24/04/2017 às 08h15min - Atualizada em 24/04/2017 às 08h15min

CFM destaca quão valioso e dignificante é o investimento na relação médico-paciente

“A missão do médico contemporâneo é aliar os avanços tecnológicos, tão necessários e bem-vindos, a uma relação de confiança e credibilidade com seu paciente”.

“A prática médica é essencialmente estabelecida na relação humana, é a partir do contato que se traça o diagnóstico e se constrói a relação médico-paciente, pilar fundamental da medicina. A missão do médico contemporâneo é aliar os avanços tecnológicos, tão necessários e bem-vindos, a uma relação de confiança e credibilidade com seu paciente”, defende o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital.

No Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, o CFM destaca quão valioso e dignificante é o investimento na relação médico-paciente. Ex-conselheiro do CFM e autor do livro Uma introdução à medicina, Luiz Salvador Sá Júnior ressalta que “o bom desempenho da medicina não se abstém de priorizar a ética e valorizar um atendimento mais humano, ainda que, muitas vezes, o ambiente apresente condições adversas e o sistema de saúde seja precário”.

Primeiro pediatra brasileiro a atender, em um serviço público, um recém-nascido na sala de parto, Antônio Marcio Junqueira Lisboa é um dos destaques da medicina no Brasil por seu olhar atento ao paciente, pelo cuidado com a integralidade do ser humano aliado às melhores práticas.

Lisboa, hoje com 90 anos e em atividade, criou projetos pioneiros nas áreas de pediatria e neonatologia, como o programa mãe acompanhante, possibilitando que as mães acompanhem seus filhos (crianças) internados em tempo integral; divisão do atendimento aos recém-nascidos a partir do grau de risco, permitindo que bebês saudáveis fiquem com suas mães; e, na área de ensino, levou pioneiramente alunos, internos e residentes às comunidades para estagiar em centros de saúde, áreas rurais, centros de reabilitação, centros de desenvolvimento social a partir da década de 1960.

À época, Antônio Lisboa deixou seu consultório no Rio de Janeiro e mudou-se para a então capital do país, Brasília, para construir seus novos sonhos na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Brasília, onde criou disciplinas como neonatologia. “Em doze anos consegui ter a segunda maior clínica do Rio em quantidade e, principalmente, em qualidade, somente ultrapassada pela do meu saudoso amigo Rinaldo de Lamare. A partir de 1965, passei a sonhar pela terceira vez. Queria ser professor universitário”, afirma o pediatra. Seu primeiro sonho era pertencer ao quadro do Hospital dos Servidores do Estado do Rio, realizado em 1955, e o segundo era ter sua clínica.

“A abordagem holística da medicina surgiu como uma forma de reação ao modelo cartesiano. Aqui as pessoas deveriam ser vistas como unidades biológicas, indivisíveis, que sentem, sofrem, têm alegrias, medos, angústias, tristeza e depressão; que pertencem a famílias, vivem em comunidades, e têm seus hábitos, seus costumes, seus tabus. A abordagem holística implica o atendimento da pessoa de uma forma integral e integrada, evitando-se a fragmentação do conhecimento”, defende Lisboa ao falar sobre o pediatra do futuro.

Luiz Salvador, psiquiatra também dedicado às causas político-associativas, destaca ainda que “o médico tem uma responsabilidade que transborda dos campos técnico, jurídico e administrativo para o ético. A relação benemerente, eixo do trabalho médico, exige que seus agentes sejam particularmente dotados de qualidades que lhes permitam fazer esse trabalho – o encontro de ajuda baseado na ciência, no bom senso e na solidariedade”.

Fonte: Thaís Dutra-Jornalista | Assessoria de Imprensa-Conselho Federal de Medicina (CFM)
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