30/04/2017 às 11h38min - Atualizada em 30/04/2017 às 11h38min

Chácara do Desengano faz doação da 1ª edição do livro ‘Eu’, ao Museu de Augusto dos Anjos

Exemplar editado em 1912, foi autografado e dedicado pela viúva Ester Fialho dos Anjos ao Doutor Custódio Junqueira, médico de Augusto dos Anjos em Leopoldina.

Edição: Luiz Otávio Meneghite - com fotos de João Gabriel Baia Meneghite
Em solenidade ocorrida na noite deste sábado, 29 de abril, no Museu Espaço dos Anjos, em Leopoldina, o diretor da Chácara do Desengano S/A, Reinaldo Lustosa Junqueira, fez a entrega ao Município de um exemplar da 1ª edição do livro ‘Eu’, de Augusto dos Anjos, editado em 1912.

Segundo informação do diretor da Chácara do Desengano, a 1ª edição teve apenas 200 exemplares editados sendo um deles, devidamente autografado e dedicado pela viúva do poeta, Ester Fialho dos Anjos, ao Doutor Custódio Junqueira como forma de agradecer à dedicação do médico que assistiu Augusto dos Anjos durante sua enfermidade em Leopoldina, onde veio a falecer e foi sepultado em 1914.

O livro pertencia ao acervo da Chácara do Desengano S/A, da qual o Doutor Custódio foi proprietário e por decisão de seus acionistas passou a integrar o acervo do Museu Espaço dos Anjos, instalado na casa onde morou o poeta em Leopoldina, na rua Barão de Cotegipe.

O diretor da Chácara do Desengano Reinaldo Lustosa Junqueira com o prefeito José Roberto de Oliveira. (Foto: João Gabriel B. Meneghite)

O vice-prefeito de Leopoldina Márcio Henrique Alvarenga Pimentel entregando um certificado a Reinaldo Lustosa Junqueira, em reconhecimento pela contribuição da Chácara do Desengano. 

Um pouco sobre Augusto dos Anjos e o único livro escrito pelo poeta

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 28 de abril de 1884, no Engenho do Pau d’Arco (PB). Seus pais eram proprietários de engenhos, os quais seriam perdidos alguns anos mais tarde, em razão do fim da monarquia, da abolição e da implantação da república.

Foi educado pelo próprio pai até ao período antecedente à faculdade. Formou-se em Direito no Recife, contudo, nunca exerceu a profissão. Criado envolto aos livros da biblioteca do pai, era dedicado às letras desde muito cedo. Ainda adolescente, o poeta publicava poesias para o jornal “O Comércio”, as quais causavam muita polêmica, por causa dos poemas era tido como louco para alguns e era elogiado por outros. Na Paraíba, foi chamado de “Doutor Tristeza” por causa de suas temáticas poéticas.

Em 1910, casa-se com Ester Fialho, com quem tem três filhos. O primeiro filho morre prematuramente. Quando a situação financeira da família se agrava, com o advento da industrialização e a queda do preço da cana-de-açúcar, o autor muda-se para o Rio de Janeiro. Nesta cidade, enfrenta o desemprego até conseguir o cargo de professor substituto na Escola Normal e no Colégio Pedro II, complementando-o com a renda das aulas particulares.

Em 1914, transfere-se para Minas Gerais, por causa de uma nomeação como diretor do Grupo Escolar de Leopoldina, a qual conseguiu com ajuda de um cunhado. Após alguns meses da mudança, o poeta morre aos 12 de novembro do mesmo ano, vitimado por pneumonia.

Augusto dos Anjos vivenciou a época do parnasianismo e simbolismo e das influências destas escolas literárias através de seus escritores, como: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Cruz e Souza, Graça Aranha, dentre outros. Porém, o único livro do escritor, intitulado ‘Eu’, trouxe inovação no modo de escrever, com idéias modernas, termos científicos e temáticas influenciadas por sua multiplicidade intelectual. Pela divergência dos assuntos tratados pelo autor em seus poemas em relação aos dos autores da época, Augusto dos Anjos se encaixa na fase de transição para o modernismo, chamada de pré-modernismo.

O poeta tinha como tema uma profunda obsessão pela morte e teve como base a idéia de negação da vida material e um estranho interesse pela decomposição do corpo e do papel do verme nesta questão. Por este motivo foi conhecido também como o “Poeta da morte”.

Sua única obra marca a literatura brasileira pela linguagem e temática diferenciadas.

Fontes: Sabrina Vilarinho e Chácara do Desengano S/A
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