20/05/2017 às 23h10min - Atualizada em 20/05/2017 às 23h10min

A prisão de Andrea Neves e a imprensa mineira, por Maíra Vasconcelos

por Maíra Vasconcelos
Jornal GGN

A prisão de Andrea Neves, irmã de Aécio (PSDB), teve particular repercussão em Belo Horizonte. Conhecida como “mãos de tesoura”, Andrea vigiou de perto a redação dos principais jornais da capital, cuidou de vetar informações e dirigir reuniões de pauta. Manteve as publicações jornalística seguras em mãos de cabresto, durante os anos de governo do hoje senador afastado Aécio Neves (2003-2007 / 2007-2010).

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJP-MG), reservou-se o direito de decretar o dia 18 de maio, quando Andrea foi presa em Belo Horizonte, e levada a penitenciária de mulheres, como o “dia da liberdade de imprensa em Minas Gerais”.

Houve festejo na sede do sindicato. Ontem, aconteceu o extravasamento de uma categoria impedida de abordar determinados fatos e fontes, foi o alívio do jornalismo por anos censurado, numa legítima sensação de contas acertadas com um governo específico. A festa teve o tom da consciência profissional social pela democracia do direito à informação. Ao menos é essa a postura, hoje, da direção do sindicato dos jornalistas de Minas.

O tradicional jornal Estado de Minas, em sua edição de hoje, não publicou foto de Andrea Neves saindo da viatura, chegando ao IML para exame de corpo delito, ou aquela foto de perfil, dispensável, com o número de sua detenção. Outras mídias, tanto regionais como nacionais, abusaram da foto de Andrea enquadrada, isso que a meu ver não confere de forma alguma uma necessidade jornalística, em nenhum caso, e apenas incita o linchamento público.

Para além das euforias momentâneas, a prisão de Andrea Neves torna público e traz à tona o importante debate sobre o direito à informação e a realidade dos interesses políticos dos meios de comunicações, e como isso afeta a sua produção jornalística. A saída de Andrea Neves das redações de Belo Horizonte, o que aconteceu com o término do governo Aécio em 2010, não libertara a imprensa mineira, que segue com a linha editorial política afetada por escolhas partidárias, imersa em uma *crise alarmante e que não terá abasto com prisões e nem com mudança de governos e partidos. O jornalismo, em seu fundamento, tem essa capacidade independente de se despegar de governos. Assim, o episódio Andrea Neves apenas joga à imprensa mineira uma série de perguntas sobre o exercício da profissão e sobre a crise na qual permanece afundada.

*O jornal Hoje em Dia, cujo dono é Ruy Muniz, deu calote em 36 profissionais que foram mandados embora e não receberam o salário do mês, nem o devido acerto referente aos direitos trabalhistas.

Em homenagem aos jornalistas Ângela Carrato e Geraldo Elísio, que foram perseguidos e que se dedicam há anos a denunciar os abusos dos irmãos Aécio e Andrea Neves.

 

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