06/02/2017 às 08h49min - Atualizada em 06/02/2017 às 08h49min

Leitor alerta para presença de obstáculos no leito do Feijão Cru

Córrego tem 18 quilômetros de extensão e sua nascente localiza-se a uma altitude de 480 metros margeando a estrada que liga a cidade ao distrito de Providência.

Edição: Luiz Otávio Meneghite
Manilhas deixadas pela Prefeitura
No córrego Feijão Cru, há anos, a Prefeitura deixou quatro manilhas de cimento obstruindo o leito do rio. O alerta é do leitor Paulo Roberto Lisboa que mora  numa rua próxima do curso d’água. “Vamos melhorar o fluxo normal d’água, já que o velho ribeirão está assoreado e poluído. Uma máquina com um cabo de aço puxa esses obstáculos localizados a poucos metros dos fundos do Colégio Estadual Botelho Reis”, sugere. Na mesma linha de Paulo Roberto, a leitora Maria do Carmo Ribeiro observa que em quase toda a extensão do córrego existem obstáculos que retêm entulhos tornando lento o fluxo do curso d’água. Segundo ela, “são entulhos trazidos pelas enchentes ou jogados pela mão do homem, este o maior causador da poluição do Feijão Crú”, denuncia. Também o Oficial de Justiça Miguel Pires faz um alerta relacionado à ponte da rua Professor Joaquim Guedes Machado, onde, segundo ele, ferragens da estrutura estão expostas e uma trinca na base da ponte podem ser sinal de ruína eminente. Entre outras mensagens enviadas via facebook ou e-mail’s ao jornal Leopoldinense, leitores dizem que a Prefeitura de Leopoldina faz a capina das margens com certa freqüência, mas, não retira do leito obstáculos encontrados que vão desde troncos de árvores a vasos sanitários e animais mortos além de entulho de construção e vários tipo de dejetos.

Obstáculos diminuem a velocidade da água

Há quase 7 anos governo federal destinou verbas para esgoto de Leopoldina

Há quase 7 anos, o jornal Leopoldinense noticiava em destaque na capa de sua edição nº 156, de 16 de maio de 2010: ‘Leopoldina pode receber R$28 milhões do PAC 2  para saneamento’.

Urubú de olho na carniça jogada no Feijão Crú

Segundo a matéria o governo federal realizou uma série de reuniões com prefeituras, governos estaduais e parlamentares para apresentar, debater e prestar esclarecimentos sobre as formas de acesso e os critérios de seleção da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Saneamento, habitação, pavimentação, combate a enchentes e contenção de encostas foram os temas discutidos na sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília. A Prefeitura de Leopoldina esteve presente com a esperança de trazer cerca de R$28 milhões para  obras de saneamento dos córregos que cortam Leopoldina: o Feijão Crú, o Jacaréacanga, o do bairro Quinta Residência e o do bairro Três Cruzes com base em projeto de saneamento elaborado pela COPASA para a cidade de Leopoldina cujos custos alcançavam a cifra de R$26 milhões e em valores atualizados para 2010, R$28 milhões. O projeto básico da COPASA consistia na captação do esgoto lançado nos córregos através da instalação de interceptores colocados nas suas margens e a construção de duas ETEs-Estações de Tratamento de Esgoto, uma na saída para Cataguases que captaria os efluentes do Feijão Crú e Quinta Residência e outra abaixo do bairro Thomé Nogueira captando os resíduos do Jacaréacanga e do Três Cruzes.

Ponte trincada e com ferragem à mostra

Serviço Autônomo de Água e Esgoto iria administrar tratamento de esgoto em Leopoldina

Reunidos extraordinariamente no dia 03 de dezembro de 2010, os vereadores aprovaram por unanimidade, o Projeto de Lei nº 40/2010, de autoria do Poder Executivo criando o Serviço Autônomo de Água e Esgoto do Município de Leopoldina/MG - SAAE como entidade autárquica de direito público, da administração indireta. Segundo o texto aprovado pelos vereadores, o SAAE exerceria a sua ação em todo o município, competindo-lhe com exclusividade, salvo concessão legal: estudar, projetar e executar, diretamente ou mediante contrato com organizações especializadas em engenharia sanitária, as obras relativas à construção, ampliação ou remodelação dos sistemas públicos de abastecimento de água potável e de esgotos sanitários. Entre as atribuições do SAAE estava a de atuar como órgão coordenador e fiscalizador da execução dos convênios entre o município e os órgãos federais ou estaduais para estudos, projetos e obras de construção, ampliação ou remodelação dos serviços públicos de abastecimento de água e de esgotos sanitários.

Competiria também à autarquia operar, manter, conservar e explorar, diretamente, os serviços de água e esgotos sanitários, na sede, nos distritos e nos povoados além de lançar, fiscalizar e arrecadar taxas de contribuição que incidirem sobre os terrenos beneficiados com tais serviços, exercendo quaisquer outras atividades relacionadas com os sistemas públicos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, compatíveis com as leis gerais e especiais. De acordo com a Lei aprovada pela Câmara Municipal de Leopoldina, o Poder Executivo teria o prazo máximo de 120 dias, para elaborar os decretos e portarias necessários à completa regulamentação da Lei aprovada pelos vereadores, aí compreendidos o regulamento dos Serviços de Água e Esgoto e o Regimento Interno da Autarquia. Tais atos, se foram feitos, não tiveram a devida publicidade.

A concessão da à COPASA autorizada na Lei Municipal n° 3.426, de 17 de junho de 2002, e seu respectivo aditivo, ainda permanecem em vigor.

Definida a empresa vencedora da concorrência pública do esgoto de Leopoldina

A Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura de Leopoldina abriu no dia 21 de maio de 2015, os envelopes contendo as propostas das empresas habilitadas Concorrência Pública para realização das obras de ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário de Leopoldina. Saiu vencedora do certame a Infracon Engenharia e Comércio Ltda, de Belo Horizonte, que apresentou o menor preço: R$ 29.196.581,48. O resultado foi homologado pelo prefeito José Roberto de Oliveira que enviou o processo à Caixa Econômica Federal para a liberação dos recursos orçados para a obra no valor de R$32.810.097,92. Uma fonte do jornal Leopoldinense aventou a possibilidade da atual crise política e econômica atrapalhar a liberação da totalidade dos recursos inviabilizando a realização da obra.

Onde serão gastos os R$ 29.196.581,48.

A empresa vencedora da Concorrência Pública aberta pela Prefeitura de Leopoldina, assinou contrato para realizar obras de ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário na cidade de Leopoldina. Os recursos são oriundos de parceria firmada entre o Município e o Governo Federal via Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal. De acordo com o edital publicado na edição nº 1462, do Diário Oficial dos Municípios Mineiros, no dia 25 de março de 2016, a obra contempla todos os subsistemas dos córregos Feijão Cru e Jacarecanga, incluindo rede coletora, interceptor, ligações prediais, estação elevatória, linha de recalque/extravasor, estações de tratamento de esgoto e serviços complementares de engenharia; contenção e geoconformação das margens dos córregos conforme planilhas, cronograma físico–financeiro, especificações, projetos básicos e memorial descritivo anexos ao projeto, no período de 24 meses ou 730 dias a contar da contratação da vencedora da Concorrência Pública.

A história do Feijão Cru

Segundo a Wikipédia, a enciclopédia livre da Internet, o córrego Feijão Cru é um afluente da margem direita do rio Pomba e, portanto, um subafluente do rio Paraíba do Sul. Apresenta 18 km de extensão e drena uma área de 97 quilômetros quadrados.  Sua nascente localiza-se no município de Leopoldina, a uma altitude de aproximadamente 480 metros margeando a estrada que liga a cidade ao distrito de Providência. O ribeirão atravessa a área central da cidade de Leopoldina. Na zona rural do município, cerca de 6 quilômetros após receber o ribeirão do Banco, seu principal afluente, o Feijão Cru tem sua foz no rio Pomba. O curso d'água aparece com o nome Feijão Cru em documentos oficiais desde 1817, como referência para demarcação das sesmarias concedidas às famílias dos primeiros povoadores de Leopoldina. Segundo a tradição local, o nome se deve a um incidente ocorrido no início do século XIX, quando os tropeiros que trafegavam pela bacia do rio Pomba acamparam em uma clareira ao lado de um córrego e acenderam o fogo para espantar os animais e cozinhar a refeição. O cozinheiro dormiu ao lado da fogueira e permitiu que o fogo se apagasse, o que deixou completamente cru o feijão que estava sendo preparado.

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