23/05/2017 às 11h43min - Atualizada em 23/05/2017 às 11h43min

PF mira assessor de Temer e ex-governadores do DF por desvios em obra de estádio da Copa

Reuters

A Justiça Federal do DF emitiu 15 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão temporária e 3 de condução coercitiva como parte da operação, todos a serem cumpridos em Brasília e arredores. Também foi determinada a indisponibilidade de bens de 13 envolvidos até o limite de 60 milhões de reais.

Em despacho autorizando a operação, o juiz federal do DF Vallisney de Souza Oliveira disse que há indícios de que Arruda, que era governador em 2009 e 2010, é suspeito de ter tramado toda a fraude licitatória, enquanto Agnelo, o governador que construiu o estádio, recebeu propina para viabilizar a execução.

Fillipelli, de acordo com a denúncia citada pelo juiz no despacho, cometeu crime de corrupção e lavagem de dinheiro, inclusive recebendo recursos ilegais para o PMDB, entre 2013 e 2014.

Segundo delatores da empreiteira Andrade Gutierrez, responsável pela construção do Mané Garrincha, foi acertado o repasse de 1 por cento do valor total da obra para os agentes políticos em forma de propina, disse o MPF, acrescentando que os relatos revelam dezenas de pagamentos de propina que, em valores preliminares, somam mais de 15 milhões de reais.

ELEFANTE BRANCO

O estádio de Brasília é o segundo mais caro do mundo voltado para o futebol, segundo especialistas, ficando atrás apenas de Wembley, na Inglaterra.

A renovação da arena para o Mundial de 2014 não recebeu empréstimos do BNDES, ao contrário dos demais estádios da Copa financiados com recursos públicos, mas sim da estatal do DF Terracap, que tem 49 por cento de participação da União.

De acordo com a PF, a Terracap "encontra-se em estado de iminente insolvência" em razão da obra no Mané Garrincha.

A Polícia Federal identificou a operação como Panatenaico, em referência ao estádio de mesmo nome na Grécia que tinha os assentos de madeira e passou por uma enorme reforma que incluiu arquibancadas em mármore, disse a PF.

O estádio de Brasília é um dos seis que estavam sob suspeita de irregularidades sob investigação com base nas delações de executivos de empreiteiras investigadas na operação Lava Jato. Além do Mané Garrincha, também são investigadas as obras na Arena Corinthians, em São Paulo; na Arena Pernambuco, em Recife; na Arena Castelão, em Fortaleza; na Arena Amazônia, em Manaus; e no Maracanã, no Rio de Janeiro.

O Mané Garrincha recebeu sete jogos do Mundial de 2014, incluindo a decisão de terceiro lugar em que o Brasil perdeu por 3 x 0 para a Holanda. No entanto, sem nenhum time nas primeiras divisões do Campeonato Brasileiro na cidade, o estádio recebe jogos apenas esporadicamente desde o fim da Copa e é considerado por críticos um elefante branco.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro, e Lisandra Paraguassu, em Brasília; Reportagem adicional de Silvio Cascione, Paulo Whitaker e Ueslei Marcelino, em Brasília)


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