12/06/2017 às 19h08min - Atualizada em 12/06/2017 às 19h08min

O julgamento do TSE

Paulo Lucio - Carteirinho
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu por maioria (4 a 3) a absolvição da chapa Temer/PSDB. O leitor deve tá pensando que eu fiz confusão. Afinal, o julgamento era da chapa Dilma/Temer. 

Vale lembrar que a chapa Dilma/Temer deixou de existir logo após o impeachment da presidente Dilma. De lá pra cá, a chapa que assumiu foi à chapa Temer/PSDB. Caso fosse aprovada a cassação da chapa, quem sairia seria Temer. Logo, podemos dizer que o julgamento foi da chapa Temer/PSDB. E não da chapa Dilma/Temer.

Com a absolvição, a chapa Temer/PSDB continua no poder. Podemos dizer que a questão política pesou.  Tendo em vista que a cassação aumentaria a crise política e econômica. 

Isso fica nítido nas falas do presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes, que foi o voto decisivo. Segundo ele: “Prefere-se manter um governo ruim e mau escolhido do que tirar a estabilidade de país". Completa ele, fiquei preocupado com o levantamento apresentado pelo ministro Herman que indicava a necessidade de “cassar todos os mandatos até 2006”.

Não sou de concordar muito com Gilmar Mendes, agora tenho que concordar com ele quando diz das consequências dessa cassação. Caso a chapa Dilma/Temer fosse cassada, diversas outras chapas também deveriam ser cassadas. Afinal, quase todas utilizaram das mesmas práticas que a chapa Dilma/Temer. Principalmente, na questão dos recebimentos de doações (ou propinas) de empresas e uso do Caixa 2. Como vem demostrando as investigações da Operação Lava-Jato. 

Seria caça as bruxas. Sobrariam poucas chapas. Cassariam e puniriam presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos, vereadores. Isso pesou no julgamento. Que acabou sendo político. 

Na verdade, esse processo foi político. Não tem nada de jurídico, ético ou moral. Afinal, quem entrou com a ação foi o Diretório Nacional do PSDB e a Coligação Muda Brasil (Aécio Neves). Que inclusive praticou atos que ele acusa.  Ou seja, o sujo falando do mal lavado. 

O pedido de cassação da chapa foi mais uma tentativa para derrubar Dilma. Além da cassação da chapa, os tucanos pediram recontagem dos votos, não diplomação da presidente Dilma, entraram com processos de impeachment, obstrução dos trabalhos legislativa e patrocinaram manifestações contra o governo. 

Dificilmente Dilma conseguiria terminar seu mandato. O que os tucanos não previam é que suas ações prejudicariam o novo governo. O qual fazem parte. Inclusive, chegaram a mudar de opinião em relação à cassação da chapa. Trabalhando contra a cassação.  Por muito pouco os tucanos não provam do próprio veneno.

Por falar em mudar de opinião, o PT também mudou.  Até então, o partido era contrário à cassação da chapa. Com a saída de Dilma, o partido viu na cassação uma forma de derrubar Temer. Além de uma possibilidade para realizar eleição direta. O partido ficou entre a cruz e a espada. 

Esse processo serviu para mostrar como funciona a política. Quem era a favor passou ser contra. Quem era contra passou ser a favor. Quem deveria ser neutro acabou tomando partido. 

No final, quem acabou sendo julgado foi o TSE. 


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