, Luiz Botelho Falcão II, nascido em 1816, daremos notícia mais adiante.
O terceiro filho, José Botelho Falcão II, casou-se com Luzia dos Santos, filha de Joaquim de Medeiros e Maria Caetana, com quem teve o filho José Botelho Falcão III nascido em 1861 na mesma Freguesia de Santa Cruz onde encontramos os Botelho Falcão desde o século anterior.
O Trem de História faz uma parada para descanso, porque a viagem pelos Botelho Falcão é longa. Mas na próxima edição ela continuará. Aguardem.
 
Fontes Consultadas:
Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores, livros de Santa Cruz, Lagoa:  Idem, lv.6 bat 1742-1756 fls 104 e 136v; lv.10 bat 1809-1815 fls 88; lv 14 bat 1832-1838, fls 116v; lv.23 bat 1861 fls 27; lv 3 cas, 1731-1780 fls 55; lv cas n3L4 1781-1820 fls 61; lv 4 cas 1820-1838, fls 74v e livro 6 casamentos de Água do Pau 1809-1832 fls 186v.
CANTO, Ernesto do e MACHADO, Carlos, Livro de Genealogias, ficha 113 img 119, acesso 13 jan 2016
FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra: livro IV (Ponta Delgada, Açores, Instituto Cultural Ponta Delgada, 1998), pag 17.

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