03/05/2017 às 16h26min - Atualizada em 03/05/2017 às 16h26min

Um grande poeta com enorme visão do universo e da vida 'Belchior'

WALDEMAR PEDRO ANTÔNIO
O    Cantinho   Musical   ,  com  a  alma   lacrimejando ,  abre este  espaço  e  o  coração  para  receber  respeitosamente  uma  relíquia  poética deixada  por  um  artista  que  conhecia  profundamente  todos  os  problemas  da  humanidade  e  manifestava  com  um  lirismo  brilhante  em  suas  peças  musicais  sendo  reverenciadas,  harmoniosamente,   pelo  amantes  da  boa  poesia :  “  BELCHIOR  “.

       Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes   nasceu  em Sobral, no  dia   26 de outubro de 1946  é um cantor e compositor brasileiro. Foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional em meados da década de 1970.  Belchior surgiu musicalmente em uma geração chamada de O Pessoal do Ceará, com expoentes como Fagner, Amelinha e Augusto Pontes, no fim dos anos 1960.  Foi uma geração importante, influenciada pelo Tropicalismo. Trouxeram uma nova atitude poética e de  comprometimento regional, diferente da forma tropicalista mais generalizada” .  Belchior trouxe simplicidade e sofisticação de pensamento para a música.. Ele aborda a psicanálise de uma maneira tão simples e natural em 1970. Essa naturalidade encontrou  eco nessa juventude. O cantor foi um dos grandes da música brasileira a enfrentar a ditadura.. Ele foi perseguido porque fez versos duros contra os militares, contra a rigidez dos gêneros. Ele fez uma música mais aberta do ponto de vista da sexualidade . Nos últimos anos, Belchior assumiu uma postura que evidenciou uma incompatibilidade social. Ele procurou a reclusão e o anonimato. Não gostava dos rumos da sociedade e não se adaptava  a  eles . Em 1995, parou de gravar inéditas e parou de escrever poesia. Foi se afastando do convívio social  . Suas músicas são ora líricas, ora de protesto-denúncia, falam de horror e de amor, de caos e de esperança, de poetas e de prostitutas, de Deus e do diabo, de trovadores e de viciados, de sonhadores e de anarquistas, de apaixonados e de suicidas. No que concerne à dimensão verbal, as canções de Belchior representam um verdadeiro “caso de amor” com a palavra.


   Passemos  agora  ao  desfile  das  belas  poesias  musicais  desse  cantor  e  compositor que  partiu  como  “  um  rapaz  latino-americano  “ , levando  consigo  em  um  bornal  cearense  as  maravilhas  de  suas  composições  artísticas . Iniciaremos  com  uma  canção  que  se  eternizou  na  maravilhosa  voz  e  brilhante  interpretação  de  ELIS  REGINA .  O tema  musical  versa  sobre  um  choque  de  gerações expresso  na  beleza  de  cada  verso , utilizando  as  mais  belas  manifestações  metafóricas  na  comparação lírica   “  COMO   NOSSOS   PAIS  “ .  [ “ /  Não quero lhe falar / Meu grande amor /Das coisas que aprendi / Nos discos / Quero lhe contar como eu vivi / E tudo o que aconteceu comigo / Viver é melhor que sonhar / Eu sei que o amor / É uma coisa boa / Mas também sei / Que qualquer canto / É menor do que a vida / De qualquer pessoa / Por isso cuidado, meu bem / Há perigo na esquina / Eles venceram e o sinal / Está fechado pra nós / Que somos jovens / Para abraçar meu irmão / E beijar minha menina na rua / É que se fez o meu lábio / O meu braço e a minha voz / Você me pergunta / Pela minha paixão / Digo que estou encantado / Como uma nova invenção / Vou ficar nesta cidade / Não vou voltar pro sertão / Pois vejo vir vindo no vento / O cheiro da nova estação / E eu sinto tudo na ferida viva / Do meu coração / Já faz tempo / E eu vi você na rua / Cabelo ao vento / Gente jovem reunida / Na parede da memória / Esta lembrança / É o quadro que dói mais / Minha dor é perceber / Que apesar de termos / Feito tudo, tudo, tudo / Tudo o que fizemos / Ainda somos os mesmos / E vivemos / Ainda somos os mesmos / E vivemos / Como os nossos pais / Nossos ídolos / Ainda são os mesmos / E as aparências, as aparências / Não enganam, não / Você diz que depois deles / Não apareceu mais ninguém / Você pode até dizer / Que eu estou por fora / Ou então / Que eu estou enganando / Mas é você / Que ama o passado / E que não vê / É você / Que ama o passado / E que não vê / Que o novo sempre vem / E hoje eu sei, eu sei / Que quem me deu a ideia / De uma nova consciência / E juventude / Está em casa / Guardado por Deus / Contando o seus metais / Minha dor é perceber / Que apesar de termos / Feito tudo, tudo, tudo / Tudo o que fizemos / Ainda somos / Os mesmos e vivemos / Ainda somos / Os mesmos e vivemos / Ainda somos / Os mesmos e vivemos / Como os nossos pais / . “  ]  .   


Além  de  “ Como Nossos  Pais “ ,  esta  composição  evidencia   os choques geracionais,. “Ela  também foi  gravada  por  Elis  Regina  virou referência  no  cenário  musical . Era um manifesto da sua condição de juventude, que reforçava a visão de que aquele grupo social tinha necessidade de libertação do antigo ,  em  uma  proposta  poética de  arquivar  definitivamente a      “  VELHA  ROUPA  COLORIDA  “ .  [ “ /  Você não sente, não vê / Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo / Que uma nova mudança em breve vai acontecer / O que há algum tempo era novo, jovem / Hoje é antigo E precisamos todos rejuvenescer / Nunca mais teu pai falou: She's leaving home / E meteu o pé na estrada like a Rolling Stone / Nunca mais você buscou sua menina / Para correr no seu carro, loucura, chiclete e som / Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido / O dedo em V, cabelo ao vento / Amor e flor que é do cartaz / No presente a mente, o corpo é diferente / E o passado é uma roupa que não nos serve mais / Você não sente, não vê / ...... /   (BIS ) / Como Poe, poeta louco americano / Eu pergunto ao passarinho: Blackbird, o que se faz? / Raven never raven never raven / Blackbird me responde / Tudo já ficou pra trás / Raven never raven never raven / Assum-preto me responde / O passado nunca mais / Você não sente, não vê / Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo / Que uma nova mudança em breve vai acontecer / O que há algum tempo era novo, jovem / Hoje é antigo / E precisamos todos rejuvenescer / E precisamos rejuvenescer / . “  ]  .  


Belchior  tinha  uma  visão  aguçada  para  os  problemas  sociais  e psicológicos  e  sabia  , como  ninguém  , transformá-los  em  obras  musicais . Esta  canção  retrata  um  comportamento  comum  refletido  no  convívio  da  família  onde  cada personagem  guarda  consigo  grandes  enigmas da  sua  própria  vida . A  composição expressa  cena  familiar , representada  pelas  pessoas  que  se  reúnem     “  NA  HORA  DO  ALMOÇO  “ . [ “ / No centro da sala, diante da mesa, / No fundo do prato, comida e tristeza. / A gente se olha, se toca e se cala / E se desentende no instante em que fala. / Medo. Medo. Medo. Medo. Medo. Medo / Cada um guarda mais o seu segredo, / A sua mão fechada, a sua boca aberta / O seu peito deserta, sua mão parada, / Lacrada e selada, / E molhada de medo. / Pai na cabeceira: "É hora do almoço." / Minha mãe me chama: "É hora do almoço." / Minha irmã mais nova, negra cabeleira. / Minha avó me reclama: "É hora do almoço!" / Ei, moço! / E eu inda sou bem moço pra tanta tristeza. / Deixemos de coisas, cuidemos da vida, / Senão chega a morte ou coisa parecida, / E nos arrasta moço sem ter visto a vida / Ou coisa parecida, ou coisa parecida, / Ou coisa parecida, aparecida. / Ou coisa parecida, ou coisa parecida, /Ou coisa parecida, aparecida. . “  ] .


Nesta  bela  canção ,  Belchior  deixa  nas  entrelinhas  não  só  a  trajetória  angustiante  de  sua  vida , como  se  fora  uma  autobiografia ,   mas  também  uma  crítica  velada  às  repressões  impostas  pelo  Regime  Militar , através  de  uma  vigilância  nas  composições ,  censurando qualquer  manifestação  poética  que  fizesse  alusão  ao  momento  político  .  A  demonstração  nesta  bela  composição  é  o  modo  simples  de  dizer  : “ APENAS  UM  RAPAZ   LATINO-AMERICANO  “  .  [ “  /  Eu sou apenas um rapaz / Latino-Americano / Sem dinheiro no banco / Sem parentes importantes / E vindo do interior / Mas trago de cabeça / Uma canção do rádio / Em que um antigo / Compositor baiano / Me dizia / Tudo é divino / Tudo é maravilhoso / (BIS) / Tenho ouvido muitos discos / Conversado com pessoas / Caminhado meu caminho / Papo, som, dentro da noite / E não tenho um amigo sequer / Que ainda acredite nisso não / Tudo muda! / E com toda razão / Eu sou apenas um rapaz / Latino-Americano / Sem dinheiro no banco Sem parentes importantes / E vindo do interior / Mas sei / Que tudo é proibido / Aliás, eu queria dizer / Que tudo é permitido / Até beijar você / No escuro do cinema / Quando ninguém nos vê / ( BIS ) /  Não me peça que eu lhe faça / Uma canção como se deve / Correta, branca, suave / Muito limpa, muito leve / Sons, palavras, são navalhas / E eu não posso cantar como convém / Sem querer ferir ninguém / Mas não se preocupe meu amigo / Com os horrores que eu lhe digo / Isso é somente uma canção / A vida realmente é diferente / Quer dizer / Ao vivo é muito pior / E eu sou apenas um rapaz / Latino-Americano / Sem dinheiro no banco / Por favor / Não saque a arma no "saloon" / Eu sou apenas o cantor / Mas se depois de cantar / Você ainda quiser me atirar / Mate-me logo! / À tarde, às três / Que à noite / Tenho um compromisso / E não posso faltar / Por causa de vocês / (BIS) / Eu sou apenas um rapaz / Latino-Americano / Sem dinheiro no banco / Sem parentes importantes / E vindo do interior / Mas sei que nada é divino / Nada, nada é maravilhoso / Nada, nada é secreto / Nada, nada é misterioso, não / Na na na na na na na na / . “  ]  . 


Esta bela  canção expressa  em  seus  lindos  versos  a  história  de  um  homem  exilado  durante  a  ditadura  militar  brasileira  que , após a  promulgação da  Lei  da  Anistia , volta  a  seu  país .  Belchior  demonstra  a  saudade  de  casa  e  de  seu  país , retratando  a  distância  por  meio  das  ilhas  sempre tão  longe  do  continente e  o  grande  período de  tempo por  meio  do  blusão  de  couro  que  precisou  de  bastante  tempo  para  se  deteriorar . O  eixo  semântico  do  poema  é  a  mensagem  de  querer tudo outra vez, querer, de certa forma, recuperar  todo o tempo perdido em que esteve fora e distante :   “   TUDO  OUTRA  VEZ   “  .  [ “ / Há tempo, muito tempo / Que eu estou / Longe de casa / E nessas ilhas / Cheias de distância / O meu blusão de couro / Se estragou / Oh! Oh! Oh!... / Ouvi dizer num papo / Da rapaziada / Que aquele amigo / Que embarcou comigo / Cheio de esperança e fé / Já se mandou / Oh! Oh! Oh!... / Sentado à beira do caminho / Prá pedir carona / Tenho falado / À mulher companheira / Quem sabe lá no trópico / A vida esteja a mil... / E um cara / Que transava à noite / No "Danúbio azul" / Me disse que faz sol / Na América do Sul / E nossas irmãs nos esperam / No coração do Brasil... Minha rede branca / Meu cachorro ligeiro / Sertão, olha o Concorde / Que vem vindo do estrangeiro / O fim do termo "saudade" / Como o charme brasileiro / De alguém sozinho a cismar... / Gente de minha rua / Como eu andei distante / Quando eu desapareci / Ela arranjou um amante / Minha normalista linda / Ainda sou estudante / Da vida que eu quero dar... / Até parece que foi ontem / Minha mocidade / Com diploma de sofrer / De outra Universidade / Minha fala nordestina / Quero esquecer o francês... / E vou viver as coisas novas / Que também são boas / O amor, humor das praças / Cheias de pessoas / Agora eu quero tudo / Tudo outra vez... / . “  ]  .


O título dessa canção já anuncia sua natureza  metadiscursiva  (   significa :  “ discurso  sobre  discurso “ ,  porque   é totalmente permeada pelo poema  homônimo  de João Cabral de Melo Neto.. ). ‘A palo seco’, ou ‘cante  puro’, é uma expressão espanhola que significa ‘cantar sem o acompanhamento de instrumentos  . Ela   marca  na  carne  dos  ouvintes  uma  mensagem  maravilhosa ,   feita , magistralmente  , por  Belchior  com  sua  lucidez  política .  Cria   em  suas  linhas  poéticas  um  canto  de  alerta ,  entoando  uma  realidade, sem muitos rodeios, sem mais nem mesmo, de olhos abertos, à palo seco. E podia até  ser moda, porque  as pessoas sempre acham que movimento social é moda .  Ele quer que machuque, que  corte, que deixe marca.  Canta  para que nós, que o ouvimos, sejamos atingidos por suas palavras ,  tendo  esperança de que  faremos alguma coisa, se esse canto conseguir chegar aos nossos corações. Por trás dessa magnífica canção escondem-se histórias e ideologias  :    “   A   PALO   SECO   “  .  [ “ / Se você vier me perguntar por onde andei / No tempo em que você sonhava / De olhos abertos, lhe direi: / Amigo, eu me desesperava / Sei que assim falando pensas / Que esse desespero é moda em 73 / Mas ando mesmo descontente / Desesperadamente eu grito em português / Mas ando mesmo descontente / Desesperadamente eu grito em português / Tenho vinte e cinco anos / De sonho e de sangue / E de América do Sul / Por força deste destino / Um tango argentino / Me vai bem melhor que um blues / Sei que assim falando pensas / Que esse desespero é moda em 73 / E eu quero é que esse canto torto / Feito faca, corte a carne de vocês / E eu quero é que esse canto torto / Feito faca, corte a carne de vocês / . “  ] .

Esta  linda  canção  é  o  perfeito  retrato  de  uma  conceituação  sublime  sobre  a  pureza  do  amor e  do  valor  real  de  uma  verdadeira  paixão . Belchior  expressa , liricamente  em  cada  verso,  os  momentos  do  prazer , mesclando  filosoficamente  a  pureza  da  carne  com a beleza   da  alma , o  que  valoriza  os  aspectos  de  um  relacionamento  amoroso  cantado , decantado   e  contado  com  muita  pureza   através  da   “  DIVINA  COMÉDIA  HUMANA  “ .  [ “ / Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol / Quando você entrou em mim como um Sol num quintal / Aí um analista amigo meu disse que desse jeito / Não vou ser feliz direito / Porque o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual / Aí um analista amigo meu disse que desse jeito / Não vou viver satisfeito / Porque o amor é uma coisa mais profunda que uma transa sensual / Deixando a profundidade de lado / Eu quero é ficar colado à pele dela noite e dia / Fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão, morando na filosofia / Quero gozar no seu céu, pode ser no seu inferno / Viver a divina comédia humana onde nada é eterno / Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso / E eu vos direi no entanto: / Enquanto houver espaço, corpo, tempo e algum modo de dizer não eu canto / . “  ]  .

Em  estado  alucinante , Belchior  transcreve  um  cenário  do  cotidiano , demonstrando  toda  sua  experiência  com  a  realidade  da  vida  e  negando  quaisquer  raciocínios  teóricos . Faz , poeticamente,   uma  linda  trajetória  comparativa dos  momentos  cruciantes que  a  vida  nos  oferece , rejeitando  tudo  que  lhe  parece  supérfluo  como  fruto  de  sua   “  ALUCINAÇÃO  “ .                      [ “  /  Eu não estou interessado em nenhuma teoria, / Em nenhuma  fantasia, nem no algo mais / Nem em tinta pro meu rosto ou oba oba, ou melodia / Para acompanhar bocejos, sonhos matinais / Eu não estou interessado em nenhuma teoria, / Nem nessas coisas do oriente, romances astrais / A minha alucinação é suportar o dia-a-dia, / E meu delírio é a experiência com coisas reais / Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha / Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais / Garotas dentro da noite, revólver: cheira cachorro / Os humilhados do parque com os seus jornais / Carneiros, mesa, trabalho, meu corpo que cai do oitavo andar / E a solidão das pessoas dessas capitais / A violência da noite, o movimento do tráfego / Um rapaz delicado e alegre que canta e requebra, é demais / Cravos, espinhas no rosto, Rock, Hot Dog, "play it cool, Baby" / Doze Jovens Coloridos, dois Policiais / Cumprindo o seu (maldito) duro dever e defendendo o seu amor e nossa vida  / Cumprindo o seu (maldito) duro dever e defendendo o seu amor e nossa vida / Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria, em nenhuma fantasia, nem no algo mais / Longe o profeta do terror que a laranja mecânica anuncia / Amar e mudar as coisas me interessa mais / Amar e mudar as coisas, amar e mudar as coisas me interessa mais. / “  ]  . 

Um  dos  intuitos  para  superar  o  acanhamento  conquistador  de  um  jovem  foi estruturado  por  Belchior  em  uma  canção  simples  em  que , com  temor da  viagem  em  avião ,  serviu  de  motivo  para  a  aproximação  de  sua  amada , o  que  o  tornou  tranquilo  diante  da  situação :      “   MEDO  DE  AVIÃO  “ .  [ “ /  Foi por medo de avião / Que eu segurei / Pela primeira vez a tua mão / Um gole de conhaque / Aquele toque em teu cetim / Que coisa adolescente / James Dean / Foi por medo de avião / Que eu segurei / Pela primeira vez a tua mão / Não fico mais nervoso / Você já não grita / E a aeromoça, sexy / Fica mais bonita / Foi por medo de avião / Que eu segurei / Pela primeira vez a tua mão / Agora ficou fácil / Todo mundo compreende / Aquele  toque Beatle / I wanna hold your hand / Agora ficou fácil / Todo mundo compreende / Aquele toque Beatle  / I wanna hold your hand / Aquele toque Beatle / I wanna hold your hand / Yeh, Yeh, Yeh! / Yeh, Yeh, Yeh! / Yeh, Yeh, Yeh! / Yeeeh! / . “  ]  .                                              
      
O  Cantinho  Musical  encerra , com  enorme  tristeza , esta  apresentação  dentre  muitas  belas  manifestações  do  cancioneiro  deste   brilhante  poeta , compositor  e  músico , com  uma  maravilhosa  criação .  Belchior  explora,  nesta  bela  canção,  uma  forma  de  dizer,  nas  entrelinhas  com  competente  recurso  literário,  sua   insatisfação  , transmitindo  um  recado  para  as  forças ocultas  que  impediam  a  sua  alegria ,   expressando  no  poema  em  forma  de  lamento   sua  infelicidade , entretanto  a  força  da  canção não  o  deixa  mudo , reagindo,  através  das  poesias, contra  a  situação  imposta  pelo  momento  do  regime  autoritário . Busca,  com  a  mais  alta  simplicidade,  os  símbolos que  representam  a  sua  felicidade :   “  GALOS ,  NOITES  E  QUINTAIS  “.      [ “ / Quando eu não tinha o olhar lacrimoso, / que hoje eu trago e tenho; / Quando adoçava meu pranto e meu sono, / no bagaço de cana do engenho; / Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus, / fazendo eu mesmo o meu caminho, / por entre as fileiras do milho verde / que ondeia, com saudade do verde marinho: / Eu era alegre como um rio, / um bicho, um bando de pardais; / Como um galo, quando havia... / quando havia galos, noites e quintais. / Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo / o mal que a força sempre faz. / Não sou feliz, mas não sou mudo: / hoje eu canto muito mais . / .  “   ]  .
      
       “   SE   VIVER  É  MELHOR  QUE  SONHAR  “ ,  BELCHIOR  ETERNIZA-SE  PARA  A  VIDA  ATRAVÉS  DE  SEUS  SONHOS  CRIADORES  DE  MUITAS  INSPIRAÇÕES  POÉTICAS . “  VOCÊ  PODEM  ATÉ  DIZER  QUE  EU  ESTOU  POR  FORA , OU  ENTÃO  QUE  ESTOU  INVENTANDO , MAS  É  VOCÊ  QUE  AMA  O  PASSADO  (  OU  É  :  É  VOCÊ  QUE  É  MAL  PASSADO  ? )  E  QUE  NÃO  VÊ “  A  IMPORTÂNCIA  DESTE  POETA  E  COMPOSITOR  NO  CENÁRIO  DA  CULTURA  LITERÁRIA  BRASILEIRA  ? !!  “
 
Waldemar  Pedro  Antonio                             e-mail  :  wpantonio@terra.com.br
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