14/02/2017 às 07h59min - Atualizada em 14/02/2017 às 07h59min

Estudo aponta municípios de Minas Gerais que mais regeneraram a Mata Atlântica

Águas Vermelhas, Teófilo Otoni e Novo Oriente de Minas foram os que mais recuperaram a floresta em 30 anos, segundo Fundação SOS Mata Atlântica e INPE

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta segunda-feira (13/2) uma avaliação detalhada sobre a regeneração da Mata Atlântica no estado de Minas Gerais. O Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora a distribuição espacial do bioma, identificou a regeneração de 59.850 hectares (ha), ou o equivalente a 598,5 km2, entre 1985 e 2015. A área corresponde a aproximadamente o tamanho da cidade de Monte Santo de Minas. Segundo os dados do Atlas, Águas Vermelhas foi o município que apresentou mais áreas regeneradas no período avaliado, num total de 3.666 ha, seguido da cidade de Teófilo Otoni (2.017 ha), Novo Oriente de Minas (1.988 ha), Berizal (1.902 ha) e Curral de Dentro (1.395 ha).
Confira na tabela abaixo a regeneração ocorrida nos municípios: 

 
UF Município Área Município (ha) Área Município na Lei MA (ha) % Município na Lei MA Regeneração 1985 a 2015 (ha)
MG Águas Vermelhas 125.928 125.928 100,0% 3.666
MG Teófilo Otoni 324.227 324.227 100,0% 2.017
MG Novo Oriente de Minas 75.515 75.515 100,0% 1.988
MG Berizal 48.876 48.484 99,2% 1.902
MG Curral de Dentro 56.826 46.457 81,8% 1.395
MG Juvenília 106.470 69.666 65,4% 1.290
MG Pedra Azul 159.465 159.465 100,0% 1.146
MG Caraí 124.220 124.220 100,0% 1.011
MG Crisólita 96.620 96.620 100,0% 967
MG Ladainha 86.629 86.629 100,0% 948
 

O estudo analisa principalmente a regeneração sobre formações florestais que se apresentam em estágio inicial de vegetação nativa, ou áreas utilizadas anteriormente para pastagem e que hoje estão em estágio avançado de regeneração. Tal processo se deve tanto a causas naturais, quanto induzidas por meio do plantio de mudas de árvores nativas. Águas Vermelhas e Teófilo Otoni figuram na lista dos municípios que mais perderam cobertura florestal nativa.  Já Jequitinhonha, que está no topo do destamento em Minas Gerais, recuperou apenas 507 hectares. A Mata Atlântica cobria originalmente 47% da área de Minas Gerais, ou seja, um pouco mais de 27,6 milhões de hectares. Hoje, restam apenas 2.841.728 milhões hectares do bioma – 10,3% desse total. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais, nos últimos 30 anos foram desmatados 362.525 mil hectares de Mata Atlântica no estado. Dos 853 municípios mineiros, 725 têm ocorrência da Mata Atlântica.  Minas Gerais conta com nove entre os 100 municípios que mais desmataram entre 1985 e 2015, de acordo com o Atlas dos Municípios da Mata Atlântica. A área total desmatada por eles é de 52.249 mil hectares, ou cerca de 522 quilômetros quadrados, o equivalente a ao espaço de quase 35 aeroportos com o tamanho do Internacional de Belo Horizonte (Confins).

Bons ventos na Mata Atlântica

Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 83% do desmatamento do bioma. De acordo com Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, sete dos 17 estados da Mata Atlântica já apresentam nível de desmatamento zero. “Agora, o desafio é proteger o que resta e recuperar e restaurar as florestas nativas que perdemos. Embora o levantamento atual não assinale as causas da regeneração, ou seja, se ocorreu de forma natural ou se decorre de iniciativas de restauração florestal, é um bom indicativo de que estamos no caminho certo”, afirma Marcia. Ao longo da história, a ONG foi responsável pelo plantio de 36 milhões de mudas de árvores nativas espalhadas pelo país, especialmente nas áreas de preservação permanente, no entorno de nascentes e margens de rios produtores de água.  A Fundação SOS Mata Atlântica também restaurou uma área em Itu, uma antiga fazenda de café, que hoje é destinada para atividades relacionadas à conservação dos recursos naturais, restauração florestal e educação ambiental.  “Durante o monitoramento, constatou-se a existência de outras áreas ocupadas por comunidades de porte florestal em diversos estágios intermediários de regeneração, áreas essas que devem ser mapeadas e divulgadas em futuros estudos”, esclare Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador técnico do estudo pelo INPE. Este estudo foi realizado com o patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan. A análise se baseia em imagens geradas pelo sensor OLI a bordo do satélite Landsat 8. O Atlas utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e de geoprocessamento para monitorar remanescentes florestais acima de 3 ha.

Sobre a Mata Atlântica

A Mata Atlântica está distribuída ao longo da costa atlântica do país, atingindo áreas da Argentina e do Paraguai nas regiões Sudeste e Sul. De acordo com o Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, a Mata Atlântica abrangia originalmente 1.309.736 km2 no território brasileiro. Seus limites originais contemplavam áreas em 17 estados: PI, CE, RN, PE, PB, SE, AL, BA, ES, MG, GO, RJ, MS, SP, PR, SC e RS. Nessa extensa área vivem atualmente mais de 72% da população brasileira.

Sobre a Fundação SOS Mata Atlântica

A Fundação SOS Mata Atlântica atua há 30 anos na proteção dessa que é a floresta mais ameaçada do país. A ONG realiza diversos projetos nas áreas de monitoramento e restauração da Mata Atlântica, proteção do mar e da costa, políticas públicas e melhorias das leis ambientais, educação ambiental, campanhas sobre o meio ambiente, apoio a reservas e unidades de conservação, dentre outros. Todas essas ações contribuem para a qualidade de vida, já que vivem na Mata Atlântica mais de 72% da população brasileira. Os projetos e campanhas da ONG dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar a existir. Saiba como você pode ajudar em www.sosma.org.br.

Sobre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) atua nas áreas de Observação da Terra, Meteorologia e Mudanças Climáticas, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Possui laboratórios de Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais de monitoramento florestal, previsão do tempo e clima, rastreio e controle de satélites, medidas de queimadas, raios e poluição do ar. O INPE aposta na construção de satélites para produção de dados sobre o planeta Terra, e no desenvolvimento de pesquisas para transformar estes dados em conhecimento, produtos e serviços para a sociedade brasileira e para o mundo. Também se dedica à distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes e ensaios industriais de alta qualidade. Além disso, o Instituto transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial. Mais informações em www.inpe.br.

Fonte: Elder Monteiro, Alberto Komatsu  e Debora Dias, da Fundação SOS Mata Atlântica Máquina 

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