23/04/2017 às 17h58min - Atualizada em 23/04/2017 às 17h58min

IBGE faz censo agropecuário em 5,3 milhões de propriedades em outubro

“Será o censo mais preciso, objetivo, enxuto, mais rápido e valioso para formulação de políticas públicas", garante Paulo Rabello, presidente do IBGE

HeleniceLaguardia – O Tempo
O censo servirá para nortear o agronegócio do país, garante Rabello.
No próximo mês de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inicia um novo censo agropecuário em 5,3 milhões de estabelecimentos em todo o país.  “Há uma relação de quatro a cinco estabelecimentos de característica de agricultura familiar para cada uma propriedade de caráter empresarial. É um censo agro social e empresarial”, disse Paulo Rabello, presidente do IBGE, durante o Fórum Empresarial do Lide - Grupo de Líderes Empresariais que termina neste domingo, em Foz do Iguaçu (PR).

As visitas às propriedades vão acontecer entre 01 de outubro deste ano a 28 de fevereiro de 2018 com a divulgação dos dados preliminares em maio do ano que vem. “Será o censo mais preciso, objetivo, enxuto, mais rápido e valioso para formulação de políticas públicas. O último censo foi em 2007, estamos 11 anos atrasados. A lei diz que o censo agropecuário deveria ser quinquenal”, informou o economista. 

Gastos

Antes oneroso, o custo de um censo agropecuário deste porte no país era de R$ 1,6 bilhão. Agora, não mais. O custo total do censo 2017 é de cerca de R$ 770 milhões, o que corresponde a 50% do número original. “Cada contribuinte brasileiro que está pagando impostos no Brasil, considere-se recebendo uma cota-parte de R$ 800 milhões que estamos devolvendo e num censo que vai ser melhor que o anterior”, comparou o presidente do IBGE diante da economia de custos.

A programação do antigo censo, segundo Rabello, era muito complexa, de execução muito demorada, com mais de 2 horas de duração. “Isso aumentava a quantidade de recenseadores para cumprir a realização de um questionário tão elaborado. Fizemos uma operação plástica mantendo toda a temática do questionário, com informações básicas que vão gerar futuras pesquisas, mas tiramos o excesso que até prejudicava”, explicou Rabello. Agora, serão 700 opções de resposta.

Censo mais objetivo também demandará menos gente em campo. De 82 mil recenseadores necessários para a coleta do material, agora são necessários 26 mil recenseadores temporários. “Essa é a racionalização, isso significa respeitar o dinheiro do contribuinte e manter a mesma qualidade do censo com questionário enxuto, preciso, e rápido de 40 minutos de execução remetido eletronicamente”, detalhou Rabello.

O censo servirá para nortear o agronegócio do país. “É para saber os mercados existentes, quem produz o quê, por qual preço. Ele serve para desenhar as políticas públicas, onde estão os assentados, onde estão as irrigações, dentre outros”, avaliou o dirigente.

Outras pesquisas. A partir de 12 de junho, o presidente do IBGE informou que o órgão federal inicia um novo levantamento que é a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) que vai atualizar as ponderações do orçamento familiar. “A POF vai dar base para saber como é que se calcula a inflação brasileira, o IPCA. Não é só isso, todos os produtores que comercializam seus produtos querem saber quanto gasta a família brasileira: em que ela gasta, nos mínimos detalhes, quanto gasta com produtos alimentares, cosméticos, de limpeza, quanto gastou na parcela do automóvel”, detalhou.

A POF será repetida mensalmente, durante 12 meses, para que tenha validade em todo o ano. “O IPCA já é a variação de preços numa determinada cesta de gasto de uma família típica. Qual é a família típica? É uma pesquisa nacional para ter uma significância”, contou Rabello.

O orçamento anual do IBGE, atualizado pelo ministro do planejamento, Diogo Oliveira, está na faixa de R$ 2 bilhões anuais. O IBGE conta com cerca de 5.200 funcionários efetivos e cerca de pouco mais de 4.000 contratados para fazer o apoio nas entrevistas.

País paga quase R$ 500 bilhões em juros por ano

Responsável pelo encerramento dos debates durante o Fórum Empresarial do Lide - Grupo de Líderes Empresariais em Foz do Iguaçu, o presidente do IBGE, Paulo Rabello, disse que uma coisa ainda não entrou nos eixos neste país: o pagamento de juros do governo federal que, no ano passado, foi de quase R$ 500 bilhões. “Neste ano há uma tendência de gastar menos do que isso, com a queda da taxa Selic. Se ela ficar abaixo dos 10% é um ganho expressivo. Estamos pagando acima de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), o que é uma conta indigesta quando não deveríamos estar pagando mais do que 3% se comparar com nossa proporção de endividamento frente a outros países. Se o Brasil fosse normal na sua atividade financeira teria um patamar generalizado de juros muito mais baixo não somente para empresas como para as pessoas”, afirmou Rabello que é doutor em economia pela Universidade de Chicago.

Para o economista, o percentual razoável com juros seria de 2% a 2,5% do PIB, sabendo que o PIB é de R$ 6 trilhões, ou seja, são R$ 120 bilhões. “Chega a ser uma vergonha”, criticou. “Vamos supor que este ano vá pagar R$ 420 bilhões (de juros), a diferença de R$ 120 bilhões para R$ 420 bilhões, são R$ 300 bilhões. Nenhuma outra economia é tão enorme quanto essa economia potencial de juros de R$ 300 bilhões. “Pagar juros é essencial, mas, desde que a gente consiga combinar juros decentes. Em 2019, se o povo eleger gente que vá fazer essa conta fechar, eu diria que em apenas seis meses ela fecha, mas aí já é uma outra plataforma de governo”, disse. 

Reforma e juros. Para Rabelo, em parte, não vai haver tempo físico para que todas as medidas que o Brasil precisa tomar sejam de fato concretizadas neste período da gestão do presidente Temer.

“Mas ainda vamos agradecer muito essa tenacidade do presidente, esse espírito abnegado dele de, apesar da eventual impopularidade, lutar com muito afinco para convencer os parlamentares para votar as reformas porque elas são o ponto de partida para a transformação que estamos esperando do Brasil afim de que cheguemos ao segundo centenário da nossa independência em 2022 com um país completamente transformado, reeducado, próspero com de fato oportunidades reais para todos os brasileiros” ponderou.

Além dessas reformas - da Previdência e trabalhista - Rabello disse que fica faltando a reforma tributária. “Eu espero que saia. Temos já um relatório preparado pelo relator Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e ele está pronto para apresentá-lo. O presidente Temer está deixando a parte previdenciária antes para não atropelar. Mas espero que dê tempo, até o segundo semestre, de ocorrer a votação da simplificação tributária”, disse.

Rabello acredita que a reforma tributária terá um impacto fundamental na redução dos juros. “ Teremos uma economia de 1 a 2 pontos percentuais de juros apenas por conta da votação dessa reforma. Isso é de extraordinária relevância em termos de economia fiscal. Existe uma economia de bilhões”, calculou.
 
 
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